Dando o recado
"Cuidado com o que você deseja", ele dizia. E eu não entendia. Ou não concordava. Ou nunca tinha passado por essa situação.
Agora, vários meses depois, eu finalmente compreendi. Estou sentindo na pele o que essa ameaça significa. Sim, porque essa frase me parece mais uma ameaça do que um alerta.
Dizem que "quem avisa, amigo é". Mas também dizem que "se conselho fosse bom, não se dava, se vendia".
Aí eu penso que "quem não arrisca, não petisca". É verdade. Só que aí eu lembro que "é melhor previnir do que remediar", e "o seguro morreu de velho".
O ditado que me dá medo é "onde há fumaça, há fogo". E um que me incomoda é "as aparências enganam". Mais uma vez, um é o oposto do outro.
"O que os olhos não vêem o coração não sente" é uma grande verdade. Mas e "o pior cego é aquele que não quer ver"?
A boa educação diz que "em cavalo dado não se olha os dentes". Mas o mundo tem provado que "quando a esmola é demais até o santo desconfia". Prefiro o segundo ditado. É melhor ter o pezinho atrás e estar preparado para a rasteira.
Porque acho que nem sempre o que vale é a intenção. Às vezes só isso não basta, é preciso um pouco mais de esforço pra fazer acontecer. Porque também não sei se acredito que quem espera sempre alcança. Conheço gente que tá esperando coisa há um tempão e até agora, nada... haja paciência pra esperar tanto!
Existe ditado pra tudo. E algumas pessoas adoram soltar frases de impacto numa conversa, acho que para mostrar sabedoria. Mas a verdade é que, para cada situação da vida, tem um ditado. Você pode estar certo sempre que quiser. Basta escolher a frase certa.
E se?
- você tivesse ido num show com milhões de pessoas e pulado a noite inteira sem parar?
- você tivesse sido abordada por um sujeito insistente que, inconformado com sua resistência, rogasse uma praga de que, quando você tiver 30 anos e quiser casar, vai lembrar dele e da “chance” que você desperdiçou?
- você tivesse falando para uma amiga que não tinha encontrado nenhum conhecido no show e fosse interrompida pelo seu ex no meio da frase?
-
aquele cara tivesse te falado “ainda bem que você existe” e antes que você pudesse abrir o maior sorriso do mundo ele completasse “seria difícil encontrar a turma nessa multidão se você não fosse alta”?
- você tivesse dormido tão pouco essa noite que não teve tempo nem de terminar de carregar o iPod?
- você tivesse que trabalhar enquanto todos os seus amigos estão aproveitando o feriado?
Frase do dia
Jacaré parado vira bolsa de madame.
Sushi, onegaishimasu
Foram anos e anos de tentativas. Várias pessoas que passaram pela minha vida tentaram me fazer comer comida japonesa. Algumas vezes eu até cheguei a tentar, mas não tive sucesso. Não era falta de vontade, mas eu simplesmente não conseguia gostar.
Amigos insistiam, conhecidos não se conformavam. E eu, sempre nas mesmas desculpas:
- Não, não gosto.
- Sim, já experimentei.
- É, é uma pena mesmo.
- Bem que eu queria gostar...
Aí um belo dia, lá estou eu numa mesa de bar, morrendo de fome e encarando um cardápio sem opções que me agradassem. Na mesa, alguns pratos com a tal coisa. E aí o cara do lado, irritado com a minha indecisão, sugere:
- Porque você não come um daqueles?
- Não gosto de comida japonesa.
- Já experimentou?
- Sim, já experimentei. Não gosto de peixe cru.
- Experimenta de novo.
- Ai que saco, é tão difícil acreditar que eu não gosto?
- É. Vou pedir um palitinho com elástico pra você.
- Não precisa de elástico! Já aprendi a comer com esse negócio.
- Então tá, vamos ver.
- Pára de me olhar assim que você me desconcentra.
- Vai logo e pára de enrolar. Pega aquele ali, ó. Isso, agora molha no shoyu, vira do outro lado de molha de novo. Mas não molha muito porque senão fica ruim. Iiiissso, agora come.
- ...
- E aí?
- Gostei!
Música de fundo: “Aleluia! Aleluia!”.
Dois dias depois, chego a um restaurante japonês onde tinha combinado de encontrar outros amigos que iam comer rodízio. Como eles ainda não sabiam da novidade, já tinham até pedido o cardápio para que eu pudesse ver os pratos quentes.
Coloquei shoyu no potinho, saquei os palitinhos e lá fui eu, com tudo no prato de sushi. As pessoas olhavam, estarrecidas. E eu lá, toda feliz, mastigando sem fazer cara feia. Nesse dia resolvi ousar ainda mais e experimentar um temaki. Alguns dias depois, fui em outro restaurante japonês (fazer o que se meus amigos são viciados?) e experimentei outras coisas. Continuei gostando, cada vez mais.
