O último do ano
Depois de uma semana solitária trabalhando em SP, com um record mínimo de visitas por dia no blog, finalmente minha hora chegou!
To indo embora! Vão ser só 3 dias, mas é melhor que nada. O final de semana promete!
Semana que vem estou de volta! Boa virada pra todos e feliz ano novo!!!
beijos
Lista 2: Ano Novo
Coisas que eu preciso fazer na virada do ano:
- vestir roupa branca
- usar lingerie nova (a cor é escolhida de acordo com a prioridade do ano)
- pular 7 ondas com o pé direito, fazendo um pedido para cada onda
- beber champagne
- comer 12 uvas verdes
- comer lentilha
- não comer nenhuma ave (nada que cisque ou tenha asas)
- pensar nas pessoas queridas que fazem ou fizeram parte da minha vida
- abraçar e beijar os amigos que estiverem por perto
Uma noite em claro
Ontem cheguei em casa tarde depois de um dia cheio, tomei um banho e capotei. Estava exausta, e nem precisei ler para pegar no sono.
Dormia alegre e feliz quando, precisamente às 02h15 da madrugada, meus olhos se abriram. Olhei para o relógio, depois para o reflexo da janela entreaberta no teto do quarto e respirei fundo. Fechei os olhos de novo, mas eles insistiam em ficar abertos. Fechei de novo, com força. E eles abriram de novo...
“Deve ser sede”, pensei. Bebi a água que estava do lado da cama. Deitei novamente e fiquei brigando comigo mesma, fritando de um lado pro outro da cama, até as 03h30.
Ouvi minha barriga roncar e deduzi que a fome era responsável pela minha falta de sono. Fui até a cozinha e fiz uma torrada. Comi em pé mesmo, olhando a noite pela janela da sala. Pus a cabeça pra fora para sentir o clima da madrugada, e ouvi um barulho que parecia uma martelada suave, mas não dei muita atenção a isso. Peguei um copo de água e voltei pro quarto.
Meus olhos ainda não estavam a fim de fechar. Cansada de brigar, acendi o abajur, peguei o livro que eu estava lendo (e que estava pela metade). A leitura com certeza iria me ajudar. Terminei de ler o livro, mas não dei nem uma “pescada” sequer.
“Agora eu vou dormir”, pensei. Afinal de contas, eu não estava tensa, ansiosa, nervosa ou preocupada, e não sentia cansaço físico. Não costumo ter insônia, e não sei lidar com isso. Fico ali, tentando, insistindo, rezando pro sono chegar.
Apaguei a luz, suspirei e fechei os olhos. Resolvi fazer a respiração que eu aprendi na aula de teatro, que frequentei por dois meses na 8ª série (sim,
respirar pela barriga).
Quando estava lá, no auge da concentração para respirar direito e limpar a mente, comecei a ouvir a martelada novamente. E o barulho não parava. Não podia ser alguém pregando um quadro, a essa hora da noite. Será que era algum vizinho entediado sentado na cama e batendo com uma bolinha na parede? O que mais poderia ser?
Fui ficando irritada, e resolvi pegar o iPod. Viva os fones de ouvido! Liguei o som num volume agradável, no álbum do Damien Rice, que é bem zen e tranqüilo. Parei de ouvir a martelada, mas perdi o controle da minha concentração. Comecei a viajar em lembranças e pensar nas coisas que eu tinha pra fazer, nas minhas resoluções para o ano novo, na festa de Reveillón... E dormir, que era bom, nada...
O tempo passava, a obsessão pela necessidade de dormir crescia e a possibilidade de cair no sono diminuía. Já estava planejando esperar até as 6 horas, sair para dar uma corrida, tomar um banho quente e o café da manhã no Fran’s, como fazia antigamente. Hmm, papaya e suco de laranja fresquinhos... a idéia me parecia muito boa.
Mas resolvi dar uma última chance. Meus recursos já estavam se esgotando. Pensei que talvez se eu mudasse a trilha sonora, conseguiria me desprender dos pensamentos e relaxar. Eram 05h45 quando coloquei na playlist de música clássica, que eu nunca tinha ouvido, mas sabia que um dia ia precisar. Ouvi umas quatro músicas, até que finalmente dormi.
E, como se nada tivesse acontecido, o despertador tocou às 7h.
Reveillón III
O que mais você pode fazer na virada:
DAR TRÊS PULINHOS, com uma taça de champanhe na mão, sem derramar uma gota. Depois, jogar todo o champanhe para trás, de uma vez só, sem olhar, para deixar para trás tudo de ruim. E não se preocupe em molhar os outros: quem for atingido pelo champanhe terá sorte garantida o ano todo.
SUBIR NUM DEGRAU, numa cadeira, enfim, em qualquer coisa num nível mais alto. Diz o folclore que isso dá impulso à sua vontade de subir na vida. Comece, é claro, com o pé direito.
FAZER BARULHO é uma forma de afugentar os maus espíritos que os povos antigos praticavam. Vale apito, batucada, bater panelas, desde que seja exatamente à meia-noite. Dizem que não há mal que resista.
ACENDER VELAS NA PRAIA ou jogar rosas nos espelhos de água, em intenção de Iemanjá. A deusa africana protege seus fiéis, com saúde, amor e dinheiro o ano todo, dia o candomblé.
COLOCAR UMA NOTA DE DINHEIRO DENTRO DO SAPATO, porque os orientais dizem que a energia entra no nosso corpo pelos pés. Vai daí, o dinheiro no sapato para atrair mais e mais riquezas.
