Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

Apresentando... Jorge Drexler

Quien quiera que seas

No hay nada tuyo que no quiera ver yo.
No tengo tan claro que te conozca.

Intuyo, apenas, algo acerca de ti
y todo lo demás está en la sombra

Te miro y pienso,
te miro y me digo:
“quien quiera que seas,
¿de dónde has salido?”

Lo quiero todo, y tengo muy claro que no
te voy a entender más que en parte.

Me importa mucho más
verte vibrar, así, que descifrarte

Te veo y quiero que tu me veas
quien quiera que seas
quien quiera que seas.

Tan poco tuyo que ahora soy yo
y nunca fui tan de nadie...

Quarta-feira, Janeiro 24, 2007

Jurema

Jurema era uma figura constante numa época da minha vida. Quando eu era criança, ainda morava em Piracicaba, onde o céu é maior que o de São Paulo, onde as cigarras se esgoelam no verão e onde se encontram vários tipos de bichos (domésticos ou não tanto).

Jurema era uma lagartixa. Grande, com veias pulsantes que se mostravam através da pele clara.

Jurema não era minha amiga. Era minha inimiga mortal. Mas, por algum motivo, ela gostava do meu quarto. E toda vez que ela decidia passar a noite lá, eu era obrigada a dormir na sala.

A imagem dela caindo na minha cabeça durante a noite me impedia de pregar o olho. Por algumas vezes tentei meditar e ignorar sua presença, mas ela era grande demais (e tinha veias demais) para me deixar esquecer.

Às vezes nós brincávamos de pega-pega. Quando ela entrava no quarto, eu pegava uma arara de madeira que decorava o quarto do meu irmão para tentar expulsá-la de lá. Tac, tac, tac. Corre daqui, corre dali, mas ela não saía de jeito nenhum.

Ok, essa luta ela quase sempre ganhava. E toca mc pro sofá.

Algumas vezes, enquanto eu forçadamente repousava no sossego da sala, livre de animais peçonhentos (ok, lagartixa não é peçonhento, mas eu adoro essa palavra), via que ela aparecia ali também. Tipo uma perseguição. Uma tentativa de me enlouquecer. Ou talvez ela fosse simplesmente uma lagartixa solitária.

É por isso que hoje moro num bairro lagartixas-free.

Nada pessoal, Jurema. Você era especial. Quantas lagartixas podem dizer que têm um post exclusivo??

Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

Causo molhado

Com a nova meta na academia, meu guarda roupas começou a implorar para substituir as peças esgarçadas por novas. Mesmo com a atual situação financeira razoavelmente comprometida, decidi ir à uma ponta de estoque perto do trabalho.

De cara, trânsito. Tudo parado. Mas eu estava decidida e o retorno estava tão longe quanto à saída para a loja. Não é longe do trabalho, mas o acesso é um pouco complicado.

Enfim, cheguei. Parei o carro, desci, andei em direção a loja. Fechada. Para balanço. A plaquinha dizia “Fechado para Fechamento Mensal”. Numa quinta-feira. Dia 18. Fiquei mordida.

Já que estava lá, resolvi almoçar num quilo meia boca que tem do lado. Beeem meia boca. Mas ok, pelo menos é diferente do bandeijão que eu sou obrigada a comer todos os dias.

E não é que na hora de ir embora caiu a maior chuva? E eu de camisa branca... Esperei passar, remoendo os acontecimentos do dia.

Passou, peguei o carro e voltei voando para o trabalho. Estacionei, desci e andei em direção ao semáforo de pedrestres. Enquanto esperava o homenzinho ficar verde, um caminhão(ZÃO) parou logo atrás de mim. Com a inclinação da rua, toda a água da chuva que tinha caído há 10 minutos despejou como um chuveiro de sauna. Era água pra todo lado. Em mim, óbvio.

Olhei pro caminhoneiro indignada e ele disse: “Quer uma toalha?” Que pessoa atenciosa, não? “Não, não quero uma toalha, obrigada”.

Atravessei a rua e comecei a andar pela calçada em direção à entrada. São 400 metros de calçada. Eu andava bem no cantinho, grudada na cerca, para não levar mais água na cara.