Pronto, agora é oficial. Eu como japonês. Foi completamente inesperado, eu já tinha até desistido de tentar, mas me ofereceram num dia em que eu estava muito aberta a isso (e morta de fome). Deu certo!
O duro é ter que lidar com a ciumeira dos outros, que passaram anos e anos insistindo, e tiveram que ver que, quem conseguiu o milagre foi um cara qualquer...
PS – Eli, Loirão, Nando, Luiza, Gá, Mô, Dani e quem mais eu tiver esquecido, a participação de vocês foi imprescindível nessa história!
Aonde é que dói?
Depois de um ano sem fazer exercícios aeróbicos por causa de uma dor num lugar esdrúxulo, resolvi procurar um especialista em quadril para resolver o problema. Agora que estou no “projeto calça branca”, não adianta só fechar a boca e fazer yoga. Preciso suar.
Ele pediu uma ressonância e sugeriu que eu fizesse num laboratório específico, com o Dr. Rodrigo, amigo dele, que saberia exatamente o que procurar.
Fui às 6h da manhã, em jejum, para o laboratório. Estava na salinha de “entrevista” esperando o médico chegar. Quando ele entrou, nossos olhares se cruzaram e no mesmo segundo senti uma coisa. Posso jurar que ele sentiu também. Era como se o tempo tivesse parado só pra gente poder gravar a primeira imagem que tivemos um do outro.
Ele sentou na minha frente e começamos a conversar. Expliquei o que o meu médico tinha falado e contei um pouco sobre meu histórico. Ele me olhava e ouvia com atenção.
Enquanto ele explicava o procedimento do exame, eu ficava ali sentada, olhando para aquele homem alto, charmoso, olhos verdes profundos, voz tranqüila e cabelos grisalhos. Não conseguia tirar os olhos dele e ele de mim. Finalmente ele disse:
- Você pode ficar em pé e mostrar aonde é a dor exatamente?
Eu não tinha pensado nisso até então. Estava tão encantada com ele, que esqueci desse pequeno detalhe. Mas agora que ele tinha pedido isso, não tinha escapatória. Pensei “ok, ele é um profissional, não tem porque ter vergonha”. Respirei fundo, levantei, virei de costas e falei, apontando o ponto:
- Aqui, ó.
Fala sério, com um médico desses, não dava pra ter dor num lugar menos humilhante?
Isso é que é
Amigo é aquele que te ouve, te dá bronca, colo e te entende (ou tenta).
Aquele que repete mil vezes o que acha até que você entenda, e te ouve reclamar trocentas vezes da mesma coisa.
É aquele que te lembra de coisas que você passou e que já esqueceu, e que te acompanha nos programas mico só pra você não ir sozinho.
Amigo é aquele que te conhece tanto que nem precisa que você diga tudo o que está pensando, porque com um simples olhar ele já entendeu.
Aquele que segura sua peruca quando você quer fazer besteira e conversa com você de madrugada quando você está com insônia.
É aquele que mesmo de longe, lembra de você quando ouve Tracy Chapman. E que, quando te encontra, sente que nunca esteve longe.
Amigo é aquele que te convida pra almoçar na casa dele quando você não quer comer sozinho, e te oferece carona mesmo quando está do outro lado da cidade.
Aquele que não tem medo de falar que está com preguiça, que não está afim, ou que está sem dinheiro pra sair.
É aquele que fica conversando com você por horas, vai dormir mais tarde só pra tomar um café com você ou que fica um tempão do seu lado mesmo quando vocês não têm nada para conversar e mesmo assim se sente bem.
Mas, um amigo que te oferece o próprio ingresso do show do U2 porque sabe o quanto você está desesperada para ir, não tem preço.
Ni, só o fato de você ter pensado nisso já me deixa muito feliz. Você tem se mostrado uma grande amiga e companheira, para absolutamente todas as horas. Love you.
E dá-lhe Rincón!!!
É ver pra crer
Esse mico que foi o esquema da venda de ingressos para o primeiro dia do show do U2 no Brasil está dando o que falar. Me dói falar desse assunto. Só a idéia da possibilidade de perder esse show (de novo) me tira o sono. Mas como tive uma luz hoje, vou cutucar a ferida para tentar ajudar os organizadores (olha lá o problema que eu arranjei!!).
Anunciar só um show e deixar o segundo para ser confirmado é ridículo. Estamos falando de umas das maiores bandas de todos os tempos, é óbvio que vai lotar. Se eles fizessem shows durante uma semana inteirinha também ia lotar.
E se eles viram o rolo que foi para comprar ingresso em todos os outros países da América Latina, porque haveria de ser diferente com o Brasil? Não tinha como pensar num esquema mais inteligente?
