Terça-feira, Novembro 29, 2005

Epopéia no verão

Ela acordou mais cedo, tomou banho, lavou e secou os cabelos, escolheu uma roupa bonita e se arrumou. De manhã teria que representar a empresa num evento importante, e depois teria um almoço.

Chegou no trabalho, adiantou algumas coisas que precisavam ser feitas e escolheu que a melhor maneira de ir para esse evento era emprestando um carro da frota da empresa, ao invés de ir com o seu próprio.

Preparou todos os trâmites burocráticos para o empréstimo e decidiu que era suficiente sair uma hora antes do evento.

“Como é estranho dirigir o carro dos outros”, pensou. Levou um tempo para se acostumar, mas conseguiu. Esse carro tinha até rádio! Sintonizou uma estação que gostava e saiu, feliz.

Tentou ligar o ar condicionado, mas como só saía um bafo quente, deduziu que só tinha ventilação. Por segurança, não estava acostumada a andar de janelas abertas, mas o calor era muito intenso.

Avenida dos Bandeirantes parada. Túnel, parado. O som dos carros e das buzinas dos motoqueiros a atormentavam. Conseguiu manter o bom humor, rindo de si mesma.

Mas o calor aumentava, e seu humor perdia forças. Já estava quase atrasada, mas o trânsito ficou livre e ela conseguiu chegar no hotel.

Estacionou, foi até a recepção, feliz por não estar mais no seu forno particular, subiu até o terceiro andar, perguntou para a recepcionista sorridente onde era o evento e a resposta foi, precisamente:

- Esse evento será somente na terça-feira que vem.

Pausa.

Primeira reação: rir
Segunda reação: se sentir uma idiota
Terceira reação: ficar com raiva
Quarta reação: fazer uma piadinha infame, descer, pedir o carro-forno, dirigir 40 minutos até chegar no trabalho de novo...

Experimentou várias sensações. Chegou à conclusão de que o melhor que poderia fazer era continuar rindo de si mesma, já que não tinha nada que pudesse fazer para voltar no tempo.

Chegou no trabalho rindo, contou a história para os colegas falando que “pelo menos tinha feito uma sauninha”, quando fizeram a seguinte pergunta:

- Você não sabia que todos os carros da frota têm ar? Não adianta só girar o botão, tem que puxar também.

Aí a graça definitivamente acabou.

Sonho de consumo

Há muito tempo eu via as propagandas desse produto revolucionário na TV e pensava que mais ninguém queria aquilo, a não ser eu. Afinal de contas, quem é que compra coisas pelo (011) 1406 ou Polishop?

Como o preconceito era grande demais para admitir o meu desejo, me calei. Já não é sabido que os produtos que são vendidos dessa maneira não são confiáveis? Ninguém em sã consciência compra produtos pela TV, certo?

Até que um dia, conversando com uma amiga, descobri que ela tinha o meu objeto de desejo. Me arrepiei. Não só ela tinha, como confirmou que era um excelente produto. Senti um mix de ansiedade e inveja (eu sou humana, ok?).

Não conseguia tirar isso da cabeça. Cheguei em casa e comecei a procurar os melhores preços na Internet. Encontrei e comprei.

No dia seguinte, voltei pra casa mais cedo. Mal podia esperar... Assim que cheguei, vi a caixa em cima da mesa. Abrir o pacote foi uma experiência emocionante. Parecia uma criança feliz no Natal, abrindo o presente e esperando ver a tão sonhada bicicleta.

Lá estava ele: meu George Foreman Grill!!! Branquinho, novinho, intacto.

Já tinha me antecipado e comprado alguns ingredientes para cozinhar. Hambúrguer de frango e abobrinhas (of course, Lala). Segui as instruções de limpeza e uso, preparei os alimentos e em 20 minutos eu tinha uma refeição completa e balanceada!

Fiquei impressionada, de verdade. O frango ficou uma delícia, sem gordura. A abobrinha ficou exatamente igual a das fotos de cardápio de restaurante, com as marcas da grelha.

É rápido, prático, eficiente e fácil de limpar. É o sonho de consumo para todos os solteiros, que moram sozinhos e não têm, assim, um talento nato para a culinária.

Ontem à noite eu fiz um tostex. Ficou maravilhoso! Arrisco dizer que foi um dos melhores tostexes (???) que eu já comi.

É isso. Eu precisava compartilhar a minha experiência com esse produto maravilhoso. A melhor maneira de fazer uma refeição saudável e rápida sem ter muito trabalho. Espero que sirva de inspiração para outras pessoas que também estão cansadas de comida congelada.

Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Mula empacada

Às vezes eu fico pensando em milhares de coisas que eu gostaria de fazer, em algum momento da vida. Não existe nada mais desesperador do que sonhar e não saber por onde começar.

As idéias vão surgindo, ganhando forma, gerando expectativas. Logo em seguida já chega a ansiedade, que vai aumentando rapidamente e sufocando. Aí vem o medo do futuro. Medo de não dar tempo de fazer tudo, ou de fazer a escolha errada.

Medo do futuro é uma coisa estúpida, mas inevitável. Desde pequena eu sofro por antecipação. Quando tinha que tomar uma injeção, já começava a sentir dor desde o momento que o médico escrevia o pedido.

Na hora da picada, nem era tão ruim assim. Eu já devia ter aprendido…

Mas aqui, nesse exato momento, eu me sinto como uma mula empacada (sem piadinhas em relação à escolha do animal, por favor). Seguindo a linha de analogias com animais, li essa frase no blog de uma amiga e resolvi reproduzir:

“Nietzsche uma vez escreveu que a maior diferença entre a vaca e o homem era que a vaca sabia como existir, como viver sem angústia (isto é, sem medo) no bandido presente, sem o peso do passado e preocupação com os horrores do futuro. Mas nós, humanos infelizes, somos tão perseguidos pelo passado e pelo futuro que só sabemos passear rapidamente pelo presente”.

Sexta-feira, Novembro 25, 2005

Lista 1: medo

... de precisar de uma ambulância em SP
... de assalto, seqüestro, revólver
... de perder meus amigos
... de ficar sem minha família
... de ficar cega
... de ficar doente
... de perder as esperanças
... de perder a capacidade de rir de mim mesma
... de me arrepender
... de ser traída
... de guerra
... do fim do mundo
... da solidão
... de não ser livre

Quinta-feira, Novembro 24, 2005

Fogo!!!!

Ontem fiz um treinamento de primeiros socorros e combate à incêndio aqui no trabalho. Na minha turma tinha eu e mais dez estagiários da produção. De manhã, aula de primeiros socorros. À tarde, como combater um incêndio.

A grande expectativa para o dia era o momento da aula prática, no fim do curso, quando aprenderíamos a usar um extintor para apagar um fogo real.

O professor da manhã era enfermeiro. Uma figura. Contava uns causos do hospital que ele trabalha na periferia que ninguém merece. Gelava minha nuca, me dava calafrio e eu ficava atordoada. Mais uma vez tive certeza de que ser RP foi uma sábia decisão.

Enfim, a principal personagem do treinamento era a Helen, a boneca que todos usam pra treinar respiração boca a boca. A Helen está dando treinamento há mais de 20 anos aqui. Imagina quantas bocas já passaram por ali!!! Eca.

Aprendi coisas muito interessantes de manhã. Como proceder em caso de parada respiratória, parada cardíaca, convulsões, hemorragia, fraturas, queimaduras e afogamento. Duvido que metade de vocês saiba como encontrar a metade inferior do esterno!! Ah há! Eu sei.

À tarde não aprendi muito, não... Fui dominada por um sono descomunal que não me permitia manter os olhos abertos. E o pior é que a classe inteira estava pescando, não só eu. Que dó do bombeirinho...

Enfim, prestei o máximo de atenção possível no bombers. Quando ele terminou a parte teórica, fomos para o lugar da aula prática. Obaaaaa fooogoooo!!! A expectativa da turma era grande. Caminhávamos em silêncio, mas todos estavam animados, eu sentia.

Quando chegamos no ponto, encontramos o lugar vazio. O professor ligou e nos mandaram esperar. Um sol de 35ºC e a gente lá, fritando. Até que o carrinho vermelho dos bombers aparece. Com cara de poucos amigos, o encarregado disse:

- Sinto muito, tivemos um problema técnico e a máquina que faz fogo (???) está no conserto. Houve um problema de comunicação com o RH que não informou vocês, mas vamos ter que suspender a aula prática.

Decepção geral. Eu tinha esperado o dia inteiro por aquele momento!! Desde quando você precisa de uma máquina que faz fogo? Fogueira é tão ultrapassado assim?

Conclusão: se alguém passar mal, I'm your girl. Agora, se surgir um foguinho eu vou ser a primeira a sair correndo.

Segunda-feira, Novembro 21, 2005

Like a Friend (Paul van Dyk)

There's anguish despair
And we don't feel a thing
How can I make you think?
How can I make you change...lives?

