Passando mal
Entao depois de algum tempo sem sair para uma boa balada, achei que ja era hora da abstinencia chegar ao fim. Uma noite sem estudos, sem GMAT, sem aulas de matematica que me fazem questionar minha inteligencia o tempo todo.
Pra nao fazer feio, passei em casa rapidinho, tomei um banho e me arrumei correndo. Nao tive tempo de jantar, mas como iamos para um bar que vira balada depois achei que isso nao seria um problema.
Mas foi. Chegamos tarde e o bar ja era balada. Estava lotado, e so faltava a banda comecar a tocar. Nao tinha mesa livre, e achei que nao era uma boa ideia - e nao seria nada charmoso - comer em pe no meio do lugar. Entao, ignorando as reclamacoes do meu estomago, tomei uma caipirinha de saque e me convenci de que o morango seria suficiente pra me alimentar.
Entao a banda comecou. A pista lotou. O calor aumentou. Tentei nao ser uma pessoa rabugenta, velha e chata que so reclama da lotacao e faz cara feia quando as pessoas trombam nela, ou derrubam bebida na sua sandalia. Tentava manter o sorriso com a maior cara 'tudo bem' do lugar.
Acontece que paciencia tem limite e o meu nao tardou a chegar. Resolvi sair pra tomar um ar, o calor era insuportavel la dentro. Na varanda, o vento me refrescava. Mas, ao inves de me sentir melhor, me sentia pior. E minha pressao caiu.
Entre eu pedir pra minha amiga um pouquinho de sal e me estatelar no chao passaram-se alguns minutos. Mas, vejam bem, me estatelei com classe! Cai de ladinho, sentada com as pernas fechadas, apoiada na muretinha. Praticamente uma cena de novela!
Nunca tinha desmaiado antes. Foi uma sensacao terrivel, parecia que eu nunca mais ia conseguir melhorar. Fiquei surda, fraca, cega, e tudo acontece muito rapido.
A sorte e que eu tinha ao meu lado dois franceses (gaterrimos) educadissimos e super eficientes que me ampararam. Enquanto uma amiga pegava uma cadeira e a outra buscava o sal, os dois me ajudaram a sentar.
Realmente, nao e sempre que podemos nos dar ao luxo de passar mal com amigos queridos e solicitos por perto. Quem dira por dois caras lindos!!
Espero que a cena nao se repita agora durante minha viagem a Rondonopolis. Sim, porque as chances de ser socorrida por um gatinho aqui sao minimas. Em compensacao, por um caminhoneiro...
PS - texto sem pontuacao pq no Mato Grosso meu teclado fez greve!
Huiswerk
Queria compartilhar com o mundo parte do que tenho passado ultimamente. Reproduzo aqui trechos de dois exercícios que tive que fazer hoje para a aula de holandês.
Em português: Preciso falar com minha mãe hoje.
Em holandês: Ik moet vandaag met mijn moeder spreken.
Tradução literal: eu preciso hoje com minha mãe falar.
Em português: vinte e um mil cento e sessenta e cinco
Em holandês: éénentwintig duizend éénhonderd en vijfenzestig
Tradução literal: um e vinte mil um cem cinco e sessenta
Begrijp je dat?
Então tenham paciência comigo, meu cérebro anda cansado.
Diálogo via e-mail
- E aí, tudo bem? Novidades?
- Tudo bem por aqui, sem novidades... e você?
- Me preparando pra maratona de viagens e só! Você já tem planos pra Páscoa?
- Não tenho planos ainda! E você, o que vai fazer? Eu queria viajar...!
- Ai... depois de 3 finais de semana viajando direto, acho que não vou querer viajar, não...
- Mas é diferente! É viagem para descansar! Quando começa a maratona de viagens?
- Quinta! Rondonópolis é a primeira parada. Mas não vou agüentar mais fazer e desfazer mala. Só viajo se for de graça e se puder não fazer mala!
- Hahahaha de graça até pode ser, mas sem fazer mala....difícil!
- Será q as pessoas se incomodam se eu não trocar de roupa por 3 dias???
- Ahahahaha piggy!
- Alto lá, não falei que não ia tomar banho, só que não vou trocar de roupa!
- Então, tente não suar.
Correndo atrás do trio
Agora chegou a vez de contar como foi meu carnaval em Salvador. Também uma experiência única.
Decidi ir em meados de janeiro, o que faz com que tudo esteja sendo vendido pelo dobro do preço. Quiçá triplo.
Mas mesmo assim, um recente término de namoro (precisamente um par de chifres que levei) e vários amigos me fizeram ver que era disso que eu precisava. Afinal, é pra isso que serve o bônus anual!