Além disso, onde já se viu escolher só 10 pontos de venda de ingresso em São Paulo e dois no Rio? E os outros estados? E a falta de segurança na fila, que era dividida em pagamento em dinheiro e cartão, deixando os coitados da fila do dinheiro morrendo de medo dos trombadinhas que rondavam os locais?
E que idéia é essa de vender 10 ingressos por pessoa? E ainda por cima alegar que fizeram isso para dificultar o mercado negro? Dificultar como, exatamente, se agora já tem gente vendendo o ingresso a R$600 (sendo que pagou R$200)? Um amigo ficou 13 horas na fila, tendo que lidar com desculpas do tipo: “acabou a tinta da impressora” e “o sistema caiu”. Quando estava a três metros do guichê, avisaram que os ingressos tinham acabado. A Polícia Militar já estava a postos, mas mesmo assim começou o quebra-quebra. Vandalismo puro dos fãs revoltados. Saiu de lá frustrado, cansado, estressado e sem ingresso. Pra completar teve insolação à noite.
Ouvi falar de falsas grávidas, de pessoas que levavam idosos para poder furar a fila, de gente que mandou o motorista, a empregada, o irmão... E eu aqui, reles mortal trabalhadora assalariada e responsável, tentando honestamente comprar meus ingressos na porcaria do site, que não funcionava nem com reza brava.
Então pensei na solução: para o show do dia 21, ao invés de só limitar o número de ingressos por pessoa, porque não obrigar a apresentação de RG para comprar? Sim, convites nominais. Esse esquema funcionou muito bem na festa de Reveillón que eu fui.
Se, por acaso, a pessoa desistir e quiser vender o ingresso, poderia fazer uma procuração para repassar o convite! E pronto, como é que os cambistas atuariam aí? Óbvio, eles sempre dão um jeito, mas isso sim seria dificultar o mercado negro. Encheção de saco por encheção de saco, prefiro burocracia do que violência e stress da fila.
Mas a esperança é a última que morre. Enquanto os fãs esperam pra ver como será a venda dos ingressos para o próximo show, eu vou rezando pra conseguir ganhar o sorteio do Pão de Açúcar.
Aliás, doações de cupons serão bem-vindas.
Coisas sobre Recife
Recife é a capital de Pernambuco. Com aproximadamente 1.421.947 habitantes, é a quarta maior cidade do Brasil. Devido à colonização holandesa e portuguesa, a cidade possui uma rica diversidade cultural. É cortada por rios e banhada pelo mar, e por isso é conhecida como “A Veneza brasileira”.
Alguns fatos sobre Recife:
· O nome da cidade foi inspirado nos arrecifes, a muralha de coral que acompanha a orla a cerca de 100 metros da areia, e que forma um tipo de piscina entre a praia e os arrecifes. (que também protegem os banhistas contra ataques de tubarões...).
· O melhor período para visitar a cidade é de setembro a abril. No verão, a cidade fica muito movimentada. Durante o inverno, as chuvas são mais freqüentes, mas a temperatura continua alta e os preços ficam mais acessíveis do que na alta temporada.
· A praia de Boa Viagem, com 7km de extensão, é a principal praia urbana de Recife e onde estão localizados os melhores hotéis e restaurantes. Os restaurantes Porcão e Bargaço possuem filias na cidade.
· A 15 minutos ao norte de Recife fica Olinda, cidade patrimônio da humanidade, que possui um dos mais conhecidos e animados carnavais de rua do país. Ao sul de Recife fica Porto de Galinhas, a 60 km da capital, uma das praias mais bonitas do Brasil.
· Os recifenses são boêmios assumidos. O Bairro do Recife (ou Recife antigo) tem diversos bares com mesinhas na calçada. A Galeria Joana D’Arc, no Pina, é um dos principais points da vida noturna da cidade. Possui uma creperia, um sushi bar, um bar de comida árabe e um mexicano.
· A cidade também oferece diversos programas culturais. A Casa da Cultura e a Oficina de Cerâmica Brennand são excelentes lugares para apreciar a arte local.
· O Shopping Center Recife é um dos maiores da América Latina. Há três praças de alimentação e cinema UCI.
· Pernambuco é o estado do frevo e do maracatu. A palavra frevo vem de ferver. De origem urbana, surgiu nas ruas do Recife. A palavra maracatu provavelmente origina-se de uma senha combinada para anunciar a chegada de policiais que vinham reprimir uma brincadeira. A senha era anunciada pelos toques dos tambores que emitiam o som.
· O jeito certo de falar é “eu sou do Recife”, “eu vou para o Recife”, e assim vai.
Pronto, já sei o suficiente. Agora só preciso de um feriado. E pode me esperar, D, porque eu vou mesmo!