Deliver new dreams
Give back a child and smile
Sending a wind of change
To free another's... world

Stop turning over
It won't go away
If we don't do anything
It will always stay
But there's a way (mmmmm there's a way)

Be aware of the world
And be true to your conscience
Be aware of its needs
Like a friend you can hold them

Be aware of the world
And be true to your conscience
Be aware of its needs
Have a care, have a conscience

What I'm going to tell you
You don't want hear
It's a million miles away
And a million tears
And a million tears

Nó na garganta

O que fazer quando sentir um nó apertando a garganta?

Gritar?
Chorar?
Engolir?
Forçar um ataque de riso?
Meditar?
Tomar um Milk shake de Nutella?

E quanto mais eu espero, menos o tempo passa...

Sexta-feira, Novembro 18, 2005

Desabafo

A Gina que me perdoe, mas hoje eu preciso falar.

Odeio palito de dente!!!

Vamos entender porquê. Eu trabalho numa fábrica. A fábrica tem bandejão. Todos os funcionários comem no bandejão. 95% dos funcionários são do sexo masculino. Nem todos estudaram na Sorbonne. E 99% deles palitam os dentes!!!!!

Eu tento abstrair, mas gente palitando os dentes me tira do sério. Primeiro, porque é falta de educação. Segundo, porque é horroroso. Terceiro, porque existem maneiras mais eficazes de remover restos de comida dos dentes. Quarto, porque os próprios palitadores devem saber o quanto é horrível, porque eles (quase) sempre colocam a mão na frente.

Me desculpem, mas de nada adianta tentar tapar a boca. Quando eu vejo aquela mãozinha na frente do rosto com a outra mão por baixo fazendo movimentos “cavocadores”, a cabeça já tombada para um dos lados e o olhar blasé, fico DOENTE. Já que vai palitar assuma o que está fazendo e usa uma mão só!!

Vejo a cena e olho pro outro lado. Mas aí tem outro cidadão lá palitando. Aí eu viro a cabeça. Tem outro. E outro. E mais outro. Até mulher palitando os dentes eu vejo!!!!

Não quero me expressar mal, Gina. Palitos têm sim sua utilidade. Vejamos:

1) Espetar queijinhos, salaminhos, etc.
2) Espetar a azeitona que vai no Martini
3) Espetar bolos com cobertura para, quando forem cobertos com papel alumínio, a calda não fique grudada.

That’s it. Por isso, lanço a campanha: PALITO NA BOCA NÃO!!!

Quinta-feira, Novembro 17, 2005

Meu cabelo é assim

Sempre tive cabelo comprido. Nada muito exagerado do tipo crente, ou jovem senhora, como define o meu cabeleireiro (aquele cumprimento nos ombros que não é nem curto nem comprido).

Minhas madeixas são rebeldes, mas não muito. Nem liso, nem enrolado, nem cacheado. Não sei definir como é o meu cabelo. Sei que tenho bastante e que eles caem muito. Mas aprendi a domá-lo. Então, na medida do possível, eu sou feliz com ele.

Quando era criança, não gostava de pentear o cabelo. Falava pra minha mãe que doía. Hoje eu sei que só doía porque eu não penteava nunca, então era cheio de nó. Minha irmã delicadamente chamava meu cabelo de “ninho de guaxo”. Eu não sei o que é guaxo até hoje.

Uma vez estava andando na praia com meus irmãos, no tempo em que em Camburi só tinha um condomínio e umas casinhas. Passou um moço do nosso lado com um macaco no ombro. Sim, um macaco. Ou mico. Sei lá.

Eu, amante dos animais que sou, vi o bicho e sorri. O bicho me viu também e sorriu de volta (até então eu achava que era um sorriso). Quando chegamos mais perto, ele simplesmente se arremessou na minha direção. Pulou tão rápido que não tive tempo nem de desviar!! Quando dei por mim, ele estava na minha cabeça!!!

Ele ficou um tempão lá, soltando uns ganidinhos agudos ensurdecedores e pulando de um lado pro outro. Acho que ele confundiu meu cabelo com cipó. Eu fiquei desesperada, gritei, esperneei, xinguei o dono.

Até que finalmente ele foi embora. Deixou pra trás uma criança esbaforida, apavorada, ofegante e completamente descabelada.

A partir desse dia, nunca mais saí de casa sem pentear o cabelo.

Quarta-feira, Novembro 16, 2005

Buenos Aires, un rincón – parte II

Acabou-se o que era doce. O feriado foi o máximo, muito divertido. Voltei careca e sem um pé, que ficou na jaca portenha. Alguns momentos de descontração intensa e risos de doer a barriga, caminhadas de dar cãibra nas pernas, refeições de doer o estômago (não era comida estragada não, era falta de espaço mesmo) e compras de doer os bolsos.

