Quinta-feira, Março 30, 2006

Foi-se o infinito

Nunca fui o tipo de pessoa que perde as coisas. Só perdia as coisas que deixava na casa da Carol (ou emprestava para ela – livros do Harry Potter – HELLO???) e olhe lá, porque algumas vezes eu conseguia resgatar meus pertences.

Também não era uma pessoa que usava muitos acessórios – só um relógio, o mesmo, todo santo dia, há seis anos. Com as amigas aprendi a gostar de colares (vários, lindos, indispensáveis!) e com um ex (sem final feliz) aprendi a usar anéis.

Um dos símbolos que eu mais gosto é o do infinito. Gosto tanto que mandei fazer um anel, meu segundo anel inseparável, que eu usava todos os dias religiosamente no dedão da mão esquerda.

De uma maneira inexplicável, ele me confortava. Adorava olhar pra ele e ficar girarando ele no dedo.

Na sexta-feira, fui numa balada, e algo aconteceu entre o momento que eu cheguei até o momento de ir embora. Só sei que quando eu olhei, ele não estava mais no meu dedo. Me desesperei, fiz dois marmanjos ficarem agachados no chão da balada escura procurando meu anel querido. Obviamente não encontraram.

Liguei no dia seguinte no adorável estabelecimento, mas disseram que não acharam nenhum anel...

Não é meio irônico, dos três anéis que eu uso nas mãos, perder justo o do infinito?

Quarta-feira, Março 29, 2006

Run Forrest, Run

Então eu inventei que queria correr. Sem grandes pretensões de virar maratonista, principalmente porque não sou das pessoas mais competitivas.

Resolvi que precisava de uma orientação para começar e não podia sair por aí simplesmente correndo, estourando joelho, quadril, etc. Segui a indicação do meu médico e entrei para um grupo de corrida. Legal, além de aprender a correr direito eu teria um incentivo (extremamente necessário em ocasiões específicas). Fora que fazer esporte ao ar livre é muito mais agradável que ficar fechada em academia.

Anyway, comecei com essa história há pouco tempo, e por enquanto o treinador fica do meu lado praticamente o tempo todo, monitorando freqüência cardíaca e vendo quanto tempo eu consigo correr sem botar a língua pra fora.

Bom, desde o começo ele me disse que eu só precisaria de paciência para começar a correr. Nos primeiros dias, não fazia sentido. Estava achando o treinamento uma delícia.

Ontem ele me passou um treino novo, com alguns tiros e otras cositas más. Ok, estava difícil, mas eu estava administrando meu fôlego e fui obrigada até a parar de falar para me concentrar e respirar direito.

Só que depois de 45 minutos de treino puxado, ele resolve pedir que eu corra de COSTAS, na SUBIDA, numa pista com o asfalto ESBURACADO, à NOITE. Mico total e absoluto.

Agora entendi o que ele quis dizer com paciência.

Segunda-feira, Março 27, 2006

TPM - AQP

A Tensão Pré-Menstrual não é um problema exclusivamente feminino. Ela pode afetar diretamente homens que tenham um contato mínimo com alguma mulher “contaminada”.

Apesar de acreditar que TPM não é uma coisa explicável (porque cada mulher sente uma coisa diferente em nível e intensidade diferentes), resolvi fazer uma coletânea das informações que possam talvez tentar expor o inferno que enfrentamos mensalmente.

Fatos

- Aproximadamente 80% das mulheres têm TPM
- Apenas 3 a 4% têm sintomas graves que impedem a rotina normal ou o trabalho
- Os sintomas da TPM ocorrem na semana ou até duas semanas antes da menstruação

Sintomas

a) Psicológicos – Irritabilidade, nervosismo, descontrole das ações ou emoções, agitação, raiva, insônia, dificuldade de concentração, depressão, sensação de cansaço, ansiedade, confusão, esquecimento freqüente, baixa auto-estima, paranóia, hipersensibilidade emocional, ataques de choro.

b) Físicos – Dores abdominais, inchaço, constipação, náusea, acne, dores de cabeça, tontura, desmaios, irritabilidade, palpitações, aumento da retenção de líquido, ganho de peso periódico, aumento da predisposição a alergias e gripes, diminuição da libido, mudanças no apetite (para mais ou para menos), ondas de calor.