Em crise
Não sei viver no marasmo. Se as coisas ficam paradas por muito tempo, eu fico incomodada. Começo a procurar problema pra resolver. Confusão mesmo. Preciso ocupar a cabeça com alguma coisa.
Por exemplo, no trabalho. Não agüento rotina repetitiva. Perco a motivação e o tesão de fazer minhas atividades repetitivas. Mas aí de repente, surge uma crise. Que movimenta tudo, estremece as bases, gera conflitos, brigas, discussões. Fica todo mundo estressado, fazendo mil cobranças e pressões. É bem nesse momento crítico que eu gosto de entrar. Adoro analisar a situação, buscar diversas soluções e dar um “sossega leão” em todos os estressadinhos.
É óbvio que eu me estresso muito também. Fico impaciente, elétrica, enlouquecida. Mas a sensação é tão boa, que vale a pena.
Atualmente as crises andam cada vez mais raras, o que me deixa muito triste. Mas hoje tivemos uma. Depois de muito tempo, meu espírito apaziguador foi despertado. Acabei de olhar no espelho e dar as boas-vindas ao meu mais novo fio branco, espetado bem na frente da minha cabeça.
De olhos bem fechados
No sábado à noite encontrou alguns amigos em um bar e aproveitou para colocar o papo em dia. Mas o que inicialmente seria uma noite curta acabou se prolongando além do esperado.
Ouviu falar de uma festa, na casa de um cara. Foi convencida de que valeria a pena ir, e como já tinham colocado seu nome na lista, topou acompanhá-los.
A casa ficava numa rua fechada e escura. Quando chegaram, vários carros já estavam estacionados, dominando a rua estreita. Um portão de ferro preto gigantesco e um muro altíssimo protegiam a mansão.
Cinco armários engravatados e nada sorridentes estavam plantados do outro lado da rua, e mais três estavam na porta ao lado da hostess com a lista na mão. Entraram na fila, que naquele momento não estava muito grande. Não dava para ouvir música nenhuma, e o silêncio chegava a ser constrangedor. Que raios de festa sem música era aquela? De quem era aquela casa? Quando chegou a vez deles, falaram os nomes, mostraram os RGs e entraram. O clima de mistério pairava no ar.
Passando o portão, se depararam com uma rampa íngrime à esquerda, que deveria ser a garagem da casa. Desceram devagar, e chegram a uma outra porta. Atrás dela, havia um pátio ao ar livre, com pufes e várias pessoas em pé conversando. Dali, já se podia ouvir um pouco da música. Andaram em direção a uma outra porta, mais estreita e baixa, passando por uma jacuzzi com duas mulheres esculturais de shorts jeans e biquínis que serviam cerveja para os convidados.
Já estranhando o ambiente, eles passaram pela porta, que levava a um corredor minúsculo que os obrigava a andarem abaixados. No final do corredor, chegaram a um porão estreito e escuro, com o teto também extremamente baixo e a música alta. “Não é à toa que não dava pra ouvir nada da rua. Que lugar é esse?”.
Logo que entraram no porão, se depararam com uma roda de pessoas batendo palmas e gritando. No centro, uma dançarina do ventre se contorcia no chão fazendo malabarismos com fogo.
Passaram pelas pessoas e atravessaram o porão até o outro lado, para pegarem bebidas. Pararam em frente ao DJ e ficaram ali, dançando e conversando. O lugar era completamente fechado, e de um lado tinha paredes de vidro com vista para um jardim. A primeira coisa que pensou foi: “Se tiver um incêndio aqui, todos vão morrer carbonizados ou pisoteados”.
As pessoas que estavam ali não eram o tipo de gente que costumava encontrar nos lugares que frequentava. Viu alguns rostos conhecidos e até alguns amigos, mas a maioria das pessoas pareciam ter pulado de uma revista. Modelos, atores e muitos estrangeiros. Continuaram dançando por algum tempo, até que o local encheu demais e o calor se tornou insuportável.
Resolveu voltar para o pátio para tomar um ar, e mais uma vez se abaixou para passar no corredor estreito. Chegando lá, viu que estava ainda mais cheio do que antes. Mal conseguia andar ou ficar parada conversando sem levar trombadas de ninguém.
Notou que no canto direito do pátio tinha uma escada, com três seguranças de braços cruzados e caras de poucos amigos fechando o caminho. A escada levava a um pátio, que provavelmente tinha entrada para a casa. Começou a observar o movimento de pessoas que entravam e saíam, e imaginou o que estaria acontecendo dentro da casa. Orgias, surubas, pessoas se drogando. Sentiu um certo incômodo. Olhou para os lados, procurando seus amigos, e não encontrou ninguém conhecido.