Reveillón II
O que comer:Lentilha: Para os supersticiosos, a lentilha é sinônimo de riqueza e fartura. No antigo testamento cristão, o gesto de repartir uma porção de lentilhas significava distribuição e comunhão. A lenda diz que comer pelo menos uma colher já garante prosperidade para o ano todo!
Uvas verdes: Comer doze bagos de uva (uma para cada mês) é mais um dos caminhos para se alcançar prosperidade.
Folha de Louro: Para se proteger do mau-olhado e atrair dinheiro, colocar uma folha de louro na carteira, para afastar as energias negativas.
Peixe e Porco: No folclore popular, carnes de aves que ciscam para trás como o frango e o peru, significam atraso de vida. Por isso prefira comer peixe, porco ou carneiro. O peixe está associado à idéia de purificação, já que vive na água. No extremo oriente, o peixe também representava união por andar sempre em cardume. Já o porco, por gerar muitos filhotes, significa prosperidade. O animal "fuça" para frente e garante fartura o ano todo. O carneiro, por sua vez, simboliza a primavera e está associado à idéia de reinício da vida.
Romã: Dinheiro e felicidade. Estas são algumas das dádivas atribuídas às pequenas sementes da saborosa romã. Para quem acredita, morder três sementes de romã na virada do ano e depois guardá-las na carteira de dinheiro até o ano seguinte é promessa de fartura.
Champagne: Estoure a garrafa, beba à vontade e se ainda conseguir descobrir o destino da rolha, (sempre imprevisível), guarde-a porque a promessa é de dinheiro! Se não encontrar a tampa da garrafa, não tem problema. Dê três pulinhos com uma taça cheia na mão sem derramar uma gota. Garantia de sorte!
Reveillón I
O Ano Novo é um dos momentos que eu mais gosto no ano. Gosto dos preparativos, dos rituais, da expectativa, dos sentimentos, da festa... Por isso, busquei em fontes diversas várias informações referentes a esse tema, simplesmente por que eu adoro! Vou postando aos poucos...
O que vestir:Passar a virada do ano de branco já é tradição no Brasil. Mas cada cor representa uma coisa diferente. Pense nas suas prioridades para 2006 e escolha as cores que você deseja começar o ano.
Amarelo – Aguça a inteligência, agiliza o raciocínio. Simboliza a troca, mudanças e estudo. Relacionada também à fortuna e prosperidade.
Azul - Representa a verdade, serenidade, compreensão e prosperidade.
Branco – Representa pureza e sinceridade. É utilizada para obtermos paz de espírito, harmonia e equilíbrio.
Laranja – Conhecida como a cor do prazer, da euforia e da jovialidade. Seu caráter quente e estimulante inspira o entusiasmo. Ligada a sentimentos de riqueza, vitalidade e dinamismo.
Rosa – Representa a beleza, o amor e a moralidade.
Vermelho - Representa o dinamismo, a força e a coragem. Pode ser usada em qualquer situação relacionada a emergências. Além disso, é a cor da paixão e do sucesso.
Violeta ou Lilás - Forte ligação com a espiritualidade.
Verde - Simboliza a calma, a tranqüilidade, o equilíbrio e a esperança. Traz saúde e riqueza.
A piscina mais legal do mundo
Fui passar uns dias de férias no Rio de Janeiro, com mais três amigos. Ficamos hospedados na casa de um deles, que sempre ficava no Rio e conhecia a cidade tanto quanto um nativo.
Fizemos todos os programas tradicionais de quem visita a Cidade Maravilhosa. Um dia, voltando da praia, o amigo perguntou:
- Vamos nadar na piscina da suíte presidencial do Copacabana Palace?
- O quê?? Como assim?
- Ah, é tranqüilo, eu sempre vou. A piscina fica numa sacada, de frente pro mar e o azulejo é preto, muito diferente. Vamos?
- Como é que a gente vai conseguir entrar lá sem estarmos hospedados no hotel?
- É só vocês me seguirem e deixarem que eu falo, se precisar.
Olhei para as meninas, receosa. Não podíamos negar que a idéia era tentadora. Ficamos animadas e acabamos concordando.
Chegamos no luxuoso hotel, deixamos o carro com o manobrista e entramos. Passamos direto pela recepção, como se fôssemos hóspedes. Meu coração batia acelerado, e eu tentava disfarçar meu nervosismo para não dar bandeira.
Pegamos o elevador, e lá fomos nós para a cobertura do Copa. Chegando lá, nosso “guia” foi na frente, andando cuidadosamente pelo corredor silencioso. Não encontramos nem uma alma viva enquanto caminhávamos em direção à sacada.
No final, o corredor virava para a direita. Apoiamos na parede e nos inclinamos para ver além porta de vidro da sacada. Andamos mais um pouco e... vimos que tinha gente na piscina!!!
Não dava pra acreditar, tanto nervosismo para nada! Meu amigo disse que já tinha ido várias vezes nadar ali, e que nunca tinha encontrado ninguém...
Voltamos para o elevador, em silêncio. Estávamos muito decepcionados. Tanto mistério para ver três velhinhos gordinhos de sunga, nadando na piscina mais legal do mundo.
Antes de chegarmos no térreo, meu amigo teve outra idéia:
- Já que não conseguimos nadar na piscina presidencial, vamos nadar na convencional mesmo!
Topamos, sem hesitar. O nível de adrenalina já estava alto demais para desistirmos agora.
Viramos à direita no saguão de entrada e fomos para o jardim. Contornamos a piscina e escolhemos um lugar para sentar.
