Sexta-feira, Julho 27, 2007

Férias

Férias são as melhores coisas que podem acontecer na vida de uma pessoa que trabalha pelo menos 5 vezes por semana das 8h20 às 17h30 - e nem sempre sai às 17h30.
Ok, eu tô de férias e elas são mais que merecidas, ok??
Estou formada há quatro anos, então esse é o terceiro que tenho direito de tirar os 30 dias de férias.
Em 2005, fui para a Europa. Espanha e Itália.
Em 2006, fiz uma viagem triangular: São Paulo - Nova York, NY-Amsterdam.
Já sei o que estão pensando, que eu levo uma vida boa e tal. Nada disso. Viajar para mim é um grande prazer, praticamente o motivo pelo qual eu existo. Então, junto todo meu dinheiro e gasto com o que me faz feliz.
Aposto que estão curiosos para saber o que está acontecendo em 2007! Por onde será que ela anda, aonde foi se meter dessa vez??
Bem, como a grana estava curta, trouxe à tona meu lado mais mercenário, e vendi minhas férias. Vendi 10 preciosos dias, com muita dor no coração. Afinal, não se pode ter tudo.
Depois dessas experiências, tive que mudar meu estilo. Então, esse ano, minha viagem está sendo diferente de tudo que já fiz. Uma novidade total e absoluta. Talvez estranha, mas especial.
Depois que acabar, espero poder compartilhar com vocês as maravilhas de São José dos Campos.
Agora podem rir. Mas pelo menos saibam que estou mesmo me divertindo!

Quarta-feira, Julho 18, 2007

Pelo amor dos meus filhinhos

Muito já se falou de nomes, digamos, diferentes, por esses blogs amigos linkados aí do lado. É um assunto que sempre rende, não importa em que roda, em que situação. Todo mundo conhece alguém que tem um nome especial.

Hoje, faço uma seleção dos nomes dos atletas dos jogos Panamericanos 2007. Como me renderam boas risadas, resolvi compartilhar. Mas vejam bem, estamos falando de nomes e sobrenomes brasileiros. Se fosse considerar outros países aqui não ia ter espaço no blog...

Bernardo Low-Beer – ou seja, cerveja!
Modalidade: Vela

Pedro Tinoco – dupla sertaneja 2 em 1
Modalidade: Vela

Sarah de Oliveira Nikitin – parece nome de adesivo anti-tabaco!
Modalidade: Tiro com arco

Wilson Zocolote Jr. – parece uma biba falando “chocolate”
Modalidade: Tiro

Rodrigo Castro Artilheiro – esse já nasceu com posição definida
Modalidade: Luta

Carol de Lazzer – já sabemos a que veio ao mundo
Modalidade: Luta

Danielle Zangrando – tadinho...
Modalidade: Judô

Serguei Fofanoff – meu preferido!
Modalidade: Hipismo

Chana Franciela Masson – essa mãe não teve dó
Modalidade: Handebol

Natalia Peixinho Sanchez – club club
Modalidade: Ginástica rítmica

Khiuani Luana Dias – hein?
Modalidade: Ginástica artística

Athos Marangon Schwantes – oi?
Modalidade: Esgrima

Patrício Runnacles – parece nome de cereal matinal americano
Modalidade: Esgrima

Clemilda Fernandes Silva – não seria um erro de digitação?
Modalidade: Ciclismo

Uênia Fernandes de Souza – Uênia? Really?
Modalidade: Ciclismo

Dáfani de Figueiredo – mais um erro de digitação?
Modalidade: Caratê

Givago Bittencout Ribeiro – os pais eram fãs da literatura russa
Modalidade: Canoagem

Rogério Nogueira (Minotouro) – detalhe para o apelido
Modalidade: Boxe

Valéria Kumizaki
Modalidade: Caratê

Nivalter Santos de Jesus
Modalidade: Canoagem

Glaucélio Serrão Abreu
Modalidade: Boxe

Rhaoni Petroli Ruckheim
Modalidade: Esgrima

Robenilson Vieira de Jesus
Modalidade: Boxe

Rafael Motooka de Oliveira
Modalidade: Beisebol


Ok, faltam poucos dias para as férias, mas eu já entrei com tudo no clima da inutilidade...

Segunda-feira, Julho 16, 2007

Momentos de tensão

Lembro que quando eu tinha 16 anos, o tema mais presente na minha vida era o vestibular. Só se falava nisso na escola, na aula particular, em casa, com os meus amigos, com os amigos dos meus pais e etc. E um dia algum professor falou na escola que o ranking de faculdades da Playboy era o mais confiável de todos.

Naquele dia à tarde fiquei meia hora na frente da banca de jornais só ensaiando... Fingindo que procurava outra coisa, revirando revistas bestas como Meu Astral e Tititi até tomar coragem. Lembro até hoje a capa da revista, com a Cindy Crawford. Comprei várias outras revistas para poder justificar tanto tempo na banca e também para camuflar a “proibida” no saquinho plástico.

