Sobre planos
João era um jovem ambicioso que sabia o que queria da vida. Desde pequeno aprendeu a pensar no futuro, e se acostumou a fazer planos.
Já no ginásio sabia o vestibular que ia prestar. No colegial pensava no primeiro emprego. Na faculdade já começou a ensaiar os primeiros passos para ser gerente. E daí pra cima – o céu é o limite.
João era um sonhador. Na segunda-feira já combinava os programas do final de semana. Um ano antes de sair de férias, já sabia até o hotel onde se hospedaria. Planejava o máximo para não ter que lidar com imprevistos.
Até a esposa João escolheu dessa maneira. Planejou, avaliou riscos, considerou todas as possíveis interferências e pediu sua mão em casamento. Essa foi a primeira noiva da história que teve 100% de apoio do marido, e não se estressou com os preparativos da festa.
No começo, Ana estranhava um pouco a racionalidade de João, mas aprendeu a lidar com isso. Esse estilo de vida proporcionava uma segurança que até então ela não conhecia, e acabou se apaixonando pelo método do marido.
A vida do João era um MS Project. Tinha planilha para tudo, da lista do supermercado até a escola dos filhos que sonhava em ter.
Sempre planejou o próximo passo, até aquela noite voltando do sítio em Itu, recém comprado. Chovia, mas João era um homem prudente. Era aniversário do chefe e ele tinha que voltar para São Paulo a tempo para o jantar. Saíram mais cedo, considerando o tempo no trânsito num domingo à noite, e a chuva que ameaçava cair.
O céu escureceu, as nuvens se solidificaram e a ameaça se concretizou. Reduziu a velocidade, ligou o farol de neblina e se assegurou que o cinto de segurança de Ana, que dormia, estava bem preso. Seguiu viagem.
Dirigia a 90km/hora, o limite recomendável em caso de chuva. Estava na pista da esquerda, ultrapassando um caminhão, quando do meio da nuvem surgiu um carro com luz de xenon, colando em sua traseira. Impaciente, João sinalizou que ia mudar de faixa e acelerou. Entrou na frente do caminhão, sem ver na escuridão a outra carreta que tinha os faróis queimados. A última coisa que se lembra é o barulho das buzinas e o reflexo dos faróis nos espelhos do seu carro estilhaçado.
Depois do acidente, Ana não acordou. Hoje, João vive com o peso da saudade e da culpa. Da desgraça, conseguiu tirar uma lição: agora, não vê sentido em fazer planos e traçar estratégias. Sabe que, apesar do conforto que isso proporciona, não é seguro. Não existe garantia de que a vida vai seguir seu planejamento, por mais bem feito que ele seja. E sabe que tudo pode mudar a qualquer minuto.
Com uma história triste, João aprendeu a ser espontâneo. Ainda pensa no futuro, mas sem definir estratégias e metas. Vive cada dia de uma vez e continua sonhando com o dia em que vai poder segurar Ana novamente em seus braços.
Já no ginásio sabia o vestibular que ia prestar. No colegial pensava no primeiro emprego. Na faculdade já começou a ensaiar os primeiros passos para ser gerente. E daí pra cima – o céu é o limite.
João era um sonhador. Na segunda-feira já combinava os programas do final de semana. Um ano antes de sair de férias, já sabia até o hotel onde se hospedaria. Planejava o máximo para não ter que lidar com imprevistos.
Até a esposa João escolheu dessa maneira. Planejou, avaliou riscos, considerou todas as possíveis interferências e pediu sua mão em casamento. Essa foi a primeira noiva da história que teve 100% de apoio do marido, e não se estressou com os preparativos da festa.
No começo, Ana estranhava um pouco a racionalidade de João, mas aprendeu a lidar com isso. Esse estilo de vida proporcionava uma segurança que até então ela não conhecia, e acabou se apaixonando pelo método do marido.
A vida do João era um MS Project. Tinha planilha para tudo, da lista do supermercado até a escola dos filhos que sonhava em ter.
Sempre planejou o próximo passo, até aquela noite voltando do sítio em Itu, recém comprado. Chovia, mas João era um homem prudente. Era aniversário do chefe e ele tinha que voltar para São Paulo a tempo para o jantar. Saíram mais cedo, considerando o tempo no trânsito num domingo à noite, e a chuva que ameaçava cair.
O céu escureceu, as nuvens se solidificaram e a ameaça se concretizou. Reduziu a velocidade, ligou o farol de neblina e se assegurou que o cinto de segurança de Ana, que dormia, estava bem preso. Seguiu viagem.
Dirigia a 90km/hora, o limite recomendável em caso de chuva. Estava na pista da esquerda, ultrapassando um caminhão, quando do meio da nuvem surgiu um carro com luz de xenon, colando em sua traseira. Impaciente, João sinalizou que ia mudar de faixa e acelerou. Entrou na frente do caminhão, sem ver na escuridão a outra carreta que tinha os faróis queimados. A última coisa que se lembra é o barulho das buzinas e o reflexo dos faróis nos espelhos do seu carro estilhaçado.
Depois do acidente, Ana não acordou. Hoje, João vive com o peso da saudade e da culpa. Da desgraça, conseguiu tirar uma lição: agora, não vê sentido em fazer planos e traçar estratégias. Sabe que, apesar do conforto que isso proporciona, não é seguro. Não existe garantia de que a vida vai seguir seu planejamento, por mais bem feito que ele seja. E sabe que tudo pode mudar a qualquer minuto.
Com uma história triste, João aprendeu a ser espontâneo. Ainda pensa no futuro, mas sem definir estratégias e metas. Vive cada dia de uma vez e continua sonhando com o dia em que vai poder segurar Ana novamente em seus braços.