Finalmente chegou a conclusão de que aquilo tinha valido como experiência, mas que ela realmente não pertencia aquele lugar. Virou as costas e foi embora, deixando para trás o Mundo de Vogue sem o menor ressentimento.
Se fosse sempre assim...
Estava eu feliz e contente fazendo minhas compras no supermercado do lado da minha casa, num sábado de manhã quente de verão. Olhei os produtos com calma, escolhi o que queria, resolvi experimentar algumas coisas diferentes e comprei coisas que nunca tinha comprado antes. Foi tipo um passeio, fiquei horas lá, sem pressa nenhuma.
Carrinho abarrotado, lá vou eu pra fila do caixa. Atrás de mim chega uma menina com uma cestinha humilde com quatro produtos. Como estou de bom humor, resolvo oferecer pra ela passar na minha frente. Sorrindo, ela agradece.
Com a mesma calma de antes, vou colocando os produtos no balcão e quando vejo o cartaz: Promoção U2 no Brasil – a cada 100 reais em compra, um cupom para o sorteio de convites na área VIP.
Olho para minhas compras e suspiro. Pelo menos dois cupons estavam garantidos. Resolvi ligar pra minha mãe, que também compra no Pão de Açúcar, para pedir que ela preenchesse os cupons dela com o meu nome. A resposta foi:
- Mas eu não quero ir no show.
Depois de um certo trabalho de convencimento, desligo o telefone com a certeza de que tinha garantido mais alguns cupons. A moça do caixa me olha, curiosa:
- E aí, sua mãe vai preencher os cupons pra você?
- Vai... mas ela não queria muito, não.
- Você gosta muito do U2??
- Nossa, muito, sempre quis ir no show deles, mas vai ser uma loucura pra comprar ingresso. Aonde já se viu, começar a vender numa segunda-feira as 10h da manhã, como se ninguém trabalhasse!!!
Com um olhar compreensivo, a moça olha rapidamente para os lados, abre a gavetinha embaixo da mesa e tira um bolinho de cupons:
- Então ó, pega esses cupons que as outras clientes não quiseram levar. Shhhh não conta pra ninguém!!
Saí de lá feliz da vida. Talvez isso tenha acontecido porque eu fiz uma boa ação deixando a outra moça passar na minha frente. Não importa o motivo, mas me fez pensar que, se mais pessoas tratassem os outros assim, a vida seria bem mais agradável.
Atitude!!!
Se tem uma coisa que me irrita profundamente é falta de atitude. Às vezes não chega nem a ser comodismo, mas simplesmente falta de iniciativa. E eu não consigo entender como as pessoas não vão atrás do que querem. Como se tivesse alguma chance das coisas caírem do céu!
Se você quer fazer uma viagem, vá atrás, pesquise.
Se você quer sair com uma pessoa, tome a iniciativa, ligue, apareça.
Se você quer estudar, se informe, escolha.
Se você quer comer, vai pra cozinha, ou liga pra um delivery.
Se você quer emagrecer, se mexa, feche a boca.
Se você quer mudar de emprego, comunique os amigos, publique o CV num site.
Se você quer resolver um mal entendido, passa a mão no telefone, escreva uma carta.
Se você quer fazer algum programa, dê sugestões, convide as pessoas.
Se você quer ajudar, se ofereça, converse.
Se você pode escolher e fazer acontecer, porque deixar nas mãos dos outros?
Pensar, falar e reclamar é tão fácil...
Experiência culinária
Eu não tenho muitos dotes culinários (lê-se: nenhum). Mas fome eu não passo, principalmente com a quantidade de restaurantes delivery que atendem o meu bairro. Além disso, sei fazer tostex, macarrão, ovo, omelete, arroz e carnes e legumes no meu incrível George Forman Grill.
Logo que mudei pra SP, a realidade era diferente. Era menos prendada, ainda precisava ler a receita de arroz para acertar as medidas e vivia à base de lasanha de espinafre congelada da Sadia.
Um belo dia, eu e meu irmão decidimos fazer alguma guarnição além do arroz para acompanhar o picadinho (congelado, óbvio) que minha avó tinha mandado pra gente. Resolvemos fazer farofa, uma das minhas comidas preferidas (herança do avô baiano – já comi farofa até com pizza!). Já na frente do fogão, começamos a discutir:
- Como será que faz?
- Bom, tem que colocar uma manteiga na panela antes e depois jogar a farinha!
- Só? Mas as da casa da mamãe não parecem assim tão simples.
- É que lá acho que a Sueli coloca cebola, ovo e aquele “verdinho”.
- Hmm, aqui não tem nem cebola nem verdinho.
- É, mas tem ovo!
- Ótimo, então vamos botar um pra ver como fica.
- Quebra você, menino, que eu tenho nojo!
- Ai sai pra lá que você não entende nada de cozinha.
- Ah, e você entende?