Soluções

Desenvolvi a teoria dos 5 C’s: cinco coisas que ajudam a amenizar os sintomas, que variam de intensidade de acordo com o mês e momento da vida. São eles:

- Chocolates
- Carboidratos
- Colo
- Cafuné
- Cama

Em último caso, quando não temos acesso a nenhum dos 5 C’s, temos que recorrer para a teoria da “Poderosa P”, suportada pela técnica da “Respiração Abdominal Profunda E Repetitiva”, que deve ser realizada ininterruptamente até que os sintomas sejam amenizados..

E haja paciência...

Quinta-feira, Março 23, 2006

Manias

"Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs aviso do recrutamento. Ademais, cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blog."

1) eu tenho um problema com revistas novas, recém compradas na banca ou entregues em casa. Se elas foram compradas por mim na banca, devem ser abertas por mim. E se meu nome estiver na etiqueta, obviamente elas são abertas por mim. E ai de quem rasgar meu plastiquinho!!!! Eu tenho que abrir o plástico e folhear a revista antes de qualquer outra pessoa.

2) Lugar de tapetinho de banheiro é no bidê! Só coloco o tapetinho na porta do box quando vou tomar banho, e depois que eu me enxugo coloco o tapetinho de novo no bidê, para secar. É óbvio! Se o tapetinho fica largado no chão, qualquer um que entrar no banheiro com a sola do sapato suja imunda (de catarro de bêbado, cocô de cachorro, etc) vai sujar o lugar onde eu piso LIMPINHA depois do banho! Tapetinho no chão me tira do sério!

3) Eu sou supersticiosa: não passo sal de mão em mão, pulo ondas na virada do ano, bato na madeira se alguém fala alguma coisa ruim, entro com o pé direito nos lugares sempre que lembro e depois que faço um brinde, me sinto obrigada a dar um mísero gole antes de repousar o copo na mesa. E ainda por cima tem que beber olhando no olho da pessoa!

4) Adoro café da manhã de hotel, mas para mim café da manhã do dia a dia consiste em: duas fatias de pão integral, torradas na torradeira, com requeijão. Isso é o básico. Vira e mexe eu mudo a marca do pão, acrescento queijo ou peru ou mel. Já bebi leite, iogurte, chá e hoje em dia não bebo mais nada. Algumas coisas mudam, mas as duas torradinhas continuam lá, firme e fortes desde que me conheço por gente!!

5) Assim que entro em casa, vou até o quarto, tiro os sapatos e calço minhas pantufas ou ando descalça mesmo. não entendo que fica de sapato dentro de casa, muito menos quem deita no sofá de sapatos. Ta com pressa? Pra que isso, me diz! A gente relaxa muito mais quando ficamos descalços... e quem coloca a sola do sapato no sofá então? Fico com falta de ar só de pensar...

"Eu recebi esta "missão" do Zagaia e repassei para a MH, para a , para a Carol e para a Aninha".

Quarta-feira, Março 22, 2006

جمهورية السودان

Uma das melhores coisas do meu trabalho é poder ter contato com diferentes culturas. Essa semana acompanhei alguns clientes do Sudão que estavam visitando o Brasil.

Eram todos muito educados e simpáticos, e um deles era extremamente atencioso. Digamos que um pouco mais do que o necessário. O nome dele era Tahir.

No final da visita, Tahir fez algumas insinuações sobre todos os encantos da África e da cultura dele. Me fiz de desentendida, aproveitando que o sotaque dele atrapalhava a clareza das informações. Mas na despedida, ele me fez um convite explícito para ir ao Sudão. Disse que eu só preciso falar quando pretendo ir, que ele arranjaria tudo (passagem, carro, passeios e uma voltinha no barco dele).

