O que aprendi com o quiabo
Quem nunca foi parado por algum policial na vida? Polícia rodoviária, civil ou até ambiental. Que seja um salva-vidas na praia apitando pra você se afastar da correnteza. Duvido que alguém nunca tinha tido essa experiência.
Eu já. Mais de uma vez. Mas a mais recente é a que vale a pena ser comentada. Até por que, em tempos de bafômetro não se fala em outra coisa.
Enfim, vamos à estória.
Como boa neta que sou, fui almoçar com minha avó. O cardápio era ravioli de pato, arroz, omelete e brócolis, mas os menus que ela inventa merecem um post exclusivo. Para acompanhar, vinho branco (dos bons).
Papo vai, papo vem, chega a hora de ir embora. Era mais ou menos 15h, sol a pino. Faço um caminho diferente para passar naquela loja da Sumaré e depois aproveitar para ir no banco. A 100 metros do banco me deparo com uma “Unidade Móvel” da Polícia Militar. Logo noto os cones que demarcam um simpático “estacionamento” ao lado dos oficiais. E eis que um deles anda pro meio da rua, tira o cone e me manda parar.
&%@*%$%&$#%!!!
Estaciono, desligo o Seu Jorge que gritava no carro “burguesinha só no filé” e atendo às ordens:
- Carteira de habilitação e documento do veículo.
Inexplicável dizer o que eu sentia no momento. Só sei que o suor brotava de todos os poros, e eu fazia força pra mascar bem o meu Trident Herbal Fresh e tentar disfarçar o cheio de bebida.
Ele avaliou os documentos, fez algumas perguntas. Eu guaguejei em todas as respostas, e não conseguia disfarçar o nervosismo. Não sei como nem porque, mas ele começou a falar que se separou há 7 anos, conheceu uma italiana e eles gostam de viajar no final de semana para conhecer lugares novos. Disse que a vida dele não é só a Polícia não, que é importante se divertir. Perguntou dos pontos turísticos de Piracicaba e eu, que só almocei na Rua do Porto uma vez na vida, me vi dando altas dicas gastronômicas.
Aproveitando o momento de simpatia do oficial, resolvi contar que tenho um amigo da Polícia Rodoviária Federal (que na verdade só vi 2 vezes na vida) e que a gente fez um projeto junto e que ele também era um cara divertido.
Comecei a explicar onde eu trabalho e o que eu faço, e como esse ano estava envolvida num projeto de segurança nas estradas voltado para motoristas de caminhão. Falava com calma, articulando o pensamento, mencionando os conceitos da campanha e tentando não guaguejar mais. Até que ele pergunta:
- E o que você acha dessa lei nova do bafômetro?
- Acho o máximo, desde que você não me peça pra fazer o teste agora.
Óbvio que a segunda parte só foi ouvida dentro da minha cabeça. Na realidade o que falei foi:
- Acho que tem que fazer mesmo, principalmente nas estradas onde os acidentes são mais graves e nos bairros cheios de barzinho onde a molecada bebe sem pensar nas conseqüências...
Ele me olhou, me entregou os documentos e disse sorrindo:
- Não vou nem fazer o seu rezistro (sim, com z) senhorita. Pode ir e tenha uma boa tarde.
- Ok, obrigada!
- Pode me chamar de Cabo Adriano.
- Prazer em conhecê-lo, Cabo Adriano, bom serviço!
Uuuuuuuuhhh! Como se diz em Piracicaba, “lisa como um quiabo!”. Viva minha empresa (que impressiona algumas pessoas), viva o Molinari (meu amigo polícia) e viva minha cara de pau!
Da cozinha
Será que agora que eu to cozinhando tenho que parar de chamar salsa e cebolinha de "verdinhos"::: (to sem interrogação)
Meu arroz, minha farofa e minhas panquecas ficaram o máximo! Há!
11
No dia 11 de julho de 2005 foi meu primeiro dia de trabalho aqui.
Hoje, dia 11 de julho de 2008 é o dia em que empacoto todas as tralhas acumuladas nesses exatos 3 anos de trabalho para liberar a área para a pessoa que vai ocupar minha cadeira enquanto eu estiver "no estrangeiro".
Vou muito feliz, por que sei que o desafio que me aguarda vai ser ótimo. Não vejo a hora de começar, de por em prática todo o meu esforço para aprender o idioma. De fazer cara de "ahn?" quando me perguntarem alguma coisa, de ouvir gente rindo do meu sotaque... de gesticular no supermercado pra me fazer entender! E isso é só uma parte da experiência.
Sempre simpatizei com o número 11. Se ele for mesmo meu número da sorte, espero que em 11 dias meu visto fique pronto e eu possa finalmente entrar no avião!
Aguardem cenas do próximo capítulo. (e rezem muito, porque o visto tá embaçando e eu estou quase tendo uma síncope!!!)
Do bafômetro
Sabia que na Suécia todos os táxis são equipados com bafômetro? Não, não é para os passageiros, é para os próprios motoristas! Por que quando o carro fica desligado por meia hora ou mais eles não conseguem dar a partida antes de dar uma baforada. É isso aí, o carro não liga até que o bafômetro constate que nesses 30 minutos o cara não foi encher a cara de aquavit. E o melhor é que ninguém reclama disso, eles sabem que é a lei e obedecem...
No Brasil seria igualzinho, né?
Momento consciente
Há um projeto de lei que está na Câmara dos Deputados que, se aprovado, irá autorizar a derrubada de até 50% da Amazônia, legalizar os desmatamentos e desobrigar os responsáveis a recuperarem o que foi derrubado. É o Projeto "Floresta Zero".
