Quarta-feira, Setembro 27, 2006

Com quem você pensa que está falando?

Não sei exatamente quando e como aconteceu, mas de uns tempos pra cá, as pessoas deram pra me chamar de senhora.

Sei que sempre aparentei ter mais idade do que tenho.
Sei que tenho cara de brava e isso dá um certo medo em algumas pessoas.
Sei que os fios de cabelo brancos na linha de frente estão se multiplicando na velocidade da luz.
Mas não sei o que mudou tão drasticamente para mudar meu status de tratamento.

Um dia desses, depois de ouvir vários "A senhora quer?...", tive uma reação meio radical com um taxista. Durante toda a viagem ele se referia a mim como senhora. "A senhora prefere qual caminho?" "A senhora quer que ligue o rádio?" "A senhora quer que feche a janela?"
Em um momento entre o pagamento e a saída do carro, me estressei:

- Eu sinceramente não sei o que é que aconteceu para as pessoas começarem a me chamar de senhora ultimamente. Eu tenho VINTE E CINCO anos e sou SOLTEIRA. Só mulheres mais velhas ou casadas devem ser chamadas de senhora.

O homem, encolhido no seu banco, me olhava estarrecido.
- Sinto muito, senhorita. Eu só estava tentando ser educado.

Bom, algum tempo se passou e eu continuei ouvindo o "senhora" com frequência. Resolvi abstrair (namastê, namastê) e não responder. Até o dia de hoje.

Estava novamente num táxi, numa viagem curta e em que eu passei grande parte do tempo ao telefone. Quando cheguei ao meu destino, entreguei o dinheiro e me surpreendi com a resposta:

- Obrigado, senhorita!

E eu, feliz, sorridente e satisfeita:

- Obrigada você por ter me chamado de senhorita. As pessoas ultimamente só me chamam de senhora.
- Eu sei, é que uma vez falei "senhora" pra senhorita e a senhorita ficou brava comigo...

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

Sinal divino

Depois daquela discussão eu estava com o sangue fervendo. Andava pisando duro, rangendo os dentes e franzindo a testa. Qualquer pessoa em sã consciência que cruzasse meu caminho evitaria o mais inocente contato visual.

Desci as escadas do metrô com aquele bafo quente no rosto e sentei. No chão mesmo. A briga passava como um filminho na cabeça, e eu não conseguia pensar em outra coisa.

Foi quando vi a máquina de quitutes.

“Ótimo, um chocolate seria tudo agora. Só o chocolate vai me ajudar nesse momento. Eu quero um chocolate, eu PRECISO de um chocolate”.

Caminhei até a máquina, escolhi o meu valioso chocolate e coloquei a moedinha. A máquina fez um barulho, o espiral começou a girar, meu chocolate se aproximando de mim e... puff. A máquina parou.

Ainda mais p... da vida, indignada, irritada, comecei a estapear a máquina. Nada. Eu queria o chocolate mais do que nunca. Estava determinada e resolvi tentar de outro jeito.

Fui para o lado da inimiga, cruzei meus braços com força e comecei a jogar meu corpo contra ela. Porrada mesmo, daquelas que você vê em show de rock na TV.

Depois de uns três empurrões, ouvi um barulho de pacote caindo. Com um sorrisinho maligno me achando a imbatível, voltei para a frente da máquina para pegar meu chocolate.

Mas o que caiu, na verdade, foi uma caixinha de suco.

É ou não é um sinal de Deus para se começar um regime??

Quarta-feira, Setembro 06, 2006

O show

Como sempre, houve um atraso básico. Bom, o único show que eu vi começar na hora foi o do Jack Johnson, o que deixou todo mundo que estava preso no trânsito muito puto.

Cortina aberta, instrumentos posicionados. Foco de luz no piano. Ele entra.

Quieto, pequeno, de cabelo espetado.

Senta no piano e começa a tocar. Arrepio.

Ele não pára quieto um minuto. Bate o pé no chão, levanta do banquinho, soca o piano, balança a cabeleira.

Duas ou três músicas depois ele cumprimenta a platéia. Em português. A namorada brasileira deve ter dado uma forcinha, porque o sotaque dele é muito bom para um inglês.

Ele é divertido, bem humorado. Garante que as pessoas vão se divertir aquela noite. Depois corrige “as pessoas que estão nesse prédio, enquanto estiverem aqui, vão se divertir essa noite”. Risos.

O show vai rolando, as músicas vão contagiando todo mundo e ele lá, maravilhoso, como num transe. Em “These are the Days” ele divide a platéia no meio e ensina diferentes tons do trombone que devem ser cantados no começo do refrão. O público obedece.

A convidada especial da noite, Maria Rita, entra no palco (bem mais magra e de chapeuzinho fashion) depois dele já ter começado a cantar “Singing in the Rain”.

A participação dela é curta e encerra com “Oh God”. Ela é boa, mas nessa noite não tinha pra mais ninguém.

Antes da música seguinte ele explica que a namorada brasileira não gosta do céu londrino e que sente muitas saudades do clima tropical. Então ele pega o violão e começa a tocar “London Skies”. Lindo. No final, a banda encerra com uma batucada brasileira com direito a apito, e ele com um tambor à la Olodum. Eles até visitaram uma escola de samba em SP.

De repente ele desce do palco e vai andando no meio da platéia enquanto canta “There was a boy...". David Bowie. É rapidamente cercado por fãs com máquinas fotográficas e celulares. A segurança dá uma mãozinha sutil para ele conseguir voltar ao palco.

Playlist (fora da ordem): Photograph, Get your Way, These are the Days, High & Low, Twenty something, I Get a Kick out of you, Next year, Mind Trick, What a difference a day makes, Oh God, batucou Pussycat dolls, tocou ACDC, David Bowie, Radiohead… e no bis encerrou com All at sea, convidando a platéia pra subir ao palco com ele.

E eu lá, com os olhos grudados nele, sem conseguir ficar um minuto parada e com um arrepio constante.

Esse foi um presente maravilhoso, que eu dividi com uma pessoa muito especial (também responsável pelos ingressos). Não podia ter sido melhor.

Mais um show inesquecível pra minha listinha...

5 razões para amar o Jamie ainda mais

- ele toca muito mesmo
- ele tem um carisma surreal
- ele toca de tudo
- ele interage com o público
- ele pula, dança, grita e batuca no piano

Mas o mais importante é que ele gosta mesmo muito do que faz. E para um músico, isso é essencial. A alegria e empolgação dele são contagiantes... não tem como ficar parado!

Quem perdeu, faça-me o favor. Da próxima vez tem que ir!

Terça-feira, Setembro 05, 2006

É hoje!




















Jamie, Jamie, Jamie, Jamie, Jamie.

All at sea, baby. All at sea.

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

Nova campanha

- Férias: 1 mês de salário mesmo sem trabalhar
- Compras: US$ 500
- Encomendas: US$ 150
- Receber em casa as suas duas malas depois de VINTE DIAS sem seus preciosos pertences... TEM PREÇO SIM, mas não cabe nesse blog.

Para a British Airways – sem comentários.
Para os futuros viajantes – evitem essa companhia
Para os que pediram encomendas – elas chegaram!
Para os que querem ver as fotos – me mandem um e-mail que eu encaminho o link.
E para os que querem as histórias – vamos marcar um cafezinho porque não vou conseguir contar tudo aqui.

É ou não é o melhor presente de aniversário EVER!