Óbvio que passou um babaca mirando na poça, que obviamente terminou de molhar onde ainda estava seco.

Quer saber? Acho que vou precisar daquela toalha...

Sexta-feira, Janeiro 12, 2007

Desculpa qualquer coisa

Sempre fico incomodada quando as pessoas falam “desculpa qualquer coisa” quando se despedem de alguém.

Sim, quando se despedem, porque raramente ouvimos isso no meio de uma conversa. Normalmente essa pérola aparece depois do “beijo, tchau” e entre o “a gente se fala”.

Tenho certeza que você já deve ter ouvido isso também. E se foi você quem falou, aprenda que é feio e não fale nunca mais. Só mostra que você tem baixa auto-estima e que se envergonha dos seus atos. Como se fosse uma pessoa descontrolada, abusada e inconveniente. E se você realmente fosse assim, não devia sair em público. Melhor ficar em casa do que andar por aí sendo folgado pra depois ter que se desculpar com todo mundo.

Uma pessoa autêntica não tem essa necessidade de pedir perdão. “É, acabei com toda a comida da sua geladeira mesmo”. E aí, vai encarar?

O “desculpa qualquer coisa” pode parecer humilde, mas não é. E também não é gentil. No meu entender, beira o ridículo e arruína a tentativa de ser elegante.

É ridículo por que não se trata de uma afirmação específica, tipo “desculpe-me por ter quebrado seu jogo de taças de cristal”. É uma afirmação vaga, abrangente, vazia, mascarada e carregada de insegurança.

Uma pessoa que fala isso desconfia que fez algo errado, mas sequer sabe o quê. Se for um hóspede na sua casa, é bem provável que tenha mesmo razões para se desculpar. Mas, se ele realmente for falar isso, que ao menos esteja ciente do motivo. Isso sim é educação.

Seja forte, mas não se desculpe por “qualquer coisa”. E também não aceite que digam para você. Da próxima vez que ouvir isso, pergunte: “mas pelo quê exatamente você está se desculpando?”. Se a pessoa não reagir, insista: “é por ter interferido na rotina da família, por ter acabado com o estoque da despensa ou por ter desalojado meu filho do quarto?”.

Com isso, você garante que ele nunca mais repita tal desacato. Ou, pelo menos, que nunca mais peça pra ficar na sua casa...

Terça-feira, Janeiro 09, 2007

The Uncle Ben’s Theory

Dia desses conversando com um amigo, bolamos uma nova expressão para definir um tipo muito característico na vida dos solteiros. A Pessoa Arroz.

A Pessoa Arroz nada mais é do que aquela pessoa que você sai de vez em quando, mas que não é assim nenhuma Brastemp. Não te deixa com frio na barriga, não te completa, não atende suas hiper ultra mega plus delux expectativas. Definitivamente não é o amor da sua vida. Mas, ao mesmo tempo, é uma pessoa agradável, divertida, inteligente, boa ouvinte ou qualquer outra coisa que você ache bacana.

Não menospreze a importância da Pessoa Arroz. Elas são extremamente necessárias, por alguns motivos.

1) Porque ficar sozinho por muito tempo não é lá muito legal;

2) Porque nem todo mundo que você conhece é sua alma gêmea, a tampa da sua panela, a metade da sua laranja;

3) Porque a Pessoa Arroz é super flexível e versátil, e encaixa em praticamente todas as situações. Um verdadeiro companheiro.

4) Porque se você tem uma Pessoa Arroz, você tem grandes chances de ser também a Pessoa Arroz dela e aí ninguém fica sofrendo.

A função mais importante da Pessoa Arroz é que ela tem o poder de tornar as pessoas marcantes da sua vida realmente especiais. Até porquê é impossível você só encontrar pessoas especiais na vida. Daquelas que te deixam de pernas pro ar, que viram seu mundo de cabeça pra baixo, que tiram sua fome, sono e capacidade de pensar em outra coisa. Se você só conhecesse gente assim, pirava. Então a Pessoa Arroz entra como um codjuvante, intermediando esse processo da procura das pessoas especiais e completando o cenário. Indo mais longe, a Pessoa Arroz pode até te ensinar uma coisa ou outra e te preparar para encontrar a pessoa especial.