Muitas coisas me preocupam. Fome, miséria, violência, educação, saúde, transporte público, seca, enchentes, incêndios, aquecimento global. Mas o que mais me incomoda é a situação da Amazônia. Por isso, assinei o abaixo assinado do Greenpeace (clique no logo para se informar), mandei a indicação para vários amigos fazerem o mesmo e agora resolvi postar no blog. Eu sei que não é suficiente, mas o que não dá é para ficar sentada esperando pra ver o que acontece.
Fragmentos
Quando estamos numa loja, num bar, ou andando pela rua às vezes é inevitável ouvir alguns trechos de conversa. Principalmente eu que, como costumavam me dizer, escuto como um morcego. Aqui estão os melhores que eu ouvi ultimamente.
Mulheres na loja- Vi em outra loja uma jaquetinha xadrez com capuz, vocês têm aqui?
- A gente tinha, mas acabou. E era P (olhar sarcástico para a cliente “avantajada”).
Casal subindo a ladeira- Espera aí!
- Vai logo, você ta quase morrendo!
- E o que você quer que eu faça?
- ANDA!
Dois meninos de uns 17 anos andando na rua- E aí, o quê ela falou?
- Falou que queria ser amiga.
- E você falou o quê?
- Ah, a gente conversou...
- Você é um bunda mole mesmo!
- Não, eu falei que não queria ser amigo dela.
- Duvido!
Porteiros na calçada- Ah, cê foi lá?
- Num fui, tava rahumbhaurnpato.
- E bavehulsmenos fio?
- Ô, a dona tumanieihfasçeqls. Ah, é né?
(e alguém entende o que porteiro fala?)
Taxista para passageira- Ó, vou te falar uma coisa, eu dirigi carreta por 13 anos.
- Ah é, que caminhão?
- Carreta, ué.
- Qual é a marca do caminhão?
- Carreta!
- Não, era Scania, Mercedes...
- Scania!
- Legal.
- Vou te falar uma coisa, já dirigi de tudo nessa vida.
- Ahã.
- Só não dirigi avião. Vou te falar uma coisa, mas se der um na minha mão, eu tiro o bicho do chão. E boto de novo também! É importante né.
Casal no restaurante- Pára com isso, você é melhor que isso.
- Não, mas não to conseguindo.
- É que eles ainda não te descobriram Paulo! Eles ainda não te descobriram! Tem que esperar mais um pouco, eles logo vão te descobrir.
Casal na Casa Cor e funcionária- Nossa, que piso lindo! Qual é esse?
- Esse é o Porcelanato dourado.
- Séérrrrrgioooo, é esse que eu quero!
Às vezes eu queria que minha audição não fosse tão desenvolvida.
Imperfeições
Normalmente sou uma pessoa razoável, mas tem uma coisa que não consigo lidar muito bem. Marcas, sinais e outras coisas marcantes no rosto de uma pessoa me deixam completamente travada, sem conseguir pensar em outra coisa e focar na conversa.
Por exemplo, agora mesmo tive uma reunião com um cara que tinha uma senhora verruga (que dá vontade de chamar de berruga de tão grande que era) na têmpora direita. Se fosse no queixo, talvez eu até conseguisse me concentrar, mas estando tão perto do nível dos olhos... Como eu aprendi desde cedo que é feio conversar com alguém sem olhar nos olhos, passei o tempo todo tentando segurar meu olhar nas pupilas, e não na outra bolota menos atrativa gritando por atenção a poucos centímetros dali.
E gente vesga, então? Nunca sei identificar qual é o “olho bom” e pra onde eu tenho que olhar.
Tem também aqueles rostos que estão pendurados no nariz. Sim, porque o negócio é tão grande que não tem dúvida do que veio primeiro. Pior ainda se tiver as laterais das narinas levantadas, e proporcionar uma visão panorâmica do interior do nariz, com direito a cartilagem, pelos e outras melecas.
Aliás pelos sempre chamam a atenção. Pelos na orelha, numa berruga imensa ou uns perdidos bem grossos que nascem no queixo de algumas mulheres... Eca, eca, eca. Tenho aversão à pelos que nascem nos lugares errados, em grande quantidade ou proporcionalidade (de comprimento ou espessura).
Dente torto e amarelo também tem o mesmo poder. Não me atrevo nem a comentar sobre dentes sujos, porque isso é falta de vergonha na cara. Tanta propaganda de pastas, escovas e enxagüantes bucais dominando a televisão e atormentando todo mundo e os sujinhos lá, fingindo que não estão vendo. Sim, é possível que você tenha os 12 problemas bucais.
Quando era mais nova até sobrancelhas desalinhadas ou descabeladas me incomodavam. Hoje só as desproporcionais me irritam, o que é um sinal claro da minha evolução. Eu estou me tornando uma pessoa melhor!
Até porque eu sei que, procurando bem, de perto todo mundo tem pereba. E ok, nem todos os problemas aqui citados existem por desleixo da pessoa. Então, se não nasceu com o rosto imaculado, é provável que tenha total consciência do seu problema. Se souber, disfarce-o. Se estiver na dúvida, pergunte para um amigo – é papel dele te falar a verdade (se não falar, repense essa amizade). Mas quando conseguir eliminá-lo (minimizá-lo, que seja) talvez perceba que as pessoas começaram a prestar mais atenção no que você fala.
Hello, dá pra olhar pra mim enquanto eu estou falando?