Não que eu tenha ficado tentada a aceitar, mas a oferta me deixou no mínimo curiosa. E como a curiosidade matou o gato, fui tentar entender um pouco mais do Sudão.

O Sudão é o maior país da África. Faz fronteira com o Egito e é banhado pelo Mar Vermelho. O país está em guerra civil há 46 anos. O conflito entre o governo muçulmano e guerrilheiros cristãos e animistas, baseados no sul do território, revela as realidades culturais opostas da Nação. A guerra e prolongados períodos de seca já deixaram 1,5 milhão de mortos.

A capital é Cartum, o idioma falado é árabe e a maioria da população vive da agricultura de subsistência e da pecuária. O governo adota um islamismo radical e que segue as leis Sharia (determina a proibição de bebidas alcoólicas e punições por enforcamento ou mutilação).

A mensagem do Islão (religião que reúne hoje aproximadamente 1 bilhão de crentes) caracteriza-se pela sua simplicidade: para atingir a salvação basta acreditar num único Deus, rezar cinco vezes por dia, submeter-se ao jejum anual no mês do Ramadão, pagar dádivas rituais e fazer, se possível, uma peregrinação à cidade de Meca.

Mulheres não são proibidas de trabalhar, mas devem tomar conta da casa e da família. Em teoria, a lei islâmica permite que uma esposa se divorcie ao dizer "eu divorcio-me" três vezes em público (imagina só que fácil???).

Na prática, em muitos países islâmicos os homens é que ditam aquilo que as mulheres podem usar. A violação destas regras em algumas nações muçulmanas pode resultar em espancamentos. Basicamente homens e mulheres não devem ser vistos como objetos sexuais.

Sexta-Feira é o dia mais importante da semana para os muçulmanos, e eles não trabalham nesse dia. Muçulmanos trabalham de domingo a quinta e folgam sexta e sábado.

Tudo isso é extremamente interessante, mas ainda não é suficiente para me deixar tentada a considerar essa proposta.


Bom, pelo menos ele não tentou me trocar por camelos...


*fonte: Wikipedia

Sexta-feira, Março 17, 2006

O mundo dá voltas

Te encontrar por acaso foi bom.
Não me entregar de cara deu certo.
Te ver lutar para quebrar a barreira foi divertido.
Me entregar depois foi bom demais.

Sem jogo, sem paranóia.

Foi uma daquelas situações que exemplificam “uma coincidência feliz”.
Completamente inesperada.

Eu acredito que tudo acontece por um motivo.
E acho que o nosso motivo foi o closure da nossa história.
Foi o que eu precisava ver, ouvir, falar e sentir.

Só de você perceber que algo mudou em mim já valeu.
Seu reconhecimento das minhas qualidades (que sempre existiram, mas você nunca enxergou) era o que eu sentia mais falta de você.

Te encontrar foi muito bom.
Mas não me deixo mais levar por olhares, toques e suspiros.
Você não me inspira a menor confiança.
Mas pelo menos dessa vez você não disse palavras vazias.
Que inicialmente me tranqüilizariam e depois me decepcionariam com ausência...

Estou satisfeita. Já consegui o que queria.
E sinto que se eu continuar insistindo e tentar te segurar, vou me decepcionar.
Porque mesmo que você tenha mudado, não acho que pode me dar o que eu procuro.

Sinceridade? Sai que a fila tem que andar.

Terça-feira, Março 14, 2006

Frase do ano

"I don't suffer from insanity. I enjoy every minute of it"

Quinta-feira, Março 09, 2006

Sobrenatural

Os céticos que me perdoem, mas eu sou uma daquelas pessoas que acredita em coisas que não podem ser comprovadas.

Nem tudo tem lógica, nem tudo é estatística, nem tudo pode ser explicado. A contragosto de alguns, fatos inexplicáveis são justificados com o conceito de sincronicidade, desenvolvido por Carl Jung.