Ok, mas então eu era apenas uma menina, nada mais natural que ter um pouco de vergonha.

Alguns anos se passaram e mais uma vez me senti como naquela tarde ensolarada no interior. Tensa.

Estava atrasada para um compromisso, mas me pediram para antes passar numa farmácia e comprar preservativos. Confesso que esse não é meu item favorito para comprar, prefiro um bom sapato. Ou, sei lá, um pão de queijo.

Não me entendam mal, compro camisinha no supermercado numa boa – misturo o saquinho no meio de todas as compras e a vergonha é diluída naquele mundaréu de pacotinhos.

Mas na farmácia é diferente. Ainda mais nessa ocasião, já que ia lá para comprar única e exclusivamente isso.

Resolvi não ir na farmácia de sempre, onde já sou conhecida. Dei uma volta no bairro de carro e não achei nenhuma outra aberta. E então lembrei de outra que ficava um pouquinho mais longe, mas que não me daria tanta vergonha.

Entrei com coragem, e lembrei que precisava de um Feldene. Ótimo, melhor chegar no caixa com outras coisas na mão. Peguei a cestinha no balcão e perguntei, firmemente:

- Onde estão os preservativos?
- No caixa, senhora.

Grrrr. Senhora. Ok, desencana, ele só queria ser educado. Vamos em frente. Andei até o caixa e olhei aquela parede imensa cheia de camisinha. Notei que a marca que me havia sido solicitada não estava ali. Voltei para o balcão.

- Só tem aquelas lá?
- Só.
- Ok, não vou levar nada. Nem o Feldene. Tchau, obrigada.

Já estava quase na porta quando ele gritou:

- Qual a senhora queria?

Sem pensar muito, gritei o nome da marca, fiquei vermelha, me arrependi e comecei a andar em direção ao carro. Enquanto apertava o botãozinho do alarme vi o Murilo Rosa passar do meu lado. “Será que ele ouviu?” Ok, sem dúvida o Murilo Rosa também compra camisinha. Desapego, mulher, desapego!

Finalmente cheguei a conclusão que devia ir à minha farmácia, que apesar de chatinha é bem boa. Entrei meio correndo, porque já estava atrasada. Fui ao balcão, peguei o Feldene, e comecei a andar olhando as prateleiras em busca das camisinhas. Seguindo a lógica da última farmácia, fui até o caixa, mas para minha surpresa não estavam lá. Tive que perguntar para a mocinha, quase sussurrando. E a infeliz me grita pra colega:

- Ô Marta, mostra pra ela onde estão os PRE-SER-VA-TI-VOS?

Cruzes! Se eu quisesse divulgar ao mundo, teria gritado eu mesma, pelo menos poderia sentir o alívio pós-grito. Só Deus sabe o quanto eu queria gritar naquele momento.

A Marta me levou até o local, olhei para ela e agradeci gentilmente. E não é que ela ficou ali, plantada do meu lado esperando eu escolher? Por um minuto achei que ela ia soltar um comentário tipo:

- Essa aqui é a melhor, viu, quase não dá pra sentir!

Ou então:
- Se for o caso, temos essa ExtraLarge que é ótima!

Ou pior:
- Essa tem sabor de morango! Hmmm!!

Saí de lá correndo antes que ela pudesse pensar em falar qualquer coisa.

Levava comigo mais pacotinhos do que o que me fora pedido. Acho que foi reflexo. Antes comprar a mais e fazer um estoque do que ter que passar por isso de novo tão cedo
.

Sexta-feira, Julho 13, 2007

Lições publicitárias na primeira idade

Eu me lembro bem da primeira vez que me declarei para um garoto.

Era 1988, 2ª série do ensino fundamental (ai xisuis, nunca consegui aprender direito as mudanças desse negócio!). Eu estava no auge dos meus 7 anos de idade (entrei um ano antes na escola), tinha alguns dentes de leite sendo trocados e a energia de uma bezerra (minha mãe sempre disse que eu bebia leite como uma bezerra). Usava shorts de lycra coloridos, camiseta do uniforme do colégio e alpargatas com meias de bichinhos.

Suspirava por ele desde o primeiro dia de aula. Moreno, magricelo, olhos esbugalhados e o cabelo arrepiado. Marcelinho era a sensação da Segundona. Arrancava suspiros também das meninas do Primeiro, mas elas ainda eram muito imaturas para relacionamentos.

Já, eu, não. Estava mais do que pronta. Sabia que ele seria um ótimo namorado, e passava minhas tardes brincando de desenhar nossos nomes, seguindo uma lógica absurda para calcular a quantas andava nossa “relação” naquela semana.

Tinha certeza que o Marcelinho era perfeito para mim, e eu para ele. Mas ele nunca fazia nada a respeito. Como eu sabia que ele era um rapaz tímido, já naquele momento resolvi colocar em prática todo meu poder de atitude.

Chamei uma amiga de lado e contei todos os meus mais profundos segredos e desejos. Confiei nela, um pouco mais experiente do que eu – que entrei prematuramente no colégio.