Vou tentar exemplificar na prática, com comida. Por exemplo, o arroz (santa originalidade).

Arroz é aquele prato meio sem sabor, mas que acompanha. E a gente come quase todo dia. Já faz parte das nossas vidas.

O arroz pode ser fresquinho, ou requentado.
Bem temperado, soltinho ou mais papa.
Pode ser branco, puro, ou misturado com ovo, carne seca, legumes, frango, lingüiça, peixe. Tipo arroz biro-biro. Ou paella.

Pode ser com ou sem sal.

Tem o arroz integral também, que pode ser a versão badauê dos arrozes.

Tem o arroz de forno, o arroz doce e o bolinho de arroz, feito com as sobras do dia anterior.

Algumas vezes você precisa deixar o arroz esfriar. Outras vezes manda gelado mesmo. Depende da fome.

Tem dia que o arroz está tão elaborado que praticamente vira o prato principal. Aquele arroz meio sem-graça, que você comia todo dia, acaba virando um risoto elaborado, feito com arroz arbóreo e vinho branco. É meio difícil de acontecer, mas nada é impossível...

O problema é que, você que se acha uma Pessoa Filet Mignon ao Rôti, pode acabar vendo passar na sua frente uma maravilhosa Pessoa Feijoada Completa, ou então uma Pessoa Fettucini de Pupunha com Camarão Glaceado. Uma combinação meio nada a ver, mas que não deixa de dar água na boca...

Pois é, não sei se você já ouviu dizer por aí, mas a carne é fraca.

Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

Let’s get physical!!

Vivo mudando de esporte. Digamos que não seja uma pessoa assim, muito constante. Quando começo uma coisa nova, fico viciada, não consigo faltar e só penso nisso. Já escrevi aqui sobre quando comecei a yoga e a corrida.

Bom, o plano da yoga venceu e eu resolvi priorizar a corrida. Aí minha equipe sofreu algumas mudanças, que só adicionaram pontos negativos aos problemas já existentes (distância do parque da minha casa, dificuldade de estacionamento e interferências climáticas no treino). Enfim, deu bode generalizado.

Resolvi voltar para a academia. Mas não qualquer academia, por que sou altamente influenciável e corro sérios riscos de desanimar rápido. Então precisa ser A academia. A melhor. A mais moderna. Que obviamente é A mais cara. Mas também é A mais perto da minha casa. E é A que eu já fiz algumas vezes e A única que conseguiu me segurar por mais tempo.

Hoje acordei decidida. Não só estamos em janeiro, como também é segunda-feira. Dia nacional do peso na consciência. O dia perfeito para fazer a matrícula. O primeiro dia do resto da minha nova vida.

Cheguei bem cedo, antes do trabalho. Sentei na mesinha com a moça, assinei a papelada, ouvi todas as instruções. Vez em quando eu dava uma olhada pela sala de musculação e reconhecia alguns rostos. Alguns, não, vários. A turma que treinava lá religiosamente há 3 anos, continua lá. O professor que me passou o plano quando eu fui pela primeira vez em 2001 ainda está lá. E eles estão ainda mais sarados e saudáveis. E eu ali, meio perdida, com aquela cara de “outsider”, de criança que fica olhando os outros brincando no playground de longe.

Na saída, trombei com um daqueles membros da velha turma. Ele olhou pra mim, sorrindo, e disse:

- Voltou de férias?

E eu:

- Pois é, foi um longo inverno...

Desculpa esfarrapada é pouco. Então é isso aí pessoal. Vamos trabalhar para manter a homeostase.

Vamos aumentar o tamanho e número de mitocôndrias do nosso corpo, ação fundamental na atividade muscular prolongada.

Vamos aumentar o número de capilares nos músculos para melhorar a vascularização.

Vamos acelerar a mobilização das reservas energéticas para aumentar o metabolismo.