Tenho várias observações úteis e outras nem tanto para fazer sobre a viagem.

1) Aerolineas Argentinas – se escolher essa companhia, esteja preparado. Peguei um avião miniatura na ida, com comissários desastrados que derrubam líquidos nos passageiros e batem bandejas em suas carecas (não é exagero). Na volta, me dei bem e sentei na saída de emergência, sem vizinho de frente e com espaço para esticar os 1,20m de perna. Praticamente a classe executiva, não fosse pela refeição.

2) Hotel – qual o seu limite de tolerância para um hotel velho? O meu era muito velho... Mas a localização era ótima, era limpo e o staff era (extremamente) simpático. Davam dicas do tipo “não coma coisas do frigobar pq é muito caro, tem um supermercado aqui pertinho”.

3) Creamfields – não vá sóbrio. Aprenda a beber vodka pura ou leve na mochila outras opções de acompanhamento. O energético Speed (patrocinador do evento, of course) era a única coisa que vendiam além de vodka e água. E é intragável. Ah, recomendo levar mochila na balada não só pra levar umas comidas e bebidas, mas pra descontar os milhões de empurrões que você vai levar de todas as outras pessoas que levaram mochila.

4)Táxis – não tenha medo. Nenhum taxista argentino que se preze respeita as faixas. Pra eles, o conceito de faixa é diferente. Você tem que andar em cima delas, e não entre elas. Esteja preparado para várias “finas” tiradas de ônibus, pedestres, postes e animais. Pense pelo lado positivo, lá uma corrida é muito, mas muito mais barata.

5) Comer – mais uma coisa muito barata. E boa. Se você conseguir fugir dos La Caballeriza da vida, vai comer muito bem por pouco. Outra sugestão: os pratos costumam ser gigantes, e a maioria dos lugares têm pratos individuais que podem tranqüilamente ser divididos.

6) Roda de capoeira na feirinha da Recoleta – nem pare pra ver. É de irritar qualquer brasileiro. Mesmo aqueles que não entendem nada sabem que é RODA de capoeira, e não U de capoeira. Os caras não sabem jogar, eles praticamente se estapeiam e se chutam em todos os movimentos, não têm ritmo para bater as palminhas (paranauê, paranauê Paraná – cadê a dificuldade?). E tem mullets.

7) Cabelos argentinos – fiquei pensando no que o Marco Antonio de Biaggi diria se visse os cabelos que aquelas mulheres usam. Não importa a tribo ou classe social, a moda é o cabelo capacete com fios repicadérrimos. Para homens e mulheres. E mullets também são indispensáveis.

8) Compras – não vou dar dicas de couro, porque é muito clichê. Se quiserem ver coisas legais e diferentes, vá andar por Palermo Soho. Tem várias lojinhas legais e diferentes. Outra dica é a Prüne, uma loja de bolsas e sapatos que tem em todos os lugares – tem coisas lindas e baratas.

9) Alfajor – leve uma bolsa ou sacola extra só para eles. Eu fiz isso e foi ótimo. Comprei milhões e nem fui parada na alfândega por contrabando.

10) Visa Travel Money – para quem ainda não conhece, esse cartão nada mais é que a substituição para os travellers checks. Você carrega aqui no Brasil, em dólar, e leva para qualquer país do mundo. Ele pode ser usado como Visa Electron (não tem cobrança de taxas para débito) ou para sacar (cobram US$ 2,50 por saque) na moeda local. É ótimo, prático, confiável, seguro... a melhor coisa para os viajantes.

11) Superstições – eles não são muito supersticiosos, mas eu sou. Numa noite vi 4 noivas, passei em cima de trilhos de trem enquanto via a primeira estrela no céu às 21h21!!! Se isso não é um sinal que minha sorte vai mudar, não sei o que é...

Viajar é sempre bom. Voltar pra casa também é ótimo, nada como o conforto do lar. O problema é que sempre que eu volto de uma viagem já me pego planejando a próxima...

Sexta-feira, Novembro 11, 2005

Mar de estrelas

Sou apaixonada por estrelas e todas as noites eu olho para cima. No céu alaranjado de São Paulo não é sempre que elas aparecem, mas eu sei que elas estão lá.

