Terça-feira, Novembro 28, 2006

Vida doméstica

Eu odeio lavar louça. Ainda mais na minha casa atual que tem uma pia mega funda que respinga água por todo lado. Impossível passar uma aguinha num prato sem sair de lá parecendo que deu um mergulho. Parece mais um tanque.

O que me dá nojo é ter que colocar a mão na comida. Sentir pedacinhos de carne molhada, grãos de arroz ou molho de tomate grudados. Me dá um arrepio só de pensar.

Me incomodo também com o detergente... ele acaba com o esmalte, deixa a pele seca, esturricada. Tentei o neutro, o de côco... e não adiantou.

Então eu tentei as luvas plásticas... mas a mão fica cheirando esquisito. Pra peruagem, não to nem aí. Falem o que quiser, mas o que me incomoda é o cheiro que fica.

Finalmente a Scotch Brite fez aquele mega lançamento da esponja com um cabinho, que permite que minhas lindas mãos esmaltadas fiquem longe da gororoba. Mas aí ela não é tão eficiente. A não ser que você não se importe em não lavar direito o prato.

Ainda não encontrei uma solução para o problema. Consigo evitar essa situação asquerosa em casa, ignorando a louça suja como se elas tivessem uma capa invisível. Não, não fica uma nojeira. Na minha família existe uma lei para organização na pia:

- pratos grandes do lado esquerdo, todos individualmente molhados para não ficar nem um resto de molho ou gordura grudada na porcelana;
- pratos de sobremesa do lado direito, seguindo o mesmo esquema;
- tupperwares viram grandes depósitos de talheres – cheios de água limpa com detergente (fica até com espuminha);
- potinhos de cereal, canecas, xícaras e copos são colocados na borda da pia, devidamente preenchidos de água (limpa – o conteúdo tem que estar insípido).

E pronto! Não é simples? Aí fica tudo relativamente arrumadinho e mais fácil pra Selma lavar na segunda. Fala aí, super patroa eu, hein?

O problema é quando eu estou na casa dos outros. Aí, infelizmente, a educação fala mais alto e eu tenho que tomar uma atitude. Ofereço ajuda, mas rezo para que me peçam para tirar a mesa, guardar a toalha, varrer a sala...

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Os Sete Pecados Capitais

Sabe que eu fiz esse post há tanto tempo que nem lembro mais onde pesquisei. Estava esperando uma boa oportunidade para postá-lo, e nada melhor que um período de seca criativa absoluta pra isso.

Cada pecado tem uma definição, um sintoma, um sinônimo e algum castigo recomendados pela igreja (isso não foi da minha cabeça, não - tirei de algum site americano que não lembro agora). É meio mórbido, interessante.

Pecado: IRA
Definição: Cólera. Desejo de vingança. Estado emocional desordenado, raiva excessiva.
Sintoma: A ira é um mal em si mesma, por que tira a paz do indivíduo. Leva à impaciência, furor, violência, ódio e agressão verbal ou física.
Castigo: Ser desmembrado vivo.
Em outras palavras: nervosinho

Pecado: PREGUIÇA
Definição: Aversão ao trabalho, indolência. Morosidade, lentidão.
Sintoma: Negação do esforço, comodismo. O preguiçoso faz tudo de qualquer jeito, vive cansado, reclama de falta de tempo e deixa de fazer as coisas alegando que não pode fazê-las direito.
Castigo: Ser jogado numa cova de cobras.
Em outras palavras: vagabundo

Pecado: AVAREZA
Definição: Apego sórdido ao dinheiro.
Sintoma: É a ambição extrema. O ganancioso não mede esforços para atingir seus objetivos. Passa por cima de tudo e de todos para conseguir o que quer, custe o que custar.
Castigo: Ser fervido no óleo
Em outras palavras: interesseiro

Pecado: LUXÚRIA
Definição: Sensualidade. Entregar-se à libertinagem.
Sintoma: Erotização exacerbada e mau uso da sexualidade.
Castigo: Sufocar em enxofre e fogo.
Em outras palavras: Ninfo

Pecado: VAIDADE
Definição:
Desejo imoderado de atrair admiração. Frivolidade, fatuidade, presunção.
Sintoma: O vaidoso busca sempre reconhecimento e faz de tudo para receber elogios. Na maioria das vezes acaba se gabando das coisas que faz e acredita seriamente que é a última bolacha do pacote.
Castigo: Quebrar as duas pernas
Em outras palavras: metido

Pecado: GULA
Definição: Busca de um prazer desordenado na comida e na bebida.
Sintoma: Comer e beber excessivamente.
Castigo: Ser obrigado a comer ratos, sapos e cobras.
Em outras palavras: descontrolado

Pecado: INVEJA (cobiça)
Definição: Desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio.
Sintoma: O invejoso está sempre de olho nos outros, não valoriza seus próprios bens, só sabe criticar e diminuir as pessoas e fala mal daquele que inveja.
Castigo: Ser colocado em água congelada
Em outras palavras: falso

Sexta-feira, Novembro 10, 2006

O Segundo Grande Drama do Ano

Passei um feriado maravilhoso muito bem acompanhada em uma pousada no meio do mato, com o objetivo de desestressar, relaxar, namorar. Ambiente extremamente agradável, comida deliciosa, charme e bom atendimento.