Resolvi entrar na piscina para me refrescar. Meu amigo veio comigo. Quando estávamos com a água na altura dos joelhos, um segurança engravatado se aproximou, dizendo que não podíamos ficar ali. Fomos pegos com a boca na botija, no pulo do gato, de surpresa, totalmente desprevenidos. Tentamos convencê-lo de que estávamos esperando nosso pai, que estava hospedado no hotel, mas mesmo assim ele não nos deixou esperar na piscina.
Frustrados, resolvemos ir embora. Duas tentativas mal sucedidas em seguida era o suficiente para desistirmos de nadar nas piscinas do Copa.
Quem sabe um dia eu volto. Como hóspede, e não como invasora!
Soluções para o sono
Final de ano é cheio de comemorações. Só do trabalho já tive um almoço, um café da manhã, um happy hour e um jantar. Essas duas últimas semanas estão especialmente agitadas. Saí todos os dias, pra mais de um lugar por noite.
Adoro ver meus amigos, sentar em mesa de bar e ficar jogando conversa fora. Adoro fazer um social! O problema é que isso tudo dá me dando um sooooooono descomunal. A conseqüência? Dois cochilos por dia. Aonde? Vou manter o mistério para contar minha trajetória e justificar a solução que encontrei (além de enrolar para tentar amenizar o impacto da mesma).
Essa não é a primeira vez que eu descubro um jeito de dormir no trabalho.
No meu primeiro emprego, às vezes ficava sem ter muita coisa pra fazer e o meu chefe passava algumas tardes fora. Como era uma agência pequena e por um tempo eu fui a única funcionária, bastava ele virar as costas para eu afofar minha mochila/travesseiro no chão e deitar. Dormia gostoso. Meio culpada no começo, mas depois acabei desencanando.
Já na segunda empresa, ainda como estagiária, eu não precisava esconder meus cochilos. Tínhamos uma sala de descompressão com poltronas confortáveis, almofadas fofas, música ambiente e até fonte com barulhinho de água. Qualquer funcionário podia ir, em qualquer hora do dia. Às vezes deixava de almoçar para aproveitar a sala.
No terceiro emprego eu tinha chefes sempre presentes, escritório lotado, não tinha sala de descompressão e a solução que eu encontrei foi... Dormir no carro! Parava o carro no 4º subsolo, mais tranqüilo e escurinho, deitava o banco, ligava uma musiquinha calma e zzzzzzzzzz. Sem a menor culpa, uma hora de sono profundo. Como era bom!
Só que no emprego atual, tenho um problema seríssimo. Um, não, vários. O escritório também vive cheio, não tem sala de descompressão e o estacionamento é ao ar livre (portanto, quente e claro). Precisei chegar a esse nível de cansaço para encontrar uma solução para o meu problema. Encontrei um canto, que não é dos mais agradáveis, mas me permite pelo menos 10 minutos de descanso por período: o banheiro!!
Eu sei, é horrível, é péssimo, é desconfortável e eu não devia contar isso para ninguém, quanto mais divulgar na Internet. Mas eu tenho certeza que eu não sou a única a sentir sono no trabalho. Tenho esperança que algumas pessoas assumam fazer o mesmo (pode ser offline) ou me apresentem alguma idéia melhor.
E aí? Alguém se habilita?
Fim de ano
Para mim, a pior parte do final do ano são as “caixinhas”. Se não recebermos um cartãozinho em casa, encontramos uma caixinha estrategicamente posicionada no caixa de todos os lugares que vamos.
O carteiro, entregador de água, o cara do estacionamento, frentista de posto, os caras da banca de revista... fica todo mundo esperando receber algum troquinho. Será que as pessoas ficam mesmo mais generosas nessa época do ano? Por que eu, sinceramente não fico. Já tenho despesas suficientes e contas para pagar até fevereiro.
Além do mais, eu não ganho nenhum dinheiro extra (além do 13º, obrigatório por lei) por estar trabalhando no final do ano! Então, me expliquem, porque é que eu tenho que dar gorjeta para cada um que cruza meu caminho? Eles não ganham salário também? O que é que eles têm que fazer no trabalho deles que mereça uma gorjeta que eu não mereço?
É lógico que não estou comparando o meu salário de solteira com o deles, que sustentam a família inteira... Não me entendam mal, posso ajudar pessoas em qualquer outra época do ano. O que eu não gosto é da obrigação de ter que dar alguma coisa “só porque é Natal”.
Na verdade nada disso estava me afetando tanto, até ontem.
Como eu trabalho em outra cidade, a empresa tem ônibus fretados para o transporte dos funcionários. Seria maravilhoso e muito mais econômico para mim, não fossem alguns probleminhas. Para pegar o ônibus, tenho que acordar uma hora mais cedo, pagar estacionamento ou caminhar muito até o ponto da linha mais próxima da minha casa. Por isso, resolvi que só vou de ônibus uma vez por semana, no dia do rodízio, por pura falta de opção.
Não contente com essas condições (que já são bem chatinhas), temos um problema com nosso motorista, o Ivanildo. O Ivanildo tem o pé pesado, faz manobras radicais e muitas vezes eu tenho certeza de que ele acha que está pilotando um fusquinha bala. Ele acelera mesmo, costura no trânsito, dá brecadas bruscas e mira em cima de todos os buracos da cidade (que são muitos). Ele não tem consciência do tamanho do veículo que dirige. E com o Ivanildo no volante, eu não consigo nem dormir. Note que são 7h da manhã e a viagem dura uma hora. Ninguém consegue dormir...