Gosto de ir pra fazenda, que tem o céu mais estrelado que eu já vi. Todas as noites pegamos as cadeiras da piscina e sentamos no cimentado que fica em volta da casa, ao ar livre, no escuro total, admirando aquela infinidade de estrelas. Se alguém abre a porta da sala e vem aquele raio de luz, sempre tem alguém que grita “EEEI!! FECHA LOGO ISSO AI!”, por mais que a pessoa só tenha aberto uma frestinha.

Uma vez estava com algumas amigas na fazenda e, olhando pro céu, uma delas disse:

- Nossa, tem tanta estrela no céu que elas tão cobrindo a lua!!

A gargalhada foi geral. Foi um comentário inocente, que saiu num momento de pura fascinação. Até hoje tiramos sarro da coitada. Mas realmente, é de babar.

Desde que me conheço por gente, procuro as Três Marias no céu. Como na minha casa todas as mulheres tem Maria como primeiro nome, eu sempre senti uma identificação muito grande com elas. Não consigo não fazer uma associação imediata com a minha mãe e a minha irmã.

Vê-las no céu, alinhadinhas, me faz sentir em casa. Quando fui pros Estados Unidos pela primeira vez me senti completamente perdida. Olhava pra cima e não encontrava minhas estrelas. Nem o Cruzeiro do Sul eu conseguia ver!! Era muito estranho... Foi um alívio voltar pro Brasil e ver que elas continuavam lá.

Mesmo agora, com 24 anos na cara, continuo fazendo pedido para as estrelas. É um ritual que me acostumei a fazer e não consigo mais parar. Se é bobagem ou não, eu não sei.

Hoje, eu não vejo a hora da noite chegar. Já tenho um pedido para a primeira estrela que aparecer no céu. Afinal de contas, pedir uma forcinha pro destino não custa nada, né?

Buenos Aires, un rincón – parte I

Finalmente chegou a hora. Segurei minhas expectativas até o limite, mas agora não dá mais. Mal posso esperar a hora de entrar naquele avião.

O feriado promete. E tenho vários motivos pra ir pra lá agora:

1) Eu simplesmente amo viajar. Vou pra qualquer lugar, na boa. Como diz meu amigo, só preciso saber que tem um chuveiro e uma cama limpa me esperando.

2) Creamfields. Nove arenas com sei lá quantos DJs, gente de tudo quanto é canto. Música da boa.

3) Vou ter que ficar de plantão no reveillon. Os malditos finais de semana engoliram os feriados (Natal E ano novo) e eu vou trabalhar como se fosse uma semana qualquer. Só a palavra plantão já me irrita. Citando o amigo de novo, não sou médica, oras!

Na mala, algumas coisas indispensáveis:

- calça jeans
- All Star
- iPod
- máquina digital
- minha mais nova camiseta, com a foto do Pé na Jaca que eu ganhei da Aninha (ameeeeeeiiii!!!)
- uma sacola vazia pra encher de alfajor Havana
- cola para a minha peruca*

É isso. Acho que não preciso de mais nada pro meu feriado. Na volta conto como foi.

*perder a peruca é uma gíria muito utilizada por vários amigos meus, e a grosso modo quer dizer “enfiar o pé na jaca”.
Ex. Fui numa festa ontem e perdi a peruca (aproveitei muito); Estou careca (idem); Segura a peruca (controle-se).

Quinta-feira, Novembro 10, 2005

Hoje é dia de CDV!!!

O que é CDV? É o Clube da Vodka.

CALMA. Antes que vocês pensem “O quêêêê?? Que alcoólatra!!!” deixa eu explicar, não é bem assim...

Quer saber?? É sim, eu assumo.

Tudo começou no dia 17 de fevereiro de 2005 (pois é, meninas, achei a data oficial!!). Quatro amigas se encontraram na casa de uma delas para conversar. Nem todas eram amigas ainda, mas todas tinham uma amiga em comum.

Cada uma vivendo um momento diferente. Cada uma falando mais que a boca. A sintonia era boa. Por mais que fôssemos diferentes uma das outras (graças a Deus), tínhamos algo em comum. Deu certo. E a partir dessa data, começamos a nos encontrar uma vez por semana, religiosamente.

Podemos dizer que o CDV é um tipo de terapia em grupo. Não temos pudores, vergonha ou medo de falar o que pensamos e sentimos. Sem falsidade, sem máscaras, sem mentiras. Just us.

