Quarta-feira, Maio 31, 2006

O luxo da independência

O post da minha irmã me inspirou para falar de uma coisa que eu considero muito importante: o banheiro.

Quando se trata de banheiro eu sou uma pessoa extremamente egoísta e neurótica. Vamos aos fatos:

- Tapetinho: é o lugar onde eu piso LIMPA, portanto, ele deve ficar fora do chão para não ser pisoteado com sola de sapato suja de catarro de bêbado, cocô de cachorro, etc. Uma boa solução é deixá-lo esticado no bidê, porque além de não correr o risco de ser pisado, ele fica secando.

- Touca de banho: esse item é de uso individual, a não ser que seja dividido com uma pessoa tão neurótica quanto eu ou em dias diferentes. Não tem coisa mais desagradável do que colocar uma touca de banho úmida por dentro, que foi usada por outra pessoa e não foi devidamente secada.

- Pasta de dente: a) praticamente todos os objetos que são vendidos com tampas só podem ser abertos para uso. Logo após o uso, deve ser tampados novamente.
b) Tubo de pasta de dente molhado é uma coisa muito desagradável porque quase sempre estamos com as mãos secas.

- Papel higiênico: isso já foi tema até de crônica do Mário Prata, e é uma eterna briga. O rolo do papel higiênico deve ser colocado de modo que você puxe o papel por CIMA, e não por baixo. Porquê? Porque é mais fácil, porque é lógico, porque fica mais bonitinho e porque dá impressão que é mais limpo porque o papel não fica raspando na parede.

- O box: quem estiver disposto a dividir o banheiro comigo, tem que estar ciente de uma coisa muito importante: eu tenho vários tipos de potinhos no box. Uma dupla de shampoo + creme para o dia-a-dia, uma dupla para ocasiões semi-especiais e outra para as muito especiais. Dois tipos de sabonete líquido (glicerina e perfumado), dois tipos de sabonete (normal e esfoliante), pedra pome, esponja de banho, pente de cabelo e óleo de amêndoas.

- A pia: borda da pia molhada, pasta de dente seca e cabelos grudados são coisas que devem ser evitadas ao máximo.

- Inaceitável: bolo de cabelos no ralo do chuveiro, grudados na parede ou peças de roupa íntima penduradas na torneira.

Exagero? Não acho. Assumo a neuroso e insisto que pra mim isso tudo é primário.

Por isso mesmo que um dos meus sonhos é poder ter, quando eu casar, um banheiro separado do meu marido. Independência banheirífica!

É, eu sei, trabalha fia...

Segunda-feira, Maio 29, 2006

Tentativas

Quando o dia está ruim, a gente tenta de todos os jeitos fazer ele mudar. Tenta chutar pra longe o bode, deixar de lado o mau humor, espantar o pessimismo.

Tenta ver fotos antigas de momentos felizes.
Mas só consegue sentir mais saudades.

Tenta comer um pedaço de brownie de chocolate com pedaços de nozes.
Não adianta.

Tenta abrir o holerite e olhar o pagamento do mês.
E se pega pensando na fatura do cartão de crédito.

Tenta ler blogs de amigos que normalmente te fazem rir.
E vê que não é a única tendo um dia cinza.

Tenta pensar nos planos das férias.
E descobre que ainda tem que enfrentar dois meses de trabalho.

Depois de todas essas tentativas, finalmente chega a conclusão que a única coisa que vai mudar a situação é sua casa, sua TV, seu travesseiro, seu silêncio, sua paz.

Sexta-feira, Maio 19, 2006

De cara lavada

Lendo o post da Ju e os comentários que as pessoas deixaram, comecei a pensar na importância da maquiagem na minha vida.

Apesar de ser vaidosa, não sou daquelas mulheres dependentes de produtos cosméticos, maquiagens e afins.

Minha mãe é uma mulher vaidosa e bem cuidada, mas não tem o hábito de se maquiar todos os dias de manhã. Aliás, ela sempre dizia que uma mulher que se maquiava sempre, quando aparecia sem maquiagem ficava abatida, com uma cara estranha. Eu só ouvia, em silêncio. E hoje acho que ela estava certa.

Aos 15 anos fiquei amiga de uma menina muito vaidosa. Ela foi a responsável pela minha iniciação a esse mundo, e com ela aprendi muita coisa. Foi ela quem me ensinou a tirar a sobrancelha e a disfarçar olheiras e espinhas.

Tudo o que aprendi sobre maquiagem foi com amigas. As páginas de lançamentos de novos produtos nas revistas femininas não conseguem me prender por muito tempo. Todos os itens da minha bolsinha de maquiagens comprei por indicação ou ganhei da minha avó.

Taí uma mulher extremamente vaidosa, sempre maquiada, perfumada, com o cabelo e as unhas feitas. Ela sabe tudo sobre os últimos lançamentos das grandes marcas. Talvez por ela ser assim, tão preocupada em se produzir, minha mãe seja tão natural.

Acho que se eu fosse entrevistada e me perguntassem com o quê não saio de casa sem, eu ficaria sem resposta. Não, não é rímel, batom, blush, lápis ou protetor solar. Talvez respondesse: “meu relógio”.

Eu saio de cara lavada sem o menor problema. Não desmereço o valor de um blushzinho, um rímel poderoso e um gloss, pelo contrário. Só não vejo necessidade de sair empetecada todo santo dia. Ainda mais porque eu morro de preguiça de tirar a maquiagem (mas não me arrisco nem morta a dormir sem fazê-lo).

Meu ex-namorado uma vez disse que os homens sabem se uma mulher é verdadeiramente bonita quando vê como ela acorda de manhã. Imagina se eles souberem que algumas mulheres acordam mais cedo só pra tirar os bóbis ou passar maquiagem!