Todo mundo reclama dele, mas ninguém tem coragem de tomar uma atitude. Afinal de contas, ele é uma ótima pessoa, e só precisa ser mais cuidadoso no trânsito...
Enfim, num dos dias que eu estava no ônibus, mega concentrada com a minha leitura do Harry Potter 6 (que aliás terminei de ler e fiquei PASSADA com o final), e fui abordada por uma moça com uma listinha. Era a lista da caixinha do Ivanildo. Fiquei super intimidada e não consegui falar não, então peguei o menor valor da lista (R$ 20 – que já achei uma fortuna) e marquei meu nome. Só que nunca mais peguei o ônibus, porque há duas semanas pego o carro da minha
irmã emprestado.
Tinha esquecido completamente disso quando a moça me liga ontem, cobrando minha colaboração. Respirei fundo e decidi que tinha que ser corajosa e falar que não ia poder ajudar. Não dei nenhuma explicação, mas, para mim, os motivos eram mais do que claros. Eu só pego o ônibus uma vez por semana e, acima de tudo, não acho que ele é um bom motorista!!!!!
Não são motivos justos?
Então porque estou me sentindo tão culpada???
Tudo e mais um pouco
Tenho amigos compreensivos, loucos, maduros, desligados, bravos, engraçados, animados, profundos, estabanados, confusos, fanáticos, artistas, empolgados, baladeiros, espertos, divertidos, espontâneos, alcóolatras, companheiros, elétricos, inteligentes, descontrolados, bons de papo, cultos, inspiradores, comediantes, histéricos, místicos, sérios, roqueiros, preguiçosos, atletas, otimistas, tímidos, populares, desencanados, corajosos e lindos.
O que seria de mim sem eles?
Etiqueta masculina
Todo mundo aprecia boas maneiras. Não sou feminista e não quero ser mal interpretada, mas acho que cavalheirismo é fundamental.
Algumas coisas são primárias, todos os homens deviam fazer. Outras são complementares, e não precisam ser usadas com freqüência. Mas, definitivamente, serão notadas quando feitas.
Por exemplo, abrir e segurar portas para as pessoas passarem é básico. Não precisa nem ser homem para fazer isso, qualquer um pode fazer. Mas, se tiver um homem por perto, ele que tem que segurar.
Outra coisa importante: ladies first. Sempre. Pra dar passagem, pra entrar no carro, pra descer escada, pra fazer pedido pro garçom, pra sentar quando não tiver cadeira suficiente, pra usar o banheiro quando tiver todo mundo apertado... Em todas as situações da vida, os homens devem deixar as mulheres fazerem antes. O que quer que seja.
Um homem educado levanta para cumprimentar as mulheres quando estão sentados. Mulher não tem que ficar se abaixando, o homem é que tem que levantar. E oferecer a cadeira pra ela sentar, óbvio.
Ao contrário de muitas mulheres, eu não faço questão que abram a porta do carro pra mim. Claro que aprecio quando abrem, mas não é uma exigência. É o tipo de coisa que é bom pra de vez em quando, mas se feita em excesso fica meio forçado.
Também aprecio se oferecem para carregar minhas sacolas no supermercado, malas, caixas e afins. Não que eu não consiga carregar as minhas próprias coisas, mas como há um certo risco (de quebrar a unha ou arranhar o esmalte), se tiver alguém pra fazer pra mim, prefiro.
Sobre “modos à mesa”, não vou nem me aprofundar. São regras universais e servem pra homem, mulher, jovem, velho, criança. Mastigar de boca aberta, falar enquanto come e palitar os dentes são coisas proibidas e inaceitáveis!
Enfim, educação é bom e todo mundo gosta. É só uma questão de bom senso. E aí, se você puder fazer um pouco mais que o básico para ser gentil, porque não?
Lagoinha do Leste
Era uma vez um casal feliz que foi passar um feriado em Florianópolis. Eles eram tudo, menos um casal aventureiro. Mas seguiram a dica do dono da pousada e resolveram fazer uma trilha para conhecer “uma das praias mais bonitas do Brasil”. A Lagoinha do Leste ficava ali, a apenas uma hora e meia de caminhada.
No dia seguinte, tomaram café da manhã reforçado e prepararam o kit aventura básico (camiseta, boné, short, tênis, meia, mochila com água, bolachas salgadas, chocolate, toalha, óculos de sol, repelente e protetor solar).
Tinham duas maneiras de chegar na praia: pela trilha de 1h30, que era mais difícil e mais bonita; ou pela trilha de 40 min, mais fácil e feia. Decidiram ir pela bonita e voltar pela feia.
No começo estavam dispostos, animados, curiosos e felizes. Conversavam calmamente, apreciando o cenário bucólico e os milagres da natureza.
Uma hora e meia depois continuavam caminhando, mas não viam nem sinal da praia. Já estavam ficando impacientes. Não conversavam mais e não sorriam para não correr o risco de engolir algum mosquito.
Chegaram em uma encruzilhada. A moça queria subir e o moço queria ir pela lateral. Discutiram. O moço ganhou e seguiram pela trilha da esquerda.
À medida que caminhavam, o morro ficava mais íngrime, a trilha mais estreita, e o mar lá embaixo, mais revolto. Estavam à beira de um abismo. “Se eu cair aqui eu morro”, ela pensava. As plantas do morro tinham espinhos, e ela fez diversos cortes nas pernas e nas mãos, que usava para se apoiar quando sentia medo.