O CDV tem algumas condições para ser oficial:

- Sempre acontece no mesmo lugar. Já nos encontramos, sim, em outros lugares, mas nada como a intimidade do apartamento da Van pra gente se sentir à vontade pra falar e fazer o que quisermos.
- Já tivemos a participação de convidadas especiais, uma por vez. Não que homens não sejam bem-vindos, mas ainda não rolou de convidarmos um.
- Namorados são proibidos nos encontros.
- Vodka é item essencial! Smirnoff com suco de uva light é o tradicional, mas em ocasiões especiais tomamos Absolut e testamos outros acompanhamentos.
- Pizza! Meia marguerita e meia tomate seco com rúcula.

Amiga do CDV é literalmente pra todas as horas, pro que der e vier, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na alegria e na tristeza. Aprendemos a respeitar nossas diferenças e aprendemos com os erros das outras. Com isso, a amizade se fortaleceu muito.

Já tem um tempo que o CDV não se reúne. Mas mesmo sem respeitar a religiosidade inicial, as amigas não pararam de se falar. Ligações bêbadas (mas felizes) de madrugada, almoços, e-mails quilométricos, baladas engraçadas, cafezinhos e mensagens de texto...

E hoje, depois de tanto tempo, finalmente as quatro vão estar juntas. Pra dividir histórias, problemas, risadas e beber muita, mas muuuita vodka!!

Quarta-feira, Novembro 09, 2005

Perguntas que irritam

- e aquele negócio que eu te pedi, quando você entrega?
- porque você foi embora mais cedo ontem?
- que horas você vem pra casa?
- porque você não me atendeu?
- você joga basquete?
- quanto você mede?
- ta frio aí cima?
- porque você ta com essa cara de brava?
- me dá uma caroninha?
- você é filha/irmã da fulaninha?
- você não come japonêêêês?? Já experimentou?

Tolerância zero

Eu tenho um sério problema com todos meus vizinhos. Fico tentando relevar, ignorar o incômodo que eu sinto, mas é praticamente impossível. Vou explicar porquê.

A vizinha dos meus pais cria passarinhos. Tem milhões de gaiolas na área de serviço, que é o lado grudado com a minha casa. Eu normalmente gosto de passarinhos. Mas não de 50 cantando ao mesmo tempo, sem parar, o dia inteiro... Fora que é uma maldade mantê-los confinados a uma gaiolinha. Ainda bem que só tenho que suportar isso nos finais de semana, porque senão ficava louca.

Acho que de tanto cuidar das aves e ouvir o canto delas, a mulher se transformou. Faz tempo que não a vejo, só escuto, mas garanto que deve estar mexendo a cabeça do mesmo jeito acelerado que os passarinhos. Ou dando aqueles pulinhos entre a pia da cozinha e o fogão. E ela assobia. Nossa, como assobia! Ela emite um som alto, estridente, insuportável... Quando os bichos estão quietos, é ela quem se põe a cantar.

Por essas e outras que eu comecei a odiar assobio. E o cara que senta do meu lado no trabalho tem essa mania. Quando ele faz o biquinho eu já fecho a cara na hora, tento abstrair, meditar, “namastê, namastê”, adotar audição seletiva, você consegue, vai vai! E não consigo. No começo, eu ficava quieta, me remoendo por dentro. Mas aí fui pegando intimidade e comecei a lançar olhares fulminantes por cima da baia. Quase sempre funciona.

A menina atrás de mim bate o salto da bota na cadeira. Várias vezes, muito rápido, fazendo aquele toc toc toc toc toc toc toc toc toc toc toc toc toc toc. Ai...

O negócio da menina do outro lado é falar. Lê e-mails em voz alta, pensa em voz alta, xinga em voz alta e quando está falando com outros fala mais alto ainda. Ela tem um tom que provavelmente ultrapassa os decibéis permitidos por lei.

Não fico muito tempo em casa. Mas passo tempo suficiente para saber que a filha do zelador tem algum problema e o vizinho de baixo comprou um cachorrinho. Acho que eles competem pra ver quem chora mais.

Ai... será que se eu comprar um tampão de ouvido eu consigo um pouco de paz? Fico pensando se sou só eu que me deixo afetar por esse tipo de coisa ou se tem mais alguém aí que passa por isso.

Terça-feira, Novembro 08, 2005

Namastê

Há três meses eu inventei de fazer yoga (eu faço yóga, e não yôga. Odeio o jeito pedante de falar, parece que quem faz a “prática da yôga” é um ser superior, mais evoluído). Como pessoa hiperativa e estressada que sou, nunca pensei que fosse dar certo. Sempre achei yoga meio babaca, coisa de gente zen, natureba, que vota no partido verde e é extremamente radical. Ledo engano.

