Sexta-feira, Julho 18, 2008

O que aprendi com o quiabo

Quem nunca foi parado por algum policial na vida? Polícia rodoviária, civil ou até ambiental. Que seja um salva-vidas na praia apitando pra você se afastar da correnteza. Duvido que alguém nunca tinha tido essa experiência.

Eu já. Mais de uma vez. Mas a mais recente é a que vale a pena ser comentada. Até por que, em tempos de bafômetro não se fala em outra coisa.

Enfim, vamos à estória.

Como boa neta que sou, fui almoçar com minha avó. O cardápio era ravioli de pato, arroz, omelete e brócolis, mas os menus que ela inventa merecem um post exclusivo. Para acompanhar, vinho branco (dos bons).

Papo vai, papo vem, chega a hora de ir embora. Era mais ou menos 15h, sol a pino. Faço um caminho diferente para passar naquela loja da Sumaré e depois aproveitar para ir no banco. A 100 metros do banco me deparo com uma “Unidade Móvel” da Polícia Militar. Logo noto os cones que demarcam um simpático “estacionamento” ao lado dos oficiais. E eis que um deles anda pro meio da rua, tira o cone e me manda parar.

&%@*%$%&$#%!!!

Estaciono, desligo o Seu Jorge que gritava no carro “burguesinha só no filé” e atendo às ordens:

- Carteira de habilitação e documento do veículo.

Inexplicável dizer o que eu sentia no momento. Só sei que o suor brotava de todos os poros, e eu fazia força pra mascar bem o meu Trident Herbal Fresh e tentar disfarçar o cheio de bebida.

Ele avaliou os documentos, fez algumas perguntas. Eu guaguejei em todas as respostas, e não conseguia disfarçar o nervosismo. Não sei como nem porque, mas ele começou a falar que se separou há 7 anos, conheceu uma italiana e eles gostam de viajar no final de semana para conhecer lugares novos. Disse que a vida dele não é só a Polícia não, que é importante se divertir. Perguntou dos pontos turísticos de Piracicaba e eu, que só almocei na Rua do Porto uma vez na vida, me vi dando altas dicas gastronômicas.

Aproveitando o momento de simpatia do oficial, resolvi contar que tenho um amigo da Polícia Rodoviária Federal (que na verdade só vi 2 vezes na vida) e que a gente fez um projeto junto e que ele também era um cara divertido.

Comecei a explicar onde eu trabalho e o que eu faço, e como esse ano estava envolvida num projeto de segurança nas estradas voltado para motoristas de caminhão. Falava com calma, articulando o pensamento, mencionando os conceitos da campanha e tentando não guaguejar mais. Até que ele pergunta:

- E o que você acha dessa lei nova do bafômetro?
- Acho o máximo, desde que você não me peça pra fazer o teste agora.

Óbvio que a segunda parte só foi ouvida dentro da minha cabeça. Na realidade o que falei foi:

- Acho que tem que fazer mesmo, principalmente nas estradas onde os acidentes são mais graves e nos bairros cheios de barzinho onde a molecada bebe sem pensar nas conseqüências...

Ele me olhou, me entregou os documentos e disse sorrindo:

- Não vou nem fazer o seu rezistro (sim, com z) senhorita. Pode ir e tenha uma boa tarde.
- Ok, obrigada!
- Pode me chamar de Cabo Adriano.
- Prazer em conhecê-lo, Cabo Adriano, bom serviço!

Uuuuuuuuhhh! Como se diz em Piracicaba, “lisa como um quiabo!”. Viva minha empresa (que impressiona algumas pessoas), viva o Molinari (meu amigo polícia) e viva minha cara de pau!

6 Comentários:

Às 5:51 PM , Blogger Roberta disse...

ahahaahhahhhhahahahahahaa

Muito bommmmmmmm.
Imagina se um vinhozinho branco, super singelo ia atrapalhar, se é pra ser pega é com uma garrafa de vodka na cabeça, e nao um vinho gostoso de acompanhamento.

É a lei...general.
hahahahahahahh

 
Às 12:45 AM , Blogger Cláudia disse...

Pronto, já vou dizer que sou amiga da amiga do Molinari e me safo!
Olha como já tá inserida nos assuntos culinários, até ditado culinário já tá usando, que metida!
beijo

 
Às 12:18 PM , Blogger Virgínia disse...

Hummmmm "rezistro"? Então o cabo Adriano é cearense!!!!!!!!! Ou filho de... não há dúvidas! ahdahsduahduad Bj

 
Às 8:36 PM , Blogger ANNA disse...

Será que conhecem o Monilari aqui no Rio??

bjs

 
Às 10:07 AM , Blogger Anninha disse...

Ótimaaaa!!!
Também tenho algumas histórias com polícia e tô sem saber o que fazer com essa lei seca quando for passar minhas férias no Rio.

 
Às 12:30 PM , Blogger Re disse...

Nada como um charme feminino....

 

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