Quinta-feira, Agosto 23, 2007

Lei de quem?

Antes de começar o post, é importante comentar que eu sou virginiana. Para quem não sabe nada de astrologia, virginianos são organizados, críticos, racionais, certinhos, caretas. E raramente obedecem a impulsos. Pelo menos eu.

Vamos à história.

Hoje era o grande dia D: o dia em que ele chegava. Passei a semana ansiosa, pensando no momento do reencontro. Como o vôo dele chegava no fim da tarde e eu trabalho longe pra dedéu, já tínhamos combinado que ele iria tomar um táxi para o hotel.

Mas hoje acordei inspirada. Passei o dia rindo à toa, falando alto e segurando ímpetos de sair pela empresa sapateando. Na hora do almoço resolvi que tinha que ir no aeroporto busca-lo. Pô, tive o momento triste da despedida, mereço também o feliz do reencontro!! Ainda mais fazendo uma surpresa pra quem esperava pegar um gelado motorista Guarucopp.

Esperei o melhor momento para abordar meu chefe, abri o jogo e pedi pra sair mais cedo. A resposta:

- Claro que pode, é por um bom motivo!

Dez pontos para o chefe.

Toda hora entrava no site da Infraero para checar o horário do vôo, previsto para chegar Às 17h. Qual não foi minha surpresa às 16h ao ver que o maldito estava adiantado??? Dizia lá no site, 16h35.

Com toda essa crise aérea e vôos atrasados no país inteiro, o único vôo que eu precisava que atrasasse estava ADIANTADO??

Peguei minha bolsa, expliquei a situação pro compreensivo chefe e saí correndo. Fui a 130km por hora na Anchieta, tentando fazer o milagre de checar em Guarulhos às 17h30 – tempo que eu imaginava ser suficiente até imigração, bagagens, etc.

Meu iPod estava no shuffle, e de repente entrou a música do Chiclete, mais própria impossível:

“Eu vou voar atrás desse amor!”

Pisando fundo, segui meu caminho. Às 16h50 resolvi ligar no celular dele para ver se ainda estava desligado e se aquilo não passava de uma pegadinha. Ele atendeu, todo feliz:

- Já estou passando a imigração! O vôo chegou mais cedo, acredita? E o avião tava vazio, vim sentado em 3 cadeiras e não tem quase ninguém na minha frente!!!

Tentando fortemente ignorar a alegria dele e ainda mais reprimir a minha raiva, ao invés de virar na rua que me levaria à Guarulhos, segui reto em direção a minha casa.
A partir de agora opto por ignorar totalmente a Lei de Murphy. Ele não pode controlar a minha vida dessa maneira.
Murphy?? Que Murphy??

Terça-feira, Agosto 21, 2007

O mistério de Paulo Paraíso

Eu tinha lá meus 7 anos, e uma melhor amiga que morava do lado de casa, a Rafa. Eu vivia na casa dela, e ela na minha. Um belo dia, ela ganhou um peixe. Ele era azul, grande, lindo, cintilante. O peixe mais bonito que eu já tinha visto. Foi batizado de Paulo Paraíso.

Como memória de criança não é lá essas coisas, não me lembro bem quando ele morreu. Sei que um dia apareceu boiando de barriga pra cima.

E eu estava lá nesse dia fatídico. E podia jurar que vi a língua dele pendurada pra fora no canto da boca e os olhos fechados com um X. Suas escamas não brilhavam mais como antes, e de sua boca não saíam mais bolhinhas.

A Rafa se esgoelava, desesperada por ter perdido seu fiel companheiro. E eu só observava uma situação completamente nova para mim. Sentia uma certa angústia pela perda da minha amiga, mas também estava intrigada com a morte.

Tocada pelo sofrimento da filha, a tia Márcia resolveu fazer um funeral digno the Six Feet Under. O corpo escamoso do PP foi embalado em plástico e colocado dentro do melhor caixão que pudemos encontrar: uma caixinha de fósforo.