Tudo bem, escolhi uma academia pequena, que nada tem a ver com os mestre De Rose da vida. E faço power yoga, que é a menos filosófica de todas. Mas acabei descobrindo uma coisa que adoro fazer. Só duas horinhas por semana, não mata ninguém. Mas não estou aqui pra fazer campanha, e sim pra falar de uma dificuldade minha.

Além do equilíbrio e força para fazer as posições, a yoga exige muita concentração. É aí que o bicho pega. Se você tiver dormido pouco, estiver de ressaca, ou só um pouco distraído, não vai conseguir nem manter o equilíbrio e nem a força necessária para se segurar. E não tem como se sentir mais estúpida do que quando a classe inteira está lá, estática, e você está tremendo como se estivesse tendo uma crise de abstinência.

No final da aula, tem meditação. É ótimo, eu relaxo, fico ouvindo a música com barulhinho de mar, respiro (pela barriga Ju!!!). Dá aquela sensação de missão cumprida.

Mas aí a professora sempre inventa de pedir que a gente visualize alguma coisa no meio da testa. Juro. Já tive que imaginar uma meia lua, uma flor branca, e ontem foi uma chama de uma vela. Até aí ok. O problema é que não só temos que imaginar alguma coisa, mas temos que ficar pensando nela e não podemos pensar mais em nada! É absurdo! Eu sou da geração da MTV, Matrix, games japoneses que matam crianças com ataque epilético. Ficar parada respirando e visualizando algo que simplesmente não está lá é praticamente impossível. Limpar a mente e afastar todos os outros pensamentos que passam na minha cabeça por minuto é um sacrifício.

No começo, eu até consigo. Mesmo de olho fechado eu fico meio vesga (sim, eu sou uma pessoa estranha) até conseguir ver a coisa. Em menos de 20 segundos a meia lua branca já virou uma bola gigante e eu me vejo nos highlanders da Irlanda, com um vestido branco esvoaçante e brincando com a bola cheia de fumaça cintilante. Aí de repente o som do mar me leva pra praia, e eu vejo criancinhas brincando na areia, surfistas no mar, o sorveteiro do Rochinha... É sério, faço seqüências cinematográficas completas na minha cabeça. É preocupante.

De duas uma: ou eu sou realmente louca, ou estou desperdiçando um grande talento.

Segunda-feira, Novembro 07, 2005

mc precisa...

Hoje acordei muito cedo (muito mesmo) e minha criatividade ficou comprometida. Como não consigo pensar em nada melhor, resolvi fazer uma brincadeirinha que eu vi em outros blogs, com algumas adaptações.

É simples: entrei no Google e digitei "mc precisa" (na verdade coloquei meu nome mesmo, porque com o apelido não ia encontrar nada) e copiei os primeiros resultados que apareceram. Achei engraçado, olha só:

mc precisa
...trabalhar
... ver quais são suas condições físicas
... provar que é séria
... comparecer ao sindicato com urgência
... fazer carinho
... respeitar mais as pessoas
... de ajuda para perder peso
... de sonhos e de se nutrir de lembranças
... tomar os remédios
... ter uma arma
... encontrar o patrão
... ser vip

hahahahaha não é divertido? Inútil eu? Magina...

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

A Rainha do Botão

Recentemente eu fiz uma descoberta. Há anos eu escutava as pessoas falando sobre o assunto, explicando a importância de encontrar isso e aprender a usar. “É bom”, alguns diziam. “Você não pode viver sem”, diziam outros. Mas eu nunca consegui encontrar o meu. Vivia um pouco frustrada, achando que talvez tivesse algo errado comigo.

Será que minha mente não controla meu corpo? Tive aulas didáticas, me deram o mapa da mina, mostraram o caminho das pedras... Mas quanto mais eu tentava, pior eu me sentia. E nada de achar o meu...

Na adolescência eu tinha crises intensas, achando que era a última das mortais e que nunca ia poder fazer nada. Minha mãe tentava me confortar falando “sua hora vai chegar”. Era uma das frases que eu mais odiava no mundo, porque parecia que minha hora não chegava nunca!!!

Estava quase perdendo as esperanças, quando finalmente consegui convencer meu pai a me deixar viajar pro Rio, de carro, com dois amigos e minha irmã (ele tinha que dar um jeitinho de me controlar – não se ofenda Nylse, a viagem foi tudo!). Foi uma grande vitória. Logo depois de receber a benção e a permissão, minha mãe falou, confiante: “não disse que sua hora ia chegar?”. E chegou! Desde então tudo mudou. Passei a acreditar mais nas coisas.