Eu e a Mari ficamos matutando um tempão sobre como seria a melhor abordagem para chegar no Marcelinho. Ok, naquela época eu nem sabia o que era abordagem, mas achei que soaria menos arrogante do que “approach”.

A Mari achou que seria legal se ela mesma se encarregasse de levar um recado. Sugeriu que eu escrevesse um bilhetinho e prometeu entregar com toda descrição que cabe a uma menina de 8 anos.

Naquela noite, em casa, eu sentei no meu quarto e fiz o desenho mais bonito e mais cheio de significado que minha imaginação me permitiu criar: um caminhão cheio de beijos. Ainda escrevi algumas coisas bonitas em volta, só para terminar de enfeitar.

Mal dormi à noite. Só pensava em como o Marcelinho responderia à minha declaração. Quando acordei escolhi uma camiseta vermelha bem bonita, simbolizando a paixão que eu sentia por ele.

Antes do intervalo, deixei o bilhetinho com a Mari. Ela até deu uma olhada antes (tipo para aprovar o layout) e disse que estava lindo. E lá foi ela, em direção ao pátio de eucaliptos, para cumprir sua missão.

Enquanto isso, sentei na muretinha em frente a classe, e fiquei observando tudo de longe até onde o olhar alcançava, com o coraçãozinho a milhão (N.A.: até onde se sabe, naquela época eu ainda não sofria de arritmia).

Depois de um tempo, a Mari voltou com um passo acelerado, intercalado com uns pulinhos. Parecia o skip, que a gente tinha aprendido no balé um ano antes. Como o skip é um passo alegre, subentendi que ela trazia boas notícias.

Ela parou na minha frente e estendeu o braço. Trazia outro bilhete. Ansiosa, arranquei o papelzinho da mão dela, respirei fundo e abri.

Esperava ver mais desenhos vermelhos. Corações, talvez. Ou flores. Mas qual não foi minha surpresa a ver o papel todo pintado de verde. Verde??? Peraí! Forcei bem a vista, dei umas três piscadas para lubrificar as córneas e só então eu entendi. Meu objeto de desejo também tinha feito um desenho. Até caprichado, por sinal.

Mas no lugar da minha carreta cheia de beijos, ele desenhou milhares de sapinhos. Sapos! E foi então que eu aprendi que uma imagem diz mais do que mil palavras.

Terça-feira, Julho 10, 2007

Overseas

Mesmo antes do fenômeno da globalização tomar força e se espalhar pelo mundo afora, eu já dava meus passinhos no tema. Tive contato com pessoas de outros países desde a época em que receber cartas era o must. Ainda acho o máximo, mas convenhamos que a facilidade do e-mail é tentadora e, se temos uma mensagem para enviar, não há nada mais eficiente.

O fato é que desde que me conheço por gente eu sempre tenho estrangeiros por perto. Recebo visitas de amigos de fora, e tenho que levar pra passear. Depois vêm colegas de trabalho de outros países, e toca mc lá de novo. Tipo assim, uma "gringo magnet".

Quando meus amigos locais estão recebendo um visitante, sempre me ligam. Alguns pedem dicas de programas, outros querem que eu vá junto mesmo. Para mim, é um prazer.

Não importa a idade, o sexo, a nacionalidade. O fato é que eu adoro gringos. Adoro ouvir as estórias, experiências, causos, as impressões do nosso país... Adoro. Aprendo pra caramba, dou risada, me surpreendo. É uma maneira de abrir um pouco a fresta da porta e espiar o que há do outro lado, mesmo sem sair de casa.

Nada melhor do que viajar para expandir os horizontes, mas, quando não é possível, um bom papo pode proporcionar coisas incríveis.

Dia desses, por acaso eu conheci um grupo de pessoas dos mais diferentes lugares. Me aproximei para conversar (atraída por uma amiga com o convincente argumento “vem, eles são gringos e gatos!”), me interessei e nunca mais consegui ficar longe. Porque sintonia e afinidade não precisam de idioma. Porque quase sempre isso acontece quando você menos espera. Porque para mim é inconcebível ver uma perspectiva de felicidade e não seguir em frente por medo, qualquer que seja ele.

Medo a gente sente mesmo, mas não deixa isso estragar algo tão bom. Dá medo de se envolver até o pescoço e depois ficar sufocando de saudades. De se entregar e acabar se machucando. Mas, pensando bem, esse medo a gente sente quase sempre que conhece alguém novo, independente da nacionalidade, raça, credo, classe social.

Como tudo na vida, um relacionamento com prazo de validade tem dois lados. O lado bom é que não existem cobranças, somente a vontade de se aproveitar o tempo que têm juntos. O lado ruim é a certeza de que, depois que acabar, vai deixar um vazio bem grande.

Mas globalização é crescimento. Desenvolvimento. Evolução. Não que eu precisasse de mais um motivo para seguir em frente, mas quem sou eu para ir contra isso tudo?