Lá fomos nós, eu e três amigas, no melhor hotel de Salvador, que prometia gente bonita e esquentas na piscina. Logo no primeiro dia comprovamos a promessa, com o adicional de famosos a rodo. Caetano, Lázaro Ramos, Eliana com o sorveteiro, Gianechini, Júnior (da Sandy), Samara Filippo e outros globais, Fatboy Slim, Otaviano Costa, Jammil, Margareth Menezes e por aí vai. Aquele era o hotel para ver e ser visto. Até mesmo quando voltávamos do bloco “pouco apresentáveis”, circulávamos por ali como se fosse nosso segundo lar.
E era assim que funcionava. A gente acordava, tomava um mega café da manhã (com direito a tapioca e omeletes feitos na hora), passava o dia na piscina tomando sol e caipirinhas. Almoço? Era cheeseburguer todo dia, sem medo de engordar por sabermos que um mero sanduichinho iria embora nas primeiras horas de bloco. Só depois de um cochilo rápido rolava o momento arrumação.
Começava pelo banho, com a TV ligada na Band para ver o que acontecia pelos blocos afora enquanto nós ficávamos limpinhas. E terminava pelo corte do abadá – já acompanhado dos primeiros drinks do dia, para entrar no clima.
Isso acontecia cada simultaneamente em todos os quartos do hotel, e as pessoas só se juntavam quando já estavam prontas. E animadíssimas.
Pegamos três dias de bloco (Nana, Me abraça e Camaleão – sábado, domingo e terça) e no dia livre fomos em um camarote à noite.
Difícil descrever a experiência de Salvador, por que lá você se sente diferente. Não é clichê, não, mas a energia é mesmo outra. Óbvio que não dá para odiar axé e se divertir, mas quem vai sem gostar muito corre grandes riscos de voltar adorando.
E para desmistificar a má reputação do carnaval baiano, confesso que acho que em show de axé em São Paulo (incluindo o Carnabeirão e afins) tem muito mais putaria do que naqueles quatro dias em Salvador. Nem todo mundo lá quer sair beijando a parede, e se você é abordada e fala “não”, o cara te deixa em paz muito mais facilmente do que aqui, que eles te puxam pelo braço, te laçam com um colar dos filhos de Gandhi e te cercam com os amigos.
Mas a verdade é que, se você quiser pegação, também vai encontrar. Tem de tudo, para todos os gostos. Dá para todo mundo ser feliz. E é aí que está a graça.
Ao contrário da experiência no Rio de Janeiro, não fiquei doente em Salvador. Em compensação, quando eu voltei... Tive úlcera no olho (não, não é invenção – existe mesmo), gripe, rouquidão... fiquei de cama pelo menos três dias para me recuperar da farra.
E o pior é que, depois que eu melhorei de todos esses problemas, a primeira coisa que fiz foi comprar passagem para o ano seguinte...
Salvador é isso, é paixão, é vício. Mas também precisa de muita disposição e dinheiro. Hotel, abadá, bebida, passagem... é um senhor investimento. Mas as lembranças, definitivamente, não tem preço.
Top
A tia da limpeza aqui da “firma” revelou há um tempinho que me acha a cara da Ana Hickmann.
Acontece que a única semelhança que eu tenho com a top é o comprimento das pernas e o tom de voz grave.
Podia encaminhá-la para o oftalmologista (ou para o hospício), mas sou a favor da liberdade de expressão.
Além disso, desde que fez a grande revelação, ela sorri pra mim o dia inteiro. Quem sou eu pra acabar com a alegria dessa mulher??
Ficção científica
Alguém aí viu “Eu sou a Lenda”? É o filme novo do Will Smith que mostra uma Nova Iorque deserta e assombrada por zumbis mais do que estressados.
To sentindo que em breve São Paulo vai passar pelo mesmo problema. Só que ao invés de zumbis a grande ameaça da cidade serão os motoboys.
Eu é que não quero ser a única sobrevivente da cidade quando isso acontecer...
Palavras de sabedoria
"Existem no mundo dois tipos de pessoas: os ponta-firme e os fogo-de-palha."
by mc
Na tela da tevê, no meio desse povo
Dizem que a experiência de desfilar numa escola de samba é única. Cansei de ouvir pessoas falando que foi a melhor coisa que eles fizeram na vida, e depois de resolver experimentar, quero compartilhar minhas impressões.