Sou a favor da beleza natural. Não acho que maquiagem é sinônimo de beleza. Pelo contrário, acho que algumas mulheres por aí deviam aprender a valorizar sua aparência sem camadas de base e sombra.

Deixo a maquiagem para os dias especiais, quando eu estiver inspirada, disposta, ou sei lá, abatida.

Sexta-feira, Maio 12, 2006

Frozen

Deve existir alguma explicação astrológica, científica, cósmica ou cármica que justifique essa sensação de estagnação.

O momento é de indefinição total, nada acontece, nada muda. Parece que as coisas estão congeladas, e nós estamos só esperando alguma coisa acontecer.

Como em um daqueles momentos que antecedem uma tempestade. O tempo muda depressa, o vento anuncia a chuva, fazendo as portas baterem. O céu fica preto e as nuvens passam ligeiras, iluminadas por relâmpagos. Pessoas correm pelas ruas, olhando para o céu e para o relógio, preocupadas. Quem está em casa corre para fechar as janelas, tirar as roupas do varal e os eletrônicos da tomada. Cachorros começam a latir e as folhas correm pelo chão fazendo barulho.

Mesmo com esse cenário, nada é óbvio. Até que comece efetivamente a chover, existe uma chance da situação mudar.

Possibilidades:

a) Não chover: o vento ganha força e leva para longe as nuvens carregadas, restabelecendo a paz e o silêncio;

b) Chuviscar: a ameaça assustadora da tempestade é eliminada com deboche, e só umas inocentes gotinhas caem nem chegando a molhar o chão;

c) Chover: se vai chover, então DEIXA MOLHAR!

Terça-feira, Maio 02, 2006

Protesto

Sem a menor intenção de ser pretensiosa, vou confessar uma coisa: eu nunca levei um fora. Estou falando de pé na bunda propriamente dito, claro e inconfundível, que não dá margem para duplas interpretações e falsas esperanças.

Nunca tive aquelas conversas em que você tem que olhar no olho da pessoa e ouvir ele falar que não te ama mais. Que não quer mais te ver. Que prefere ficar sozinho. Que se apaixonou por outra pessoa. Que reencontrou a ex-namorada e resolveu tentar de novo. Que você não é a pessoa certa. Que você é a pessoa certa, no momento errado. Que você pisou na bola e por isso ele não te quer mais. Que a família dele te odeia e por isso ele vai ter que terminar. Que está mudando de cidade, de país, de galáxia. Whatever. Nunca ouvi nada disso.

E isso está longe de significar que eu sou a pessoa mais sortuda do mundo. Pelo contrário, é uma grande frustração.

Conheci vários caras na minha vida. Me envolvi com alguns e nem todos tiveram finais felizes. Só que nunca ouvi uma satisfação, explicação ou sequer desculpa esfarrapada que registrasse o fim. Eles somem, param de ligar, de atender, de procurar e o que fica é uma grande dúvida, até a ficha cair (em alguns casos, despencar).

Parêntesis: Tem até um livro que um americano sabichão escreveu chamado “He’s just not that into you”, que analisa várias situações, mas tem uma única explicação para todas elas: ele simplesmente não está afim de você. Serve para dar umas risadas.

Parece que os homens acham que, ao não atender ou retornar ligações, estão mandando sinais. Eles têm a mais absoluta certeza de que os sinais são claros e demonstram que eles não estão mais interessados. Só que esses sinais levam mais tempo para fazer efeito do que uma conversa decente (ou um e-mail, que seja) levaria.

Ok, depois de uma semana de silêncio absoluto, que te faz fantasiar todas as explicações (plausíveis e não plausíveis) do mundo, a gente entende: ele desistiu. Desencanou. Não está mais afim.

Dia desses, quando lamentava mais um sumiço, meu irmão perguntou quando é que o cara tinha assinado um contrato falando que ele tinha um compromisso.

A questão não é essa. Realmente, não tem contrato nenhum, muito menos compromisso. O que tem é um monte de expectativas, que não são criadas única e exclusivamente por nós mulheres, e que enchem nossas cabeças de idéias. Óbvio que cada caso é um caso, mas a criação de expectativas é inevitável.

Evidente que todo mundo tem o direito de mudar de idéia. Ninguém é obrigado a ficar com alguém que não goste. Só que, depois que você se aproximou, conquistou, criou expectativas e uma certa intimidade, o mínimo que você pode fazer é avisar que não quer mais. Não tem como virar as costas, ignorar tudo o que aconteceu e esperar conseguir ir embora sem causar maiores sofrimentos. A parte do sofrimento é inevitável, é claro, mas ele pode ser amenizado.

Mas parece que os homens preferem deixar um relacionamento amargar a ter que tomar uma atitude e pôr um fim nas coisas. Não sei se é covardia, se é medo da reação ou o quê. Imagino que deva estar cheio de louca por aí tendo reações nada civilizadas, que traumatizam os homens e queimam o filme das meninas normais.

Eu não sei o que é. Mas, de todos os casos que chegaram num estágio mais avançado que eu tive, nunca desisti sem avisar o cara. Nunca tive coragem. No mínimo, por respeito.

Sempre brinco que o dia que eu levar um fora, vou ser a pessoa mais feliz do mundo. Não que eu tenha tendências masoquistas ou que eu ache que vá ser gostoso. Mas pelos menos vou me sentir bem por saber que a pessoa teve o mínimo de consideração por mim.

Esse texto é um protesto aos homens que preferem não enfrentar a situação. Ele foi baseado unicamente na minha experiência. Sem dúvida devem existir exceções por aí. Pena que eu não tenha visto nenhuma há muito tempo.