Para mim, a sincronicidade é uma sensibilidade super desenvolvida, mas que nem todas as pessoas conseguem notar. E acho que isso é uma pura questão de percepção ou de até de disposição.

Coincidências me encantam. Fatos sem explicação, positivos ou não, me fascinam (pelo amor de Deus, não estou falando aqui de ETs, bruxas e misticismo).

Em novembro passado ganhei um novo amigo. Desde o começo estranhamos nossas coincidências. O estilo de escrever, as piadas e até o ponto de vista de algumas coisas.

Com o tempo, nos conhecemos melhor e as coincidências começaram a se tornar mais freqüentes e absurdas. Mas, ao invés de me acostumar, comecei a achar cada dia mais esquisito. Agradável, mas esquisito. De alguma maneira essa sintonia me fazia sentir especial.

E-mails enviados simultaneamente, mensagens de texto sendo digitadas no minuto em que escrevíamos para o outro e assim vai.

Ele brinca que a gente veio com Blue Tooth de fábrica. Um outro amigo até desenvolveu a teoria de que ele criou uma regra no Outlook dele para, toda vez que ele receber um e-mail meu, o programa automaticamente dispara uma resposta.

Brincadeiras à parte, eu realmente não tenho explicação melhor que essa, de Jung. E o conceito de sincronicidade não me incomoda. Pelo contrário, acho o máximo. E acho que o fato dele também achar legal aumenta ainda mais nossa sintonia.

Realmente não sei se sincronicidade tem limite. Mas fico imaginando se um dia a gente vai começar a conversar por telepatia, ou fazer premonições e previsões.

Eu, hein, sai pra lá, não tenho pretensão de virar Mãe Dinah, não. Imagina só o assédio? Ou o sarro que vão tirar da gente? E, mesmo que seja tudo verdade, quem é que gosta de ter um poder desses, que tira a graça e a magia das coisas e deixa tudo óbvio?

Se for pra escolher um dom sobrenatural, posso extrapolar? Adoraria poder me teletransportar. Isso mesmo. Fechar os olhos no meio do expediente e pensar “quero estar numa praia em Cartagena tomando água de côco”. Puft.

Ou então: “quero ir até Piracicaba ganhar cafuné da minha mãe depois do almoço”. E puft, estaria de volta antes que as pessoas notassem minha ausência.

Não gostaria de ser invisível, nem de ler pensamentos ou qualquer dessas coisas comuns que as pessoas costumam desejar. Até gostaria de poder voar, mas imagina só como o trânsito no céu vai aumentar daqui a alguns anos. E o inconveniente com o cabelo? Ia ter que cortar joãozinho, mas eu gosto do meu cabelo assim...

Pensando bem, essa minha vontade tem um quê de Harry Potter...

Closure

Closure nada mais é do que a conclusão de uma história que foi vivida, mas acabou. O fim. A coisa que precisava ser dita para que as pessoas possam virar a página e seguir em frente.

Estou cansada de histórias inacabadas, amores mal-resolvidos, conversas interminadas e palavras que precisavam ser ditas ou ouvidas. Estou cansada de pessoas covardes que preferem fechar os olhos para alguma situação a demonstrar consideração por alguém que algum dia significou alguma coisa.

Sempre digo que “everybody needs closure”, e acredito piamente nisso. Histórias inacabadas resultam em problemas futuros. Feridas não cicatrizadas, sentimentos não desamarrados, rancores guardados, frustrações remoídas e dúvidas não esclarecidas são como uma bomba relógio, que pode explodir a qualquer momento. E que poderia ser desativada se as pessoas fossem mais sinceras. Se não porque ela quer o bem do outro, mas por uma questão de respeito.

Porque respeito é bom e todo mundo gosta.

Quarta-feira, Março 08, 2006

Amor à primeira vista

Esse ano começou com grandes ocasiões: duas formaturas e um casamento. Como toda mulher, tive crises do “não tenho roupa” em cada uma das festas.