Cavamos um buraco no jardim, enterramos a caixinha e a tia Márcia falou umas palavras bonitas sobre como o Paulo Paraíso estava no céu dos peixes. Achei bonito aquilo, e fiquei imaginando peixes nadando no ar, no meio das nuvens.

Anos depois, quando nossa inocência infantil já estava praticamente esgotada, relembramos essa história. Rindo, tivemos uma idéia macabra: reabrir o buraco para ver como estava o Paulo.

Acho que o culpado desse nosso impulso era nosso professor de biologia na época, o Luiz Roberto. Só quem teve aulas com ele sabe de como esse homem é capaz de atormentar a vida dos alunos mesmo fora do colégio e tirar pessoas do sério.

Enfim, munidas de uma pá de jardinagem, começamos a cavar. Não demorou muito para encontrarmos a caixinha de fósforo. Receosas, e com um certo nojo, retiramos o caixão da terra e abrimos. Mal piscávamos. Só era possível ouvir o barulho dos nossos corações (na época, acho que o meu ainda não era arrítmico).

E eis que dentro do saquinho plástico, encontramos... NADA! Completamente vazio.

Nunca conseguimos entender aquilo. Talvez peixes de aquário não tenham espinhos. Talvez a tia Márcia tenha feito a exumação naquela mesma noite e jogado o Paulo pela privada. Talvez o gato do vizinho tenha chegado antes de nós.

Somos amigas até hoje, e acho que nunca vamos saber o que realmente aconteceu. E esse é o mistério do Paulo Paraíso.

Quarta-feira, Agosto 15, 2007

O vôo

E então ela foi visitar o filho, que está morando há 3 anos em Paris. Eles se vêem com freqüência, mas tudo é desculpa para mais uma visita à cidade-luz.

Ficou lá uma semana incrível. Mas incrível mesmo, foi a viagem de volta.

Foi para o aeroporto, fez check-in e foi para a sala vip esperar seu vôo. Antes de iniciar o embarque dos mortais, se dirigiu ao portão e se acomodou na sua maravilhosa cadeira mega máster plus.

Do outro lado do corredor, sentou-se um homem grisalho. Se cumprimentaram, em inglês, mas não conversaram muito. Ele simplesmente recomendou um filme que tinha assistido na ida, mas ela pegou no sono antes da estória engrenar.

No outro dia de manhã, já sobrevoando o território nacional (pelo que apontava o aviãozinho sob o mapa na tela), começaram a conversar.

Logo se apresentaram, e falaram sobre os motivos da viagem. Típica conversa de avião. Ele era um francês expatriado que trabalhava no Brasil, e ela era uma brasileira visitando o filho em Paris. Não demorou muito para ele descobrir que ela falava francês. Muito bem, por sinal.

Engrenaram uma conversa agradável, a salvação para um vôo longo como aquele. Entre pãezinhos, queijos e cafés, ele estendeu o braço e entregou seu business card.

Sorrindo, ela olhou para o nome do cartão e logo reconheceu o logo da empresa.

- Hmm, você trabalha lá? Tenho uma sobrinha que trabalha lá também.
- É mesmo?
- Sim, no departamento de RP.
- Ela não é a mc, é??

E então começaram a falar sobre a sobrinha. Obviamente ele só fez comentários positivos, como não podia deixar de ser nessa situação. Falaram sobre seu desempenho profissional, e até sobre seu futuro. E então, ainda não se sabe exatamente porquê, ele perguntou:

- Ela é rich??

Ao que a tia respondeu:
- Trés rich!!!

Agora me fala: de todos os dias, horários, companhias aéreas e classes possíveis num avião, ela tinha que ter caído justamente do lado do meu diretor?? E ainda por cima sem o menor controle na língua??

Ok que coincidências existem, mas isso aí já é sacanagem.

Talvez eu precise de um novo emprego em breve. Já vou deixar o CV atualizado e mando para vocês me ajudarem...