Mas já começo dizendo que para mim foi diferente do que pra todas as outras pessoas. Por que? Porque na véspera do dia do meu desfile, eu estava no auge da empolgação carioca e resolvi tomar um sucolé do Claudinho na praia (suco + picolé = sucolé). Já que todo mundo tomava, achei que fazia bem em seguir a cultura local.
Ledo engano. A reação veio em algumas horas. Suava, tremia, sentia frio, calor, tontura... Nunca passei tão mal na vida. Estava na casa de uma amiga, que liberei pra ir no bloco de rua (outra experiência única, mas fica pra próxima) sem mim para que eu pudesse passar mal sozinha e vomitar em paz. Na casa dela.
Passei tão mal que minha mãe liguei para minha mãe em busca de uma solução. Em meia hora ela fez meu irmão, que também estava no Rio e que provavelmente eu jamais teria encontrado se não fosse por isso, se materializar na porta do prédio para me levar para o hospital. Eu não queria ir, com medo de passar mal no táxi. Mas daquele jeito não podia ficar e acabei no Copa D’Or, olha que nome chique. Chique só o nome, porque o lugar e meu problema não tinham nada de glamuroso.
Tomei soro, recuperei um pouco da cor e dormi muito. No dia seguinte, confiante, comia maçãs e torradinhas, tomava coca-cola e gatorade enquanto ensaiava o samba enredo. Tinha chegado até ali, não seria uma simples bactéria estomacal que ia me impedir de sair na avenida.
Fui. Vesti a fantasia, que sinceramente até hoje não sei explicar bem o que era, mas envolvia um chapéu enorme com frutas no topo que esmagava meu cérebro, um estandarte com espadas de alumínio enormes e uma roupa meio de palhaço. Horas depois de esperar na concentração (fedida) com Gatorade em punho, chegou a hora. Tensão, medo, silêncio. Depois de fazer aquela curva pra entrar na avenida, realmente senti um frio na barriga muito grande ao ver a Sapucaí a meus pés.
Nessa hora, ao invés do Gatorade, segurava um pandeirinho. Cantávamos o samba enredo da escola (“Bravo, unidos da Tijuca!”) com todas as forças que, no meu caso, eram poucas.
Desde o começo deu para ver como os carinhas que controlam cada ala eram muito estressados. Gritavam o tempo todo, para andarmos em linha, falava para que direção podíamos dançar e faziam ameaças para quem não cantasse a música.
- Se não sabe a letra, MEXE A BOCA E FINGE!!!
Não, não é exagero. Tipo um Tropa de Elite da folia. Cheguei a ter medo dele, mas depois passou. Entendi que aquelas pessoas passaram o último ano ralando muito por aqueles minutos na avenida.
A princípio consegui aproveitar bem. Dançava, dava tchau pras câmeras e ficava procurando famosos no camarote. Então o cansaço começou a aumentar, e as bactérias voltaram a amolecer minhas pernas... Resisti bravamente, respirei fundo e quando não conseguia cantar mexia a boca, obediente as ordens do comandante.
Mas o pior ainda estava por vir: as câmeras da Globo. Esse é o momento mais tenso de um desfile. Sim, porque todo mundo que está desfilando quer dar tchau pra câmera da Globo, e algumas pessoas estão dispostas a jogar sujo por isso. Pisam no pé, empurram, ou simplesmente pulam na sua frente ignorando as espadas do estandarte que dobram e batem nas pessoas, enquanto rebolam como a Globeleza.
Esse é um problema que acho que só eu tive, por ser mais alta que a maioria das pessoas ali. Aposto que os baixinhos não levaram uma espadada na cara sequer. Sério, a cada voltinha que a bêbada na minha frente (a que estava atrás e deu um "jeitinho" de ir pra frente) dava, se sentindo a Rainha da Bateria (gorda e feia, óbvio), eu levava uma chicotada.
A primeira foi engraçada, a quinta nem tanto. Estava difícil dançar, cantar, andar e proteger os olhos ao mesmo tempo. Queria esganar a desgraçada, mas com a quantidade de câmeras ali, achei que não seria das melhores idéias. Controlei os impulsos assassinos, tentei aliviar o peso do chapéu, que a essa hora já tinha feito meu cérebro escorrer um pouquinho pelo ouvido e continuei tentando dançar, sorrir e mexer a boca para acompanhar o samba enredo que tocava pela 50ª vez.
No final das contas foi uma experiência legal, e provavelmente realmente única. Mas confesso que o fim do desfile não me deixou tristeza nenhuma, só alívio. Portanto, discordo totalmente das pessoas que falam que o desfile dura pouco tempo.
O meu durou uma eternidade. Mas eu sobrevivi.