Na primeira, a solução encontrada foi emprestar um vestido da mãe.
Na segunda, emprestei um vestido da amiga.
E na terceira, que ainda não chegou, resolvi tomar vergonha na cara e sair para comprar um vestido novo.

Então lá fui eu para o shopping, em plena época de liquidação/ troca de coleções. As lojas que ainda estão em promoção, não têm mais peças porque acabou tudo. As lojas que já lançaram a coleção nova estão sem peças porque ainda não chegou tudo.

Ou seja, foram horas e horas andando pelo shopping, entrando de loja em loja, experimentando dezenas de vestidos. Uma verdadeira maratona. Decidi que, da próxima vez que tiver que comprar roupa, vou para o shopping de roupão e pantufas, para ficar bem confortável e não ter muito trabalho para tirar todas as peças que precisam ser tiradas para experimentar as novas.

Depois de várias tentativas, me lamentava com uma amiga por telefone, quando ela sugeriu uma loja, que deixei de freqüentar no meio da adolescência. Curiosa e desesperada, acatei a sugestão.

Logo de cara vi dois vestidos maravilhosos, que topei experimentar. O primeiro era preto e curto. Bonito e clássico, poderia ser usado diversas vezes sem problemas. Mas achei que ficou mais curto do que devia, e como sou uma pessoa prática, já o desconsiderei.

O segundo era cor de berinjela (machos de plantão: leia-se roxo ou uva) e longo. Vesti pela cabeça, deixando o fino tecido cair levemente, quase tocando o chão. Fechei o zíper e saí para olhar no espelho. Era lindo. Maravilhoso. Nunca tinha experimentado um vestido de festa que tivesse servido de primeira. Não precisava de nenhum ajuste, era como se tivesse sido feito sob medida para mim.

A cor era linda, o tecido era de qualidade, o corte era bonito e o caimento, perfeito. Era o vestido dos meus sonhos. Já receosa, me voltei para o vendedor (extremamente atencioso) e perguntei:

- Quanto é?

Ele sorriu um sorriso aflito. Eu franzi a testa, levantei as sobrancelhas e prendi a respiração, já prevendo a decepção.

E então ele falou. Não revelo o preço, mas basta dizer que ele era exorbitante e tornaria meu plano de férias impossível de ser concretizado.

Tentei negociar, deixei meu telefone, peguei o telefone da loja e o nome do vendedor e saí de lá cabisbaixa (não sem antes rogar uma praga de que eles não venderão aquele vestido para outra pessoa!).

Fui no cinema para me distrair, mas não conseguia parar de pensar no vestido. Dormi, acordei, trabalhei, e continuo pensando no vestido.

Depois de pensar muito, cheguei à conclusão que tenho duas opções: posso ceder à tentação e comprar o vestido, sendo obrigada a repensar as férias (e rezando também para ser convidada para várias festas ainda esse ano, de turmas diferentes, para conseguir pagar o investimento) ou agir como temos que agir quando terminamos um relacionamento: fazendo força para parar de pensar nele, evitando encontrá-lo em algum lugar, procurando não saber nada a respeito dele e cortando-o definitivamente da minha vida.

Moral da história: Não existe escolha sem sofrimento!

O tempo passa...

Situação 1
Ano: 1994
Personagens: duas amigas de 13 anos
Diálogo:
- Como é que chama mesmo quem fala mais de quatro línguas?
- Tipo o papa?
- É.
- Troglodita.

Situação 2
Ano: 2006
Personagens: uma das amigas e conversando com sua mãe
Diálogo:
- Mãe, eu falo chinês agora!
- É mesmo filha, que orgulho!
- É, eu sou quadrúpede!

Por isso que eu digo: o tempo passa, mas algumas coisas continuam iguais!!!

Terça-feira, Março 07, 2006

A mulher do carro

Como já disse aqui outras vezes, trabalho numa fábrica. Fábricas costumam ser grandes empresas, e a minha não é diferente. Tem 350 mil metros quadrados. Por esse motivo temos até uma linha de ônibus interna, para levar os funcionários para cima e para baixo, especialmente na hora do almoço.