Resolveu andar na frente e escolher outro caminho. Atravessaram mais alguns morros e finalmente conseguiram ver a praia. “Nem é tão bonita assim”, falaram, ressentidos. Enfrentaram mais algumas dificuldades para descer o último morro, mas quando pisaram na areia, recuperaram o bom humor.
Estavam exaustos e começaram a andar pela praia, procurando um lugar para sentar. A brisa que antes aliviava o calor começou a ganhar força, e se transformou numa tempestade de areia. A areia chicoteava as pernas deles, atingindo em cheio os cortes que os espinhos tinham acabado de abrir na pele. E doía. Muito.
Os dois concordaram que a praia era um lixo, xingaram o dono da pousada pela idéia de jerico e resolveram ir embora. Quando chegaram na outra ponta da praia, viram que o vento não batia naquele canto. Resolveram dar mais uma chance para “uma das praias mais bonitas do Brasil” e se instalaram ali mesmo. Foi ótimo. Tomaram sol, conversaram e curtiram a praia. Só então conseguiram realmente apreciar a beleza do lugar.
O fim de tarde foi se aproximando, e eles resolveram ir embora. Como não conheciam a outra trilha, acharam melhor não arriscar a perder a luz do sol. Logo que começaram a subir a trilha, ela parou. Sentou e disse que não se sentia bem. Tomou água, comeu chocolate. “Deve ser a pressão”, dizia ele, preocupado. Ela respirou fundo, levantou e arriscou mais uns passos. Tontura de novo. Sentou e comeu bolacha salgada, porque não tinha certeza se quando a pressão baixava tinha que comer sal ou açúcar. Não melhorava.
Meia hora depois o moço já estava desesperado. Sem saber o que fazer e sem celular, ele decidiu, sob protestos, pedir para alguém chamar os bombeiros. Envergonhada, ela acabou cedendo. O medo de ficar presa lá era maior. Ele pediu ajuda para a primeira turma que passou, e a moça manteve a cabeça baixa. Não conseguia olhar para eles.
Assim que eles sumiram de vista, ela resolveu tentar novamente. Vermelha como um pimentão e com as pernas trêmulas, ela começou a andar. Um passo de cada vez, usando as mãos para se apoiar. Sem olhar para cima para não desanimar com a subida. Muito concentrada no que estava fazendo, ela só pensava em respirar e mexer as pernas.
Quando viu, estava no alto do morro. E aí se sentiu ótima. Foi como se tivesse ganhado pernas novas. Começou a andar mais rápido, querendo sair da trilha antes dos bombeiros chegarem. Tentava imaginar se eles viriam pela trilha carregando uma maca ou de helicóptero com uma cordinha para resgatá-la. Se sentiu a própria mocinha indefesa perdida na selva, e se divertia com a sua situação. O namorado já não achava tanta graça, porque não entendia de onde vinha toda aquela energia.
Finalmente terminaram a trilha, e procuraram um telefone para ligar para os bombeiros e cancelar o pedido de socorro. Com a sensação de missão cumprida e de mico evitado, foram para o ponto esperar o ônibus e voltar para a pousada.
Estavam tranquilos conversando sobre a vida, quando viram uma movimentação na rua. Receosos, lentamente se inclinaram para ver o que estava acontecendo. Caminhão dos bombeiros, carro da polícia e ambulância do resgate. “Não é possível”, ele disse. “Vamos lá pra ver se é pra gente ou não”.
A comunidade estava alvoroçada, e as sirenes já juntavam curiosos. Se aproximaram dos bombeiros, a moça rindo e o moço sério, nervoso:
- O que aconteceu?
- Uma senhora está presa na trilha.
- Uma senhora sozinha?
- Não sei, cabo Johnson, quem é que viemos buscar?
- Uma senhora!
- Uma senhora sozinha?
- Não, um casal. A moça é que está com problemas e chama mc.
Pausa. A moça não conseguiu conter a risada. O moço apertava seu braço e sorria amarelo pros oficiais, tentando explicar que a “moça em perigo” era aquela ali tendo um ataque de riso.
Depois de tudo explicado, o casal ficou aliviado com a compreensão dos bombeiros. Até piada eles fizeram, e agradeceram que não tiveram que entrar na trilha e agora poderiam ir tomar uma cervejinha.
Se despediram, felizes, e retornaram para a pousada. Tomaram um merecido banho e dormiram até o dia seguinte, exaustos.
No café da manhã, no dia seguinte, ouviram a cozinheira contar para o dono:
- Pois é, seu Klaus, aconteceu alguma coisa ontem na trilha.
- É mesmo, Maria, o que foi?
- Não sei, mas tava o maior auê. Parece que tiveram que resgatar uma moça de helicóptero...
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Eu devia ter esperado!!!!!
Drink and dial
Bebidas alcóolicas têm poderes, que nem sempre são do bem. Quem nunca ligou ou mandou mensagem para alguém no meio da noite, depois de alguns drinks, que atire a primeira pedra.
É só você estar meio carente, com alguma coisa entalada que não consegue esquecer ou estar sem coragem para falar alguma coisa que gostaria para essa pessoa para ter alguma idéia brilhante e passar a mão no telefone.
Bastam algumas caipirinhas para você romper as barreiras do seu medo e tomar uma atitude. Só que esses são sempre os piores momentos para você se expressar, principalmente com pretendentes, rolos, ex, casos, etc.
Sim, porque amigo entende tudo. Ligações bêbadas de madrugada, mensagens de texto que não fazem o menor sentido, recados musicais e assim vai.