Vamos reforçar nossa massa óssea e aumentar o diâmetro dos ossos e cartilagem.

Vamos aumentar o número de glóbulos vermelhos do plasma sanguíneo para facilitar o transporte de nutrientes e oxigênio.

Vamos aumentar o trabalho dos pulmões para criar mais reservas de ventilação.


Parte teórica cumprida. Agora vamos à prática.

Sexta-feira, Janeiro 05, 2007

Hábito

A gente acostuma a tudo nessa vida.

Acostuma a acordar mais cedo.
Acostuma com a diferença da distância quando muda de trabalho.
Acostuma com o barulho de avião voando baixo.
Acostuma com as buzinas dos histéricos na rua.
Acostuma a não ter mais ligação de boa noite.
Acostuma a receber e responder milhões de mensagens de texto por dia.
Acostuma a comer Corpus de chocolate.
Acostuma a ver um seriado que antes não gostava, mas sua irmã te obriga a ver toda segunda-feira.
Acostuma a tomar café com adoçante, refrigerante light, pão integral.
Acostuma a levar 1h30 pra chegar em casa depois do trabalho quando sai na hora.
Acostuma a nunca sair na hora.
Acostuma a tomar chopp quando está estressada.
Acostuma com o café sem graça do trabalho.
Acostuma com o assobio do vizinho de baia.
Acostuma com o telefone viva voz do chefe.
Acostuma a fazer relatório semanal.
Acostuma a almoçar no mesmo horário todo dia.
Acostuma com o mau humor do porteiro.
Acostuma com o travesseiro novo.
Acostuma a tomar coca-light todo dia.
Acostuma a dormir menos.
Acostuma a ler sempre os mesmos sites, blogs, jornais e revistas.
Acostuma a ir ao cinema uma vez por semana.

E da mesma maneira que a gente se acostumou à essa rotina, se acostuma também a mudar tudo e começar de novo.

Ainda bem...

Quarta-feira, Janeiro 03, 2007

E não é que acabou?

Mal vi a virada chegar.

Justo eu, que sempre me preparo tanto para esse momento. Meu dia preferido no ano, mais importante que aniversário. Gosto da energia, gosto das expectativas, gosto do clima. Dane-se que no dia seguinte as coisas podem continuar exatamente iguais (acrescidas de um pouco de dor de cabeça...). Eu gosto e ponto final.

Tinha me preparado direitinho. Lingerie nova, Havaianas vermelhas novas (graças à Vicky, que me deixou com mais uma neurose), saia branca, blusa amarela e minha escova de chocolate que não deixa nem um fiozinho do meu cabelo arrepiar, mesmo com a chuva que insistia em cair a noite inteira!

Mas dessa vez não ouvi contagem regressiva, nem notei quando os fogos começaram. Mal vi, mas 2007 chegou.

A superstição diz que se deve cumprimentar primeiro uma pessoa do sexo oposto. Quem sou eu para ignorar uma superstição? Olhei para a Ni, ela olhou pra mim. “Não posso abraçar ela”. Mesmo sem dizer nada, sei que ela pensava exatamente a mesma coisa (a gente tem dessas coisas, de não precisar falar pra se entender).

Ansiosa, ela olhou pro lado. Lá estava ele, em pé, sozinho, tão perdido quanto nós. Um figurão nacional. Cara importante, conhecido por todos. Todos menos eu. Óbvio que já tinha ouvido falar, sabia muito bem quem era, só que não sabia a cara que tinha. Ela já o conhecia, então sem muito êxito foi cumprimentá-lo. E eu, uma completa estranha de bicão numa festa chique, olhei bem pra cara dele e corri pro abraço!

O que ele pensou de nós, não sei. Principalmente por que imediatamente depois de ter soltado o homem, abracei a Ni e começamos a histericamente comemorar a chegada do ano novo.

Só depois fiquei sabendo quem era ele. Mas, a essa altura, não dava mais nem tempo de sentir vergonha. Até por quê, vai saber, esse primeiro abraço pode acabar pode acabar nos trazendo um pouco de sorte...

Quem viver, verá.