Enfim, esse não é o ponto principal da história, principalmente porque eu prefiro caminhar até o restaurante e arejar minhas idéias, respirar ar puro e relaxar.

Nessa caminhada, costumo ver coisas interessantes: veículos que andam de lado, pessoas com roupas esquisitas, operários da fábrica fazendo a siesta, etc. Mas nada disso é tão interessante quanto a mulher do carro.

Tudo começou quando, há alguns meses, notei que dentro de um carro estacionado na frente do meu prédio, tinha uma pessoa sentada com os vidros fechados. Ela não estava só sentada, estava deitada, com o banco totalmente inclinado, tirando o maior cochilo no meio da tarde. Minha primeira reação foi indignação. Depois confesso que fiquei com uma certa inveja...

O tempo foi passando e eu continuei vendo a mulher, cada dia com o carro estacionado em um lugar diferente. Sempre que a vejo, ela está lá, dentro do carro, dormindo.

Nada contra dormir dentro do carro, pelo contrário. Quem me dera poder fazer o mesmo. Mas vamos combinar que a freqüência está aumentando, os horários são esdrúxulos e eu continuo sem saber quem diabos é essa mulher.

Já cheguei a pensar que talvez ela pudesse ser um espírito e só eu tinha o poder de vê-la. Mas compartilhei minha curiosidade com uma amiga que disse que também conseguia. (não foi dessa vez que confirmei meu talento paranormal).

Mais ninguém parece se interessar na história da mulher misteriosa que dorme dentro do carro. E sinceramente não sei porque eu me importo tanto com isso.

Mas hoje, voltando do almoço, a vi novamente. Dessa vez, em outro carro, com o vidro escancarado e o banco inclinado, mergulhada no décimo quinto sono.

E o mistério continua...

Sexta-feira, Março 03, 2006

O amor de Murphy

Todo mundo já ouviu falar na lei de Murphy. Ele é um cara bem popular, citado com muita freqüência por várias pessoas.

Tenho uma teoria (um tanto quanto pretensiosa): acho que o Murphy é apaixonado por mim. Ele vive me procurando e provocando situações que me obriguem a pensar nele. Mas sinto que o amor dele por mim é meio confuso. Ele é possessivo, egoísta, não quer que eu seja de mais ninguém. Em algumas situações ele é até meio sádico.

Explico:

Na tentativa de distrair a cabeça e desviar a atenção do maldito celular (que não toca), fui no cinema com uma grande amiga. Chegamos cedo e fomos para a fila, que no momento tinha só umas cinco pessoas. Estamos lá no maior papo, quando vejo passar uma criatura (que há alguns posts atrás deu graças à Deus que eu existia), acompanhado da atual. Opto por ficar quietinha na minha, afinal de contas não estou nos meus melhores dias.

Entro na sala, escolho uma fileira boa, nem muito para cima, nem muito para baixo, e sento bem no meio. As pessoas vão entrando e, quando eu estou compenetrada no processo colocar-o-celular-no-silencioso-vestir-a-jaqueta-deixas-a-bala-à-mão etc, escuto uma voz familiar:

- Vou sentar do lado da mc!

Levantei a cabeça e, boquiaberta, olhei para a criatura sorridente e sua companheira intrigada. Achei que fosse piada. Achei que eles fossem cumprimentar e passar reto. Mas não, não era brincadeira. Eles realmente sentaram do meu lado.

E durante o filme inteiro, que tinha o único e exclusivo objetivo de me distrair, tive que ouvir beijinhos e sussurros do casal.

Agora me fala. É ou não é uma prova do amor do Murphy por mim?

PS1 – minha versão preferida da Lei de Murphy é: Toda partícula que voa sempre encontra um olho.
PS2 – o celular tocou!!!