Agora, casetes não entendem. Pelo contrário, fazendo isso você reduz e muito suas chances avançar na relação que você está tentando construir (ou não). É um erro sem volta, e nada que você diga vai apagar o que você fez. Não é nada grave ou ofensivo, mas queima o filme loucamente.
Eu já aprendi minha lição. Por isso, quando estou assim e me dá aquela vontade, ligo para algum(a) amigo(a) - pode ser uma amiga próxima ou alguém que eu não vejo com freqüência, mas sinto muita falta – e falo que amo, que estou com saudades, que quero encontrar...
Algumas amigas já estão acostumadas com minhas ligações noturnas. Tem duas que eu já sei que adoram que eu ligue. Algumas eu sei que vão ficar me xingando e não vão achar a menor graça, e não ligo a não ser em caso de emergência. Eu tenho bom senso e só ligo para quem eu sei que não vai me matar.
Mas é engraçado como essas ligações têm o poder de me fazer dar risada por muito tempo. Rio durante, rio no dia seguinte quando lembro e rio meses depois quando elas repetem a história em detalhes. E na verdade, não faço chamadas fora do horário só quando estou alcoolizada, não. Quando acontece alguma coisa importante ou quando estou com insônia eu também ligo pra conversar.
Por isso, se você é meu amigo e não gosta de receber ligações noturnas, desligue o celular quando for dormir. As chances de você acordar ouvindo um “I just called to say I love you” são grandes...
Aprendendo com a Suíça
Além de chocolates, queijos, relógios, canivetes, alpes, estações de esqui, bancos e educação de primeiro nível, com o que mais a Suíça pode contribuir para o mundo?
A Suíça é um país neutro. Não participou de nenhuma das duas guerras mundiais.
A Suíça tem o conceito de solidariedade muito forte em sua cultura. O país está sempre pronto para participar em todos os esforços de colaboração internacional (e também por isso é sede de muitas organizações internacionais), desde que não interfira com o princípio da neutralidade.
A Suíça possui uma próspera e estável economia, e o PIB é superior ao das grandes economias da Europa. O país também é um porto seguro para investidores, por ter um alto grau de sigilo bancário.
Em alguns momentos da vida eu queria ser como a Suíça. Gostaria de já ter aprendido que, na vida, quanto mais você interfere, menos você ajuda.
Por que quando você tenta ajudar, muitas vezes acaba atrapalhando. Você até sabe dos riscos que corre, mas decide arriscar por acreditar que a causa vale a pena.
Mas aí você se engana e acaba causando a 3ª Guerra Mundial. Por uma falha de comunicação ridícula, você e sua enorme boca atingem outras pessoas. E, sem querer, machucam.
Depois que o estrago estiver feito, ninguém pode ajudar fazer a negociação de paz para tentar a reconciliação, a não ser quem causou o problema. Porque quanto mais voluntários aparecerem, mais a situação vai se agravar. Então você tem que encarar sozinho.
Por isso, como a Suíça estabeleceu em 1815, eu declaro oficialmente a minha “neutralidade armada perpétua”. E só vou me dispor a usar a minha solidariedade quando minha ajuda for solicitada.
“Be careful whose advice you buy,but be patient with those who supply it. Advice is a form of nostalgia.Dispensing it is a way of fishing the past from the disposal, wiping it off, painting over the ugly parts and recycling it for more than it's worth.”(Wear Sunscreen - Mary Schmich)
Cafuné...
Tem coisa mais gostosa que um cafuné? Num dia de chuva, vendo um filminho, durante uma boa conversa, quando se está meio triste, quieto, ou pra ajudar a pegar no sono... Algumas situações pedem cafuné!
O cafuné nada mais é que um carinho, uma demonstração de afeto, um gesto delicado que alguém faz em alguém que gosta. O bom cafuné é tão gostoso, tão relaxante que não acredito que exista alguém no mundo que não goste.
Eu cresci mal acostumada. Minha mãe fazia muito cafuné em mim quando eu era criança, e faz até hoje quando eu deito no sofá perto dela.
Quando eu estava no colégio, as classes tinham fileiras duplas, com duas carteiras juntas. As aulas de geografia do Luis Fernando às segunda-feiras serão sempre inesquecíveis, porque a gente sentava junto e ficava trocando cafuné. Sem malícia e sem deixar de prestar atenção no professor. Nada mais era que uma demonstração de carinho (ou prova de que a gente era muito carente mesmo) inocente entre amigos. Era tão bom...
Cafuné é uma coisa bem brasileira. Não conheço nenhum outro idioma que tenha uma palavra pra definir esse gesto.
Fui procurar no dicionário:
sm. Bras. Ato de coçar suavamente a cabeça de alguémA definição, eu achei meio esquisita. Mas a sensação é, sem dúvida, muito boa.
A invasão loira
Agora é inverno no hemisfério norte. Precisamente na Suécia, a temperatura está variando entre 0ºC e -4ºC. E o que é que eu tenho a ver com isso??
Nessa época do ano, centenas de suecos marcam reuniões aqui no escritório do Brasil. Onde, por acaso, é verão. Coincidentemente, uma ótima época para visitar praias, tomar sol, drinks com guarda-chuvinhas... Em nenhuma outra estação se vê tanto sueco aqui como agora.
Suecos são extremamente formais. Têm uma certa dificuldade para lidar com o jeito desencanado e íntimo dos brasileiros, mas são super simpáticos. Como todo bom gringo, os homens usam camisas de manga curta estampada (mesmo com gravata), e as mulheres usam sandálias com unhas coloridas e muita, mas muita maquiagem.