- Fica quieta que a farofa tá ficando esquisita...
- Eca, porque o ovo continua cru?
- Não sei, mas não tá pegando na farinha... Tá meio seca essa farofa, né?
- É mesmo, e eu gosto de farofa molhadinha.
- Eu também. Pega aí um pouco de água pra gente jogar.
Tshhhhhhh!!!!!!
E o que antes era só uma farofa seca, se tornou uma bolota de farinha com ovo cru.
A nova amiga
Um belo dia ela apareceu. Talvez já tivesse se mostrado antes, mas não tão descaradamente. Não tem como saber, mas é difícil acreditar que uma pessoa com uma presença tão marcante quanto a dela passasse despercebida.
Quando se deu conta de que ela tinha chegado estava numa festa, e sua primeira reação foi rir. Riu de loucura, riu porque achou graça. E a recebeu de braços abertos. Pensou:
“Ok, isso não é o tipo de coisa que eu faria normalmente. Minhas próprias amigas não me reconheceriam nesse momento. Mas a verdade é que eu fiz. E gostei. E agora?”
Deixou as reflexões pra depois e foi pra casa dormir. No dia seguinte, se deparou com um e-mail que aparentemente fora enviado por engano. O remetente era anônimo e o conteúdo não importa agora. Mas o nome do destinatário estava lá, bem claro: Isa.
No mesmo momento teve uma luz. “Isso é um sinal”, pensou. E então decidiu que esse seria o nome da sua mais nova amiga.
Contou para algumas pessoas próximas, que a princípio debocharam dela. Não se importou. Não estava nem aí se achavam que ela tinha enlouquecido. Ela simplesmente preferia pensar que a Isa era corajosa, irreverente, espontânea e impulsiva. Pensava: “se machuca ninguém, qual é o problema?”.
Na primeira vez que saiu depois de ter conhecido a Isa, foi num show do Chiclete. Ela sempre se divertia nesses shows. Pulava, cantava, dançava e ria muito. Mas naquele dia seria diferente.
Estava dançando empolgada com a Carol, sua grande companheira. Estavam no camarote e a decoração era diferente da área comum do show. Tinha pufes enormes, para as pessoas sentarem quando estivessem cansadas. No começo, não conseguia entender a utilidade daquilo no meio da pista. Ocupavam um espaço imenso, e não tinha visto ninguém deitado ali. Até que começou um empurra-empurra e vários meninos começaram a se jogar nos pufes. A primeira reação das duas foi se afastar, para que não corressem o risco de se machucar.
Continuaram dançando, quando a Carol viu que estava sozinha. Começou a olhar para os lados, procurando pela amiga. Tinha desaparecido na confusão do show. Uma chuva de isopor caía do céu, e as milhares de bolinhas a impediam de enxergar além da cortina branca. Contornou o lugar de onde vinha a chuva, para ver se a encontrava. Levou um susto quando viu que, não só ela estava no meio da bagunça, como era ELA quem estava jogando o pufe rasgado pra cima e fazendo guerrinha de isopor. Ela sorria e gritava com seus novos amigos, e se divertia como uma criança na neve.
E então a Carol entendeu. Se divertiu tanto aquele dia, que até hoje, quando vai sair com aquela amiga, pergunta quem é que vai: ela ou a Isa.
A calça branca
Vi uma vez no Sex and the City que toda mulher tem uma peça de roupa importante que representa alguma coisa e está relacionada a uma época positiva da vida dela. Na maioria das vezes essa peça está ligada ao físico da pessoa. No caso da Miranda, ela emagreceu tanto que conseguiu vestir um jeans que não usava há anos. Com isso, conquistou uma auto-confiança que não tinha desde que seus 20 e poucos anos, e conseguiu se sentir como uma jovem mulher, e não uma executiva workaholic.
Eu também tenho a minha peça ideal. Um jeans branco. Uma calça que usei no reveillón de 2003, em Fortaleza, quando estava no auge da minha magreza. Não cheguei a usá-la muito, porque não estou acostumada a usar peças brancas no dia a dia e depois de alguns meses tive a maravilhosa idéia de parar de fumar e acabei engordando. Nunca mais a calça serviu.
Aí há alguns meses, tive outra brilhante idéia: emagrecer novamente. Já fez dois anos que parei de fumar e não tenho mais motivo ou coragem para continuar dando essa desculpa. Arregacei as mangas e corri (literalmente) atrás do prejuízo.
Já tinha emagrecido um pouco, quando resolvi experimentar a calça para ver se servia. Estava procurando roupa para o reveillón e achei que seria perfeito se pudesse usá-la novamente. Ledo engano. Não só ela não serviu, como me deixou louca de raiva. Decidi não tentar de novo até ter quase certeza de que ela vai ficar boa.
