Quarta-feira, Abril 09, 2008

Atendimento de primeira linha

- Consultório Médico, bom dia.
- Bom dia. Por favor, passei em consulta com o Dr. Carlos César no pronto socorro do hospital no domingo, e ele me prescreveu um remédio e me deu o telefone do consultório para eu ligar se tivesse algum problema.
- Ah.
- Então, estava com as costas travadas e ele mandou eu tomar Tandrilax. Acontece que ele atacou meu estômago, e como eu estava com muita dor parei de tomar o remédio. Além de não ter melhorado o estômago, piorou as costas.
- Ai bem, hoje o Dr. Carlos César não está aqui.
- E tem algum outro número que eu possa falar com ele?
- Não, não vou poder te ajudar.
- Ele não está em atendendo em outro consultório, ou talvez no hospital?
- Não.
- Olha, muito obrigada viu, você está super preparada para trabalhar com saúde, e sabe lidar direitinho com gente que está com dor.

Segunda-feira, Abril 07, 2008

Tic tac

Tem gente que é boa de guardar segredo. O seu próprio, o de um amigo querido, ou de um inimigo. Não importa, a pessoa pode ouvir uma revelação bombástica e continuar vivendo como se não tivesse ficado sabendo de nada.

Outros não têm essa disciplina toda. São mais ansiosos, emotivos, impressionáveis. Quando ouvem alguma informação já sentem uma necessidade intensa de compartilhar com outra pessoa. Dá aquela famosa coceira na língua, e eles têm que correr pra longe de todo mundo para não correr o risco de contar pra ninguém.

Pois é, mas fofoca nem sempre é maldosa. E o cidadão que sofre dessa ansiedade e têm consciência disso, às vezes acaba desabafando com taxista, porteiro, manicure, barbeiro... Barbeiro, sim, porque homem é tão ou mais fofoqueiro que mulher!

Eu mesma estou vivendo um conflito desses. O segredo é meu mesmo, mas eu to que não me agüento! Quero poder contar pra todo mundo, anunciar aos quatro ventos, gritar na rua de braços abertos sem medo de ser feliz! Mas não posso. Ainda não.

Sabe quando você tem um plano, ou um projeto que ainda está na fase de gestação? Eu acredito total nesse lance de energia, e enquanto ele não está pronto pra sair eu não quero dividir com ninguém pra não correr o risco dele sair errado, ou até mesmo de não sair at all.

Então eu fico ali, segurando o segredo, engolindo aquela ansiedade monstra, mordendo a língua e andando por aí com cara de dor de barriga de tanta força que tenho que fazer para não falar pra ninguém.

Até que, num dia qualquer, ao andar saltitante pela rua, encontro por acaso um conhecido (que não é lá muito confiável, diga-se de passagem), que me enche de elogios e pergunta a razão de eu estar tão bonita e radiante. Ao invés de sorrir e jogar os cabelos sedosos para os lados, o que eu faço? Abro minha bocarra e conto tudo. Justo pra ele. Pra quê???

Acho que estou precisando rever esse conceito de segredo. Melhor contar logo pra alguém que eu confie do que andar por aí feito uma bomba-relógio...