O idioma deles é uma coisa à parte. Alguém já teve o prazer de ouvir dois suecos conversando? É impossível entender, o som não se parece com nada que a gente conhece. A fala parece que fica presa na garganta, difícil explicar. Só ouvindo mesmo.
Uma curiosidade é que, quando um sueco estiver prestando atenção no que uma pessoa está falando, ele vai emitir sons que mais parecem soluços. Experimente puxar o ar, como se estivesse tragando um cigarro. Isso, é assim mesmo. É o equivalente ao nosso “ãh”, que pensando bem deve ser muito estranho para quem não é brasileiro . Hup hup hup!
Eles têm nove vogais e três letras a mais no alfabeto que nós. Uma delas, que também quer dizer “ilha”, se fala como se estivesse “chamando o Hugo”. Isso mesmo, quase vomitando. Além de ilha, só sei falar ja (sim), ney (não), tack (obrigada), vi ses (até logo).
O que a Suécia tem de bom? Vodka Absolut, cristais, H&M, Roxette, Cardigans, ABBA, Prêmio Nobel, Greta Garbo, Scania, Volvo, Ericsson, Tetra Pak, salmão, arenque, Akvavit (aguardente de batata)...
É preciso ter coragem…
Pra falar a verdade, inventar uma mentira, dizer o que pensa, o que sente, o que te enlouquece e o que te faz chorar...
Pra assumir que gosta, que não gosta, que errou, que mentiu, que quer ou que não quer, o que fez ou o que não fez...
Pra querer mudar de idéia, de direção, de cidade, de emprego, de amor, de vício...
Pra vencer o preconceito, lutar pelo que acredita, pensar diferente, ligar, desencanar, fazer uma escolha, ceder, se expressar, tentar de novo...
Sinais do apocalipse
Essa história é a continuação do “Epopéia no verão”.
Uma semana depois do mico do carro da frota e de ter errado a data do evento, repeti o procedimento completo e lá fui eu, gelada e contente para a coletiva. Começou com atraso, estava lotado e eu não conhecia ninguém. Pelo menos ninguém que eu estivesse interessada em conversar.
Aguentei até o final e, quando achei que fosse desmaiar de fome, aplausos. Fim das palestras. Oba, hora do almoço!!
Fiquei fazendo uma hora no hall, enquanto rolava o cocktail. Como não estava pra papo, liguei para todas as minhas amigas me fazerem companhia por cinco minutos. E, dessa maneira, matei 20.
Quando finalmente todo mundo começou a se dirigir para a sala onde seria o almoço, eu resolvi seguir o fluxo, mas mudei de idéia assim que vi a lotação do lugar. Já era tarde, eu estava faminta e com medo do trânsito que ia ter que enfrentar.
Desisti. Saí à francesa, peguei o carro e comecei a dirigir de volta pro trabalho. Eu não conseguia pensar em nenhum lugar para comer que não me fizesse desviar muito a rota... E o desespero foi crescendo...
A barriga roncava e o tempo passava. Foi quando avistei aquele sinal vermelho e amarelo, tão familiar. Tentando superar o preconceito, arranjei todos os argumentos para amenizar a culpa de estar comendo lá.
Resolvi passar no drive thru, com medo de ser reconhecida. Escolhi o menu sugestão, que era o mais rápido, paguei, me dirigi até a outra cabininha e, enquanto esperava a comida, comecei a rir. O mocinho do caixa não entendia nada. Decidi que precisava compartilhar a experiência com alguém e mandei uma mensagem contando aonde estava para um
amigo. Peguei a comida e parei no estacionamento. Ali teria paz para comer.
Abri a caixa. Olhei para as esfihas e kibes e sorri. Ah se meu ex me visse agora... Habibs para ele era a morte.
A fome era tanta que eu até estava achando gostoso... Quando estava na primeira mordida da segunda esfiha, o celular apitou. A seguinte mensagem apareceu no visor:
“Nossa Habibs no drive é trombeta do apocalipse!!”
Aí é que eu não conseguia mais comer mesmo. Parecia uma louca rindo no carro, sozinha. Mas eu comi e sobrevivi. Não posso dizer que foi gostoso, mas pelo menos calou a boca do meu estômago.
Coisa de mulherzinha
Sábado é o dia oficial da peruagem. Cabelereiro, manicure, compras, cafezinho com as amigas, etc.
Nesse sábado eu fui ao cabelereiro. Entre outras coisas, resolvi fazer uma limpeza de pele, afinal de contas é sempre bom para se livrar das células mortas (odeio esse termo), dos cravos, hidratar e recuperar o brilho, entre outras coisas.
A moça me convenceu de que eu não ficaria marcada. Ótimo, porque sábado não é dia de ficar com a cara vermelha. E lá fui eu, para 1h30 de hidratação, esfoliação e sofrimento seguido de relaxamento. Levantei de lá me achando linda e renovada. Até a moça acender a luz e eu olhar no espelho. Pânico geral!
Ficar vermelha devia ser a menor das minhas preocupações. Eu fiquei com o rosto inchado, machucado e deformado. Sim, deformado. Não que a moça fosse ruim, é que minha pele é muito sensível mesmo. E eu devia ter pensado nisso antes de aceitar me submeter a essa sessão tortura que não traz benefícios instantâneos.