Hoje, coloquei uma outra calça que antes me apertava a alma. Serviu! Sua importância não se compara à da calça branca, mas já é um sinal que meu objetivo está mais próximo de ser atingido. E isso dá um ânimo, extremamente necessário quando temos uma meta a cumprir.
The Oblongs
Esses dias vi o desenho mais bizarro que já vi na vida. Encontrei no site do SBT a sinopse:
“The Oblongs” retrata uma família que vive perto de um pântano poluído em Hill Valley e que ocasionalmente tem a perda de membros ou misteriosos crescimentos corpóreos. Mas isso não os incomoda em nada! Eles são super unidos, quase a ponto de se fundir, literalmente... E sempre têm como compartilhar um pouco de sua sabedoria com quem precise.Vi dois episódios. No primeiro, não consegui entender nada. O pai sem braços e pernas, o filho com cara de frigideira, os irmãos siameses e a mãe careca e alcóolatra...
No segundo episódio, o filho do meio (Milos) fez uma apresentação na escola sobre a árvore genealógica da família. Explicou que os ancestrais da sua família foram passear em Hiroshima no verão de 1945, quando explodiu a bomba atômica. Como todos ficaram muito feios para conseguir maridos ou esposas normais, eles começaram a casar entre si mesmo. Pra completar, um dos tios do menino é um chimpanzé. Sim, um chimpanzé.
Mas isso não é nada. Todos os amigos do Milos são esquisitos e têm alguma deficiência ou defeito. Uma das meninas é tão gorda que tem ratos morando nas suas costas. E convive bem com eles. Só a idéia me dá calafrios...
Em um dos episódios, Milos disputa uma vaga no conselho estudantil com umas das meninas mais populares da escola, Debbie. Sabendo que tinha chances mínimas de ganhar as eleições, Milos decide recorrer às minorias do colégio para conseguir votos. A melhor cena é quando ele procura os Albines for the Lord, um grupo de albinos religiosos que vivem no escuro. Quando ele começa a rezar para pedir ajuda, as nuvens se abrem e Deus manda um raio de luz, fazendo os albinos fugirem gritando de medo.
Pra piorar toda a confusão, Debbie sofre um acidente e fica desfigurada. Rejeitada por sua turma popular, a menina passa a viver com a família Oblong para aprender a se conformar com sua nova realidade. Mas assim que consegue recuperar sua beleza, com a ajuda da família Oblong, Debbie é aceita novamente por seus amigos bonitos e volta a ignorar Milos.
Enfim, é muito difícil explicar o que é esse desenho. É mais difícil ainda entender o que passa na cabeça de Angus Oblong, o criador dessa aberração... Mas que garante umas boas, risadas, ah isso garante!
Pamonha tipo exportação
Nasci e cresci em Piracicaba. Só vim pra São Paulo com 17 anos (ai meu Deus, o tempo tá passando) para fazer faculdade e acabei ficando por aqui.
Não sou uma nativa tradicional. Só entrei no Engenho Central com 15 anos, só fui passear no Véu da Noiva com 21, só almocei na rua do Porto com 22 e até hoje nunca fui na Casa do Povoador. Não sei nome de quase nenhuma rua (principalmente as do centro, que são todas iguais), mas nem por isso eu sou uma perdida na cidade.
Em compensação, já me entupi de sorvete no Cocão e na Paris, já fiz buraco no chão de tanto andar na Esalq a pé e de carro na Carlos Botelho, já tomei muita garapa, já dancei até o DJ da Dandy gritar “Boooooa nooooite Mr. Dandyyyyyyy!!!” milhões de vezes e já tomei muita caipirinha no Deck.
O que as pessoas não se conformam, é que nunca comi pamonha. É verdade. Nunca. Nunquinha. Não sei a cara que tem direito. Pode me crucificar, me xingar de desnaturada, herege. Mas eu não tenho a menor vontade!
E não é por isso que eu sou menos piracicabana! Pamonha não é o lanche que as criancinhas comem no recreio da escola, as mães não fazem pamonha em casa (pelo menos as que eu conheço) e no final de semana as pessoas não saem pra comer pamonha!
Mas a minha bronca tem ainda mais fundamentos. Na época do colégio costumava tirar cochilos valiosos depois do almoço. E praticamente todos as tardes eu era acordada, ou pela Ultragás (com aquela música iiiiiiiiinsuportável, que fica ligada no máximo volume, mesmo com o caminhão parado na porta da sua casa) ou pelo tiozinho da Brasília que gritava:
- Pamonha, pamonha, pamonha. Pamonha fresquinha, pamonha caseira. Pamonha de Piracicaba. Venha provar, minha senhora, é uma delícia. Pamonha, pamonha, pamonha. É o puro creme do milho verde. Temos cural e pamonha.
