Quarta-feira, Março 26, 2008

Essa carta é para você

Nossa história já dura alguns anos. Talvez esteja durando mais do que deveria, talvez ainda não o suficiente. Acontece que você é uma das pessoas mais complicadas que eu já conheci. Antes te achava misterioso, e o mistério encanta. Agora, mesmo de longe já consigo decifrar o que passa nessa sua cabeça.

Já aprendi que toda essa determinação para me encontrar vai desaparecer assim que rolar o beijo de despedida. Talvez até antes, mas você não nunca deixa transparecer. Você é daqueles caras que fica até o fim, toma café da manhã, banho. Fica esperando eu me arrumar para ir trabalhar, para então tentar me puxar de volta para a cama.

O papo é incrível, temos o mesmo senso de humor, e sempre nos divertimos muito. Cabeça oca você não é, porque seu emprego demanda uma responsabilidade muito grande, e sei que você consegue ser sério, racional, coerente, lógico – quando precisa. Talvez por isso você seja tão blasé na vida privada.

Toda vez que você me ligava, meu coração ficava acelerado, minhas pernas moles. Se a fosse sair, eu sabia que aquela seria mais uma noite inesquecível. Não esqueci nossos grandes encontros, mas prefiro guardar as memórias numa caixa de papelão com furinhos para que elas possam respirar. Ao fim de cada noite eu aprendia alguma coisa. No começo, a expectativa de um próximo encontro consumia todas minhas energias. E, quando você não ligava, meu chão abria. Com o tempo, aprendi que você não era do tipo que curtia uma continuidade, e criei uma casca protetora.

Já faz um ano que a casca está fortalecida, e desde então suas investidas não me tiram mais o fôlego. Confesso que gosto de saber que você quer me ver, e que me faz bem ouvir tudo que você acha de mim. Mas seu comportamento recente já está se tornando uma obsessão, e já não é mais tão bonitinho. Tenho certeza que se eu já tivesse cedido e aceitado seus convites, você teria feito planos de me levar para Nova Iorque, e naquele restaurante incrível que serve a melhor costela de São Paulo, me contaria sobre sua vontade de sossegar e morar num condomínio para as crianças poderem brincar na rua com segurança. E, depois teria desaparecido por mais alguns meses. Nesse meio tempo você direcionaria para outro alvo a sua mira desfocada. Alguma presa mais vulnerável, mais carente do que eu. Alguma mulher que se deixaria levar pela sua lábia, que assumo ser uma das melhores que eu já ouvi. Mas o fato é que a gente tem que fazer escolhas na vida, e minha escolha agora é não te ver.

Portanto, dá um tempo. Essa perseguição já está cansativa, mas minha casca está longe de quebrar.

Quarta-feira, Março 19, 2008

Pelo Brasil afora

Depois de três finais de semana seguidos trabalhando em alguns dos cantos mais bizarros do país, nada como um feriado para interromper a onda que acaba com a minha confortável rotina.

Óbvio que eu não vou viajar. Tenho passado por muitos aeroportos, visto muitas tripulações diferentes. Conheço praticamente a equipe da Gol inteira. Da TAM ainda falta um pouquinho, porque afinal de conta são mais de 20 mil funcionários. Já peguei dezenas de taxistas diferentes, com os mais variados temperamentos e humores. Estou me tornando uma expert em restaurantes de beira de estrada – já sei de cor o menu do dia (rodízio, todo dia, em qualquer lugar) e já aprendi a identificar de longe o que não devo nem por um decreto colocar na minha boca!

Estou craque em fazer mala. Pra desfazer, então, é uma beleza. Cinco minutos é muito pra botar ordem em tudo. Com a experiência, o tamanho da mala também tem sofrido reduções significativas. E raramente esqueço alguma coisa. Também, com a proximidade das viagens só esqueceriam os maconheiros ou aqueles com problemas de memória.

Mas o fato é que não agüento mais música sertaneja. “E esse amor de ping pong, de pega-pega, de esconde esconde/ paixão maluca proibida...”. São dois dias ininterruptos com os grandes hits sertanejos, vez em quando intercalados com algum axé. Pelo menos às vezes aparece um Chiclete para dar uma animada na dor de corno que você sente ao ouvir tanto sertanejo se esgoelando – mesmo que não tenha motivos para se sentir assim, é inevitável. Depois de um tempo você se vê desenterrando alguma história mal resolvida do passado só pra ter no que pensar enquanto escuta o berreiro desafinado. A verdade é que música sertaneja para ser apreciada precisa ter alguma relação com a sua vida, por mais superficial que seja. Aí basta ouvir uma única vez que você já sabe a letra inteirinha e canta com toda a força dos pulmões.

Outra coisa que irrita é ter que passar o dia retocando protetor solar nas partes que não estão cobertas pela camisa do uniforme que eu tenho que vestir durante os eventos. Até fizemos uma versão abadá, cortando as mangas para poder amenizar o calor, mas aí dá-lhe Sundown para não ficar parecendo uma caminhoneira.

Também já estou acostumando a passar repelente antes de sair do hotel para jantar. Por que, mesmo se a cidade não estiver numa área de risco da dengue, existem espécies de pernilongos extremamente resistentes, cujas picadas levam dias para sair e te deixam coçando a pele compulsivamente até formar casquinha.

Portanto, nesse feriado, eu quero mais é ficar no meu lindo e confortável lar, tomar banho no meu delicioso chuveiro, dormir na minha aconchegante cama, assistir à TV sem ver fantasmas de outros canais na tela, fazer coisas agradáveis, passear por lugares bonitos, para ver gente simpática e educada que não tem o terrível hábito de palitar os dentes, e que não enxuga o suor do rosto com o guardanapo depois de comer e tampouco levanta a camisa (regata) para dar uma refrescada na pança quando sai do restaurante.

Ainda bem que eu sou uma pessoa versátil, flexível. A prova disso é que eu posso estar almoçando num posto de gasolina de beira de estrada num sábado, e no domingo em um dos melhores restaurantes de São Paulo. Desde que eu tenha tempo de desencardir, fazer as unhas, depilação, tomar banho com todas as minhas frescuras de óleos, shampoos, cremes...

Faltam oito eventos para acabar o projeto. Ainda vou passar por mais oito cidades em regiões diversas do país, encontrando todo tipo de gente que se pode imaginar.

Depois disso tudo vai ter universidade disputando a tapa o direito de me conceder um Phd em antropologia. Alguém duvida?

Terça-feira, Março 04, 2008

The World




Peguei essa idéia da Anna, e não resisti! Nele você marca os países que já conheceu. Viajar é a melhor coisa do mundo e eu me sinto brincando de War!

Por enquanto ainda estou longe de vencer a guerra, mas nada como um bom desafio!

Até agora conheci 12 países, ou seja, 5% do mundo. Nooooossa, falta muito ainda!

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