Finalmente ela me convenceu de que eu iria desinchar até a hora de sair do cabelereiro. Confiando nela, fui para a próxima etapa da peruagem, dar um trato nos cabelos. Dessa vez, de frente pro espelho, fui obrigada a ficar olhando para uma imagem que não me agradava nem um pouco.
Aos poucos fui ficando mais quieta e mais incomodada. Chegou um momento que eu não consegui mais segurar e as lágrimas que insistiam em molhar os meus olhos resolveram se libertar e molhar o rosto, o colo, a perna... Enfim, caos total e vexame público.
Não sei se era a época do mês, raiva acumulada ou simplesmente porque eu precisava, mas eu caí em prantos e nem o Harry Potter 6 nas minhas mãos me acalmava. Fiquei assim um tempão, e a cada telefonema de um amigo me convidando para fazer alguma coisa, mais lágrimas caíam.
Depois de lavar o chão, fui acudida pela esteticista desesperada com uma máscara calmante. Ela estava certa e, com o tempo, eu realmente desinchei. E saí de lá quase sorrindo, com os cabelos lindos, escovados, soltos e jogados “casualmente” na cara, cobrindo o rosto inteiro, até que fosse seguro colocá-los para trás.
E mais uma vez aprendi uma lição. Limpeza de pele no sábado à tarde NÃO!
Saudades
Uma das minhas palavras preferidas. Gosto de como soa, gosto do significado e da exclusividade. Nenhum outro idioma tem uma palavra como essa, que defina um sentimento tão profundo e complexo.
Outras línguas podem até usar termos para dizer “estou com saudades”. I miss you, te extrano, te hecho de menos, je m'ennuie de toi, io ho um ricordo affettuoso, natsukashiitd... Mas nenhuma expressa tão bem o sentimento como
saudade.
De acordo com o Aurélio:
1. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa ou coisa distante ou extinta. 2. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido.
Coisas são lugares, músicas, sabores, cheiros, objetos, sensações, bichos, sons, sentimentos, visões... É possível sentir saudades de tudo.
Mas a lembrança nostálgica nem sempre é suave, como define o dicionário. Algumas vezes dói. E muito.
Dói porque você não pode voltar atrás e sentir de novo o que sentiu naquele momento. Dói porque você não pode mais dividir histórias, risadas, conversas e teorias, nem abraçar, pegar, beijar ou apertar alguém que já não está mais do seu lado.
Todo mundo gosta de sentir saudades. E não conheço ninguém que nunca sentiu isso. Eu tenho saudade de muita coisa, e gosto de curtir minhas lembranças.
Sentir saudades quer dizer que você amou (ou ama) alguma coisa ou alguém. Para a saudade, só existem duas soluções: reviver a lembrança ou esperar o tempo levá-la para longe...
Encontro marcado
Ela saiu do trabalho atrasada e andou apressada até o carro. Revezava olhares tensos entre o relógio e o celular, repetidamente.
Entrou no carro, jogou a bolsa, girou a chave, pisou na embreagem, engatou primeira, segunda, terceira. Parou em diversos faróis, desviou de buracos, fechou os vidros em esquinas que davam medo. Falou não para criancinhas que vinham na sua janela, com o coração apertado e a consciência de que suas moedas não resolveriam os problemas delas.
No rádio, uma música animada começou a tocar. Ela aumentou o som e começou a batucar no painel. Soltou alguns versos desafinados e sorriu, levada pelas lembranças.
O tempo corria, mas o trânsito não andava. Mordeu o canto da boca. O coração acelerado. Lançou mais um olhar fulminante ao relógio e pensou “vou me atrasar”. Sentiu um frio na barriga, que começou com uma sensação gostosa e terminou meio ruim.
Outra música no rádio. Mais lembranças. Algumas, nem tão leves e divertidas assim. Espantou os pensamentos desagradáveis, mudou de estação e respirou fundo.
Resolveu parar de pensar nisso. De nada iria adiantar tentar prever situações, diálogos e gestos.
Entrou na sua rua, finalmente. Jogou o carro na garagem, estacionou, puxou o freio de mão e correu para o elevador. Esquentou a água do banho, ligou o som e pensou na roupa que ia vestir.
Deixou a água morna escorrer pelo corpo e levar embora todos os problemas do dia cheio. Pegou o shampoo que usava em ocasiões especiais e deixou fazer espuma. Enquanto massageava a cabeça, os pensamentos voltaram à mente. Falou em voz alta:
- Agora não é a hora.
Terminou o banho com uma ducha gelada, porque dizem que faz bem pra pele. Deu alguns pulinhos pra deixar escorrer a água e puxou a toalha com a mão. Se enrolou, pisou no chão frio e correu para o quarto.
Enrolou a toalha na cabeça, passou creme hidratante nas pernas e começou a se vestir. Calça e blusa. Saia e blusa. Troca a blusa. Põe a calça. Talvez um vestido?
Já vestida, voltou para o banheiro. Arrumou o cabelo. Pegou os brincos, colares, anéis e o inseparável relógio. Olhou pra ele de novo, ansiosa. Se olhou no espelho, fez cara feia pras olheiras. Pensou: “estou trabalhando demais”.
Perfume, rímel, batom.
Frio na barriga.
Borboletas. Uma, duas, cem. Respira.
Pegou a bolsa, tomou um copo d’água e entrou no elevador. Quando abriu a porta, já não estava mais nervosa.
Andou em direção à rua, com passos firmes e largos. Não estava mais com medo. Sentiu que não existiam sonhos impossíveis. E, sem medo da loucura, começou a sorrir.