Enfim, contei isso tudo só pra explicar que mais uma vez minha hora chegou! Finalmente eu consegui encontrar o que procurava há tanto tempo. Depois de anos e anos de espera e (falta de) paciência, encontrei!!! E a sensação é boa. Libertadora. Deliciosa. Indescritível.

Encontrar o botão do foda-se é uma grande descoberta. Saber o momento de usá-lo e como usá-lo é a melhor coisa que pode acontecer. Alguém duvida?

Você pensou que eu tivesse falando do quê????


PS – agradecimentos especiais à Isa, as meninas do CDV e ao Marco. Sem vocês nada disso seria possível.

Quinta-feira, Novembro 03, 2005

Surpresa!!!!

Adoro surpreender e ser surpreendida. Não confundam com surpresas que assustam, porque eu odeio levar susto. To falando daquelas que acontecem de repente, sem você esperar, mas são extremamente agradáveis e não causam taquicardia, só um friozinho na barriga.

Também não estou falando de coisas muito elaboradas. Podem ser coisas simples como um telefonema inesperado, um bilhetinho carinhoso ou engraçado (depende de quem deixa), ou um bem-casado trazido da locadora quando você só estava esperando um filme.

São coisas que não precisam e não devem ser pedidas. São atitudes espontâneas, simples, que têm como único objetivo fazer o outro sorrir. Pode ser feito por namorados, prospects, amigos, irmãos, filhos, etc. A boa surpresa não tem regra, mas segue alguns princípios básicos:

- tem que ser espontânea;
- você tem que querer fazer;
- você pode planejar por dias ou simplesmente ter uma idéia brilhante de repente (tipo quando vai buscar pãezinhos na padaria e lembra de comprar aquele croissant de chocolate que ele(a) gosta);
- você não pode cobrar reconhecimento depois.

Eu adoro todos os momentos das surpresas. Gosto de ter a idéia, de planejar, de imaginar como será a reação, de ver a reação, de conversar sobre a situação depois, de contar para poucos e bons amigos e de curtir as lembranças anos depois.

A frase: “a vida não é feita dos momentos em que respiramos, mas sim dos momentos em que perdemos o fôlego” é perfeita. São esses momentos que te fazem sorrir do nada, quando você está tendo um dia cinza. Boas surpresas são inesquecíveis e poderosas.

Você já surpreendeu alguém hoje?

Terça-feira, Novembro 01, 2005

O erro de Penélope

Para entender a razão de eu me expor e compartilhar uma história dessas, de um passado muito distante, entrem no blog da Cláudia. (http://eoseguinte.blogspot.com/)

Tenho um sério problema em lidar com o momento da conta quando estou num “date”. Nem todas as mulheres que eu conheço passam por isso, mas para mim é um inferno. Eu suo frio, tremo, passo mal. Simplesmente não consigo fazer cara de samambaia e brincar de Penélope na chegada da cadernetinha de couro fechadinha. Como prometi a ela contar um causo, lá vai.

Fui apresentada para o amigo de um amigo. Essas coisas não costumam dar muito certo, mas dessa vez, deu. Saímos duas vezes e a sintonia era boa. Eu era meio novinha, e não tinha muito jogo de cintura para lidar com algumas situações (já estou me defendendo antes de contar a batatada que eu fiz!!!). Enfim.

No terceiro encontro, fizemos uma programação básica: cineminha seguido de jantar. Óbvio que ele foi me buscar em casa, nessas horas sou bem Penélope. Ele comprou os ingressos, pipoca, Frutella e água. Básico e ainda Penélope. Tudo correu bem e o filme era ótimo.

Depois, jantar. Conversa boa, comida boa. Tudo estava indo muito bem. Aí veio a conta. A temida cadernetinha de couro preta. Ele pegou, abriu e não fez cara nenhuma, como um cavalheiro deve fazer. A essa altura eu já estava me remoendo por dentro e não consegui segurar a língua. Lá se foram as palavras fatais:

- Vamos dividir?
- Não, pode deixar.
- Magina, não precisa. Quanto foi?
- Não se preocupe.

E quando vocês achavam que eu já tinha encerrado a sessão-insistência inconveniente, eu soltei:

- Mas eu trabalho e você não, deixa eu dividir!!!

Ele deixou. Jogou a cadernetinha no meio da mesa e nós dividimos. Na mesma hora eu soube que tinha cometido um erro sem volta. E esse foi nosso último encontro. Porque seráááá?

Depois desse MICO, eu aprendi a lição. Agora só pergunto uma vez, por educação, depois abro um sorriso meigo e agradeço. E ponto final.