Chegou domingo e a hora de ir embora. Fizemos as malas meio tristes, mas resolvemos ir embora cedo para fugir do trânsito. Enquanto tomávamos calmamente nosso café da manhã com vista para a montanha, um funcionário tratava de levar as malas para o carro.

Saí de lá encantada. Encantada e pobre, porque deixei os TUBOS. Tremia tanto ao fazer o cheque que até deixei a caneta cair. Mas enfim, tinha valido a pena, a gente tinha descansado horrores, comido bem e aproveitado muito.

Íamos pela estrada afora, felizes e contentes, conversando sobre as maravilhas do lugar, quando de repente uma moto emparelha com o carro. Eu olho curiosa, achando que eles queriam alguma informação. A curiosidade acabou no segundo em que vi o calibre 32 apontado para nós. Paramos. Medo. Abri a porta e, num impulso, chutei a bolsa para fora do carro, na tentativa de salvar pelo menos o celular que nos tiraria daquele fim de mundo.

Os momentos seguintes não merecem ser compartilhados. Mas quando dei por mim estava olhando a tal moto sair em disparada, seguida pelo nosso carro.

Sim, eles roubaram o carro.
Sim, todas as malas estavam dentro.
Não, não nos agrediram fisicamente.

Só sobrou a bolsa para contar história. O prejuízo tinha sido grande, e não havia muita esperança de encontrar nada.

E mais uma vez tive que voltar pra casa sem mala para desarrumar, sem roupas para lavar, e isso é muito estranho. Você simplesmente entra em casa e senta, esperando alguma coisa acontecer.

Mas não havia nada a fazer, só deixar o tempo levar para longe essa memória ruim.
O susto foi passando e dando lugar à raiva. A idéia dos ladrões revirando nas minhas roupas me enjoava.

Saímos da cidade mais perigosa do país em busca de um pouco de paz e sossego. E o que encontramos? Mais violência.

Poucos dias depois recebi uma ligação de uma senhora que achou umas “malas chiques” jogadas no meio da estrada na cidade vizinha. Me disseram para desistir, superar, deixar pra lá. Mas eu não conseguiria deixar minhas malas lá sabendo que elas foram encontradas, independente das condições. Eu precisava ir até o fim. Mas por precaução e medo, resolvi não me arriscar. Contratei uma pessoa para ver do que se tratava e resgatar minhas malas.

Depois de um dia inteiro, meu herói voltou, com minhas duas malas nas mãos. Não encontraram as do meu namorado, mas algumas roupas dele estavam na minha mala.

Aliás, só encontrei roupas. Roubaram tudo que tinha algum valor. Acho que só se esqueceram de roubar o carregador do celular e o óculos de sol. Deixaram também os livros. Afinal de contas, ladrão não lê, lê?

Agora sim eu vou poder superar essa história. Não esperamos mais encontrar o carro, muito menos os ladrões. A polícia local, que no início se mostrou tão prestativa (por ser amiguinha da pousada) agora não ajuda mais. Não temos como provar se tinha alguém da pousada envolvido ou não. E, sinceramente, não acho que vale a pena comprar essa briga. O que podia ser recuperado já foi recuperado. Daqui a pouco vamos parar de sentir medo quando alguma moto para do lado do carro. E daqui a pouco isso vai ser só mais uma história, que eu espero que não aconteça com mais ninguém.

Mas para isso não há garantia. O máximo que posso fazer é contar essa história para o maior número de pessoas possível, para servir de alerta.

Isso tudo aconteceu em Piedade. As malas foram encontradas em Ibiúna. Meu herói disse que era um lugar ermo, deserto, e que ele até pensou em desistir no meio do caminho. Mas que a senhora que encontrou as malas não tinha nada de ameaçador e não era uma tentativa da quadrilha me pegar.

Enfim, tomem cuidado. O Ronco do Bugio é ótimo, mas as lembranças já não são tão boas assim.

Quarta-feira, Novembro 01, 2006

A missa

Havia muitos anos que ela tinha deixado de freqüentar a igreja. Foi por alguns anos depois da sua primeira comunhão, sempre acompanhada da família. Abandonou o hábito, mas não abandonou a fé. Continuava com suas crenças, mas um belo dia acordou com vontade de ir à missa.

Levantou, colocou uma saia comprida e uma blusa de gola alta – não queria parecer deslocada, e achou que esse seria o look adequado. Prendeu o cabelo num rabo baixo e ficou com cara de boa moça.

E lá foi ela. Assistiu a missa todinha, tentando se concentrar para acompanhar o coro dos fiéis que vez em quando falavam algumas palavras.

Na hora da comunhão, ela decidiu que queria comungar, mesmo sem ter se confessado antes. “Acho que não tem problema, né?” – pensou.

Levantou calmamente, entrou na fila e foi andando em direção ao altar, olhando para os lados, observando o ambiente e as pessoas.

Parou na frente do padre, que levantou a hóstia e disse:

- O corpo de Cristo.

Ao que ela respondeu:

- Ele está no meio de nós.