Não que eu negue minhas raízes, pelo contrário. Não tenho problema nenhum em falar que sou de lá, e até agüento bem as piadinhas do sotaque (que eu nunca tive) e das pamonhas que praticamente todo mundo faz. Gosto de voltar pra lá de vez em quando. Aprecio a tranqüilidade da cidade, visito meus pais, reencontro meus amigos e tenho lembranças maravilhosas. O barulho das cigarras, os passeios de bicicleta, as tardes no Clube de Campo, a Festa das Nações, o hot dog do Silvião, o pôr do sol em Monte Alegre, o amendoim do aeroclube, os eucaliptos do CLQ e o cheiro de bolacha Nabisco que vinha da fábrica, a piscina da casa da Letícia, as festinhas da Carol, os cafés da manhã na casa da Rafa, o submarino no Saravá...
Um dia desses alguém teve uma reação indignada pelo fato de eu nunca ter comido pamonha. Fiz a usual cara de “putz, fazer o quê né, você viu só que coisa?”, e continuei a fazer o que estava fazendo. Depois de uns dez minutos, ainda inconformado, o cara fala:
- Acho que as pamonhas de Piracicaba talvez sejam produto de exportação.
Brilhante. É, talvez seja isso mesmo.
Lista 3: #7
... dias na semana
... pecados capitais
... maravilhas do mundo
... cores no arco íris
... anões da Branca de Neve
... vidas têm os gatos
... dias pra criar o mundo
... de setembro
... palmos embaixo da terra
... notas musicais
... anos de azar
... artes
... chakras
... propósitos da ioga
... sábios da Grécia Antiga
... anos de Hogwarts
... melhores da Pan
E ainda:
A casa das 7 mulheres
Navegador dos 7 mares
Segredo guardado a 7 chaves
Pintando o 7
Highlights do Reveillón
A viagem para o Rio teve alguns momentos que merecem ser compartilhados com o mundo. (Atendendo a pedidos, vou desrespeitar a ordem cronológica para deixar o melhor para o final.) São eles:
1) Depois da festa de Reveillón, que foi na Marina da Glória (e por ser uma marina não tinha praia nem onda pra pular), a melhor idéia que eu tive foi ir pra praia pular as minhas sete ondas. O problema é que meu amigo queria ir pra Barra da Tijuca, onde ele estava ficando, que todo mundo sabe que é do outro lado do mundo. Pegamos um taxista doido, que ligou um hip hop no último volume e corria loucamente pelas ruas do Rio, até que começou a gritar “olha isso malandro!!”, puxou o freio de mão no meio da avenida e desceu correndo com um extintor na mão para socorrer o velhinho dono do Fusquinha verde em chamas. A cena foi tão surreal que dou graças a Deus que não estava sozinha e alguém pode comprovar isso pra quem duvidar da história. O pior, quando ele voltou pro táxi, a primeira coisa que disse foi:
- Caraca, perdi 15 contos com essa brincadeira aí.
2) Quando finalmente chegamos na praia, tirei as sandálias e dei para o amigo segurar junto com a bolsa, porque eu tinha que segurar a saia que ia até o pé, pular no pé direito e pensar nos meus pedidos. Foi difícil, mas eu consegui. Quando terminei, abaixei para lavar as mãos no mar e levei uma ondada na cara, que molhou meu cabelo inteiro. Fiquei completamente enxarcada e sem reação, de tão ridícula que tinha sido a cena.
3) O café da manhã no hotel, direto da praia, com o cabelo molhado de mar, a saia suja de areia, mancando do pé direito por causa da sandália e com a cara de quem tinha varado a noite pulando, e o olhar indignado das pessoas felizes que tinham dormido as oito horas recomendadas e estavam limpas e secas fazendo a refeição mais importante do dia com suas famílias.
4) Na primeira noite, comentei com a minha amiga antes de sair o quanto eu adorava quando os hotéis colocavam bombom na cama à noite. Quando voltamos da balada acabei sendo obrigada a dormir no lado dela da cama porque ela capotou no meu (porque estávamos em uma cama de casal é uma longa história que não cabe aqui), que já estava prontinho pra mim. Acordei toda suja de chocolate porque eu não vi que ela não tinha tirado o bombom dela da cama e rolei nele a noite inteira. Detalhe: ele era menor que um Alpino, mas fez um estrago tão grande no lençol que parecia mais uma barra de Sufflair. Tive que explicar a situação na recepção no dia seguinte para que não houvesse um mal entendido e eu não virasse a piada do hotel. Mas óbvio que acabei virando mesmo assim.
Não parece piada de mau gosto?? Ainda bem que eu sei rir de mim mesma...
Mas o que me conforta mesmo é que quando eu estiver bem velhinha vou ter várias histórias bizarras pra contar.