Quarta-feira, Março 01, 2006

Só o pó…

Carnaval no Rio. Sinceramente, foi a primeira vez que eu realmente pulei Carnaval na vida (com exceção das matinês no Clube de Campo de Piracicaba, quando eu era pequena). Descobri um mundo que eu não sabia que existia. Na verdade, os blocos de rua do Rio de Janeiro não são muito diferentes do que as matinês do CCP. As pessoas saem fantasiadas, ficam pulando e cantando marchinhas de Carnaval, jogando confete e serpentina e a detestável espuma branca (que eu não sei pra quê existe).

Me senti uma freak porque era a única que não tinha nem uma tiarinha com pompons coloridos ou orelhinhas de oncinha. Mesmo assim fui levando tudo com muito bom humor. Sexta, sábado e domingo.

Sábado fomos comprar a fantasia para desfilar numa escola de samba, pagamos no cartão de débito à vista e agradecemos à primeira parcela do décimo terceiro já recebida. Já que estamos com o pé na jaca, o melhor é sambar dentro dela. E até que a fantasia não era das mais feias...

Tudo ia muito bem até que domingo fui derrubada por um mal súbito e fui passear no Copa D’Or. Nada me deprime mais do que hospital. Enfim, dessa vez estava mais que deprimida, porque a doente era eu.

Sobrevivi e fui para casa. Dormi segunda-feira o dia inteiro. Repouso total e absoluto. Só ingeria água, coca light sem gás, torradinhas e Buscopan. Já estava perdendo as esperanças de ir para a Sapucaí quando, nos 45 do segundo tempo, decidi:

- Eu vou!

Me vesti, peguei estandarte, chapéu, pandeiro e Gatorade. Fomos de metrô, o que já foi um show à parte. Pessoas com fantasias de várias escolas diferentes, cantando seu samba enredo (que nós tínhamos escutado repetidamente para tentar decorar por dois dias seguidos).

Chegamos na concentração. O cheiro de banheiro era insuportável, impossível respirar pelo nariz. Já tinha ouvido horrores a respeito disso, mas era ainda mais nojento do que eu esperava.

Pouco mais de uma hora depois, o clima foi esquentando. Pessoas de diversas alas circulando com fantasias diferentes, os carros alegóricos se enfileirando e o pessoal técnico da escola se preparando para o evento mais esperado do ano para eles. E eu ali, só observando tudo aquilo.

Começamos a andar, ansiosos pelo que viria pela frente. Os fogos marcavam a entrada da Unidos da Tijuca na Sapucaí. Minha ala estava logo na frente, atrás do carro do bebê gigante.

No início, muita empolgação. Dava vontade de sair correndo pela avenida, acenando para as milhares de pessoas que estavam no sambódromo e para as outras milhões que estavam em casa assistindo tudo pelas câmeras da Globo.

Ouvi dizer que o desfile passava rápido, e que você ficava menos de 20 minutos na avenida. Não sei se era minha saúde abalada ou se entendi errado, mas fiquei pelo menos 40 minutos pulando. Um calor insuportável, com o chapéu comprimindo meu cérebro e o estandarte das doidas da ala (que insistiam em girar na pista como se fossem rainhas da bateria e estivessem sozinhas na avenida) batendo na minha cara, tendo que sorrir, mexer a boca mesmo quando esquecia o samba e proibida de sair da minha fileira.

Parece um inferno, não? Mas não foi. Foi maravilhoso. Uma experiência única, inesquecível, de tirar o fôlego.

Fiquei feliz de ter desfilado, valeu a pena. Agora estou aqui no trabalho, esperando a apuração dos votos em plena Quarta-feira de Cinzas (que para quem não sabe significa que as pessoas não precisam trabalhar, pelo menos até o meio-dia).

Se a minha escola ficar entre as seis melhores, existe uma grande chance de eu voltar para a Sapucaí de novo no final de semana. Enquanto isso, fico torcendo...

“Ouvindo o que vejo, vendo o que ouço na ópera do Carnaval! Bravo, Unidos da Tijuca, faz